segunda-feira, 13 de junho de 2011

Violência na Amazônia: falta coragem de enfrentar o problema

Violência na Amazônia: falta coragem de enfrentar o problema



O governo federal anunciou ações para evitar novas tragédias na Amazônia, como os assassinatos das lideranças rurais Maria e Zé Cláudio, no Pará, e Adelino Ramos, em Rondônia. Sem medo de estar enganado, e ainda sem o detalhamento exato das ações, tenho a certeza de que – mais um vez – isso não vai dar certo. Intensificar a fiscalização e o controle (como informado ontem) são importantes, mas não terão efeito nenhum se o próprio Estado continuar como cúmplice – por ação ou inação – dessa violência.

Para começar, para que formar uma comissão interministerial para analisar o assunto? Pelo amor de Deus! Qualquer sagui bêbado da floresta sabe a razão de se morrer a bala na região de fronteira agrícola. A violência na Amazônia não é uma doença, mas sim um sintoma. Ou seja, a fiscalização é uma parte importante – mas ameniza, não resolve. É como pegar malária e ficar tratando as dores pelo corpo com aspirina. No caso, estar sofrendo de infecção generalizada e receber um tylenol para aguentar as pontas. Ao mesmo tempo, proteger os ameaçados é importantíssimo e fundamental, mas trata sintomas e não o coração da história.

As mortes no campo são resultado de um modelo de desenvolvimento concentrador, excludente, que privilegia o grande produtor e a monocultura, em decorrência ao pequeno e o médio. Que explora mão-de-obra de uma forma não-contratual, chegando ao limite da escravidão contemporânea, a fim de facilitar a concorrência em cadeias produtivas cada vez mais globalizadas. Que fomenta a grilagem de terras e a especulação fundiária, até porque tem muita gente graúda e de sangue azul que se beneficia com as terras esquentadas e prontas para o uso. Que muito antes da época dos verde-oliva já considerava a região como um “imenso deserto verde” a ser conquistado – como se o pessoal que lá morasse e de lá dependesse fossem meros fantasmas. Que está pouco se importando com o respeito às leis ambientais, porque o país tem que crescer rápido, passando por cima do que for. Tudo com a nossa anuência, uma vez que consumimos os produtos de lá alegres e felizes.

Ou seja, causaria mais impacto de curto prazo se o governo aplicasse mais regras para o financiamento da cadeia de produção e transformação agropecuária na Amazônia, com mais condicionantes duras, e revisse seus grandes projetos de produção de energia elétrica – eles próprios indutores de problemas sociais graves nas regiões em que são instalados.

Agora, como o governo planeja mudar radicalmente tudo isso se não consegue nem orientar sua bancada a votar contra as mudanças no Código Florestal e a anistia aos desmatadores? Ou não consegue influenciar na aprovação da proposta de emenda constitucional 438/2001, que prevê o confisco de terras flagradas com escravos e que está parada há sete anos na Câmara por ação da bancada ruralista?

A verdade é que a violência na Amazônia não é uma questão do bem contra o mal para ficar sendo tratada como conto de fadas. É uma questão econômica. Tem gente que ganha muito dinheiro e, se a roda começar a girar para o outro lado, vai perder dindim. Para quebrar esse sistema, é necessário reinventar muitas práticas e sacudir o modelo. O governo federal não irá fazer isso de forma profunda nem que vaca tussa, pois é em cima dos representantes políticos das pessoas que ganham diretamente com isso que este e todos os governos que vieram antes estão assentados. Não estou pedindo aqui uma revolução socialista (alô, comentaristas deste blog, como diria Nelson Rodrigues: Cresçam!) Estou falando de regras do jogo e do respeito a elas – o que é bem capitalista, diga-se de passagem.

E a História vai se repetindo como tragédia. Na década de 80 e 90, fazendeiros resolveram acabar com o Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Rio Maria, no Sul do Pará, um dos mais atuantes na região, e assassinaram uma série de lideranças. De acordo com frei Henri des Roziers, então advogado da Comissão Pastoral da Terra em Xinguara (PA), foi assassinado o primeiro presidente em 1985. “Depois, foi a vez de um dos líderes em 90 e seus dois filhos, que eram do sindicato. Foi assassinado, em 90, um diretor. E, em 91, mataram seu sucessor dele, além de outros que foram baleados. Passei da região do Bico-do-Papagaio para aqui a fim de ajudar na apuração desses crimes.” Os casos foram a julgamentos, houve condenações, mas os pistoleiros fugiram. Henri, foi, ele mesmo, um dos marcados para morrer no Pará e viveu sob escolta policial 24 horas por dia.

O Massacre de Eldorado dos Carajás, no Sul do Pará, que matou 19 sem-terra e deixou mais de 60 feridos após uma ação violenta da Polícia Militar para desbloquear a rodovia PA-150, completou 15 anos no dia 17 de abril. A rodovia estava ocupada por uma marcha do MST que se dirigia à Marabá para exigir a desapropriação de uma fazenda, área improdutiva que hoje abriga o assentamento 17 de Abril. Os responsáveis políticos pelo massacre, o governador Almir Gabriel e o secretário de Segurança Pública, Paulo Câmara, não foram nem indiciados. Quantos aos executores, há um longo caminho até que a Justiça seja feita.

Em fevereiro de 2005, a missionária Dorothy Stang foi assassinada com seis tiros – um deles na nuca – aos 73 anos. Ela foi alvejada numa estrada vicinal de Anapu (PA). Ligada à Comissão Pastoral da Terra, Dorothy fazia parte da Congregação de Notre Dame de Namur, da Igreja Católica. Naturalizada brasileira, atuava no país desde 1966 e defendia os Programas de Desenvolvimento Sustentável como modelo de reforma agrária na Amazônia. Dois dos fazendeiros acusados de serem o mandante chegaram a ser julgados e condenados, mas um está recorrendo em liberdade.

Você já deve ter ouvido falar de Chico Mendes, Dorothy Stang, os 19 de Eldorado dos Carajás e agora de Zé Cláudio e Maria. Mas e de Pedro Alcântara de Souza, um dos líderes da Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar no Pará ,que foi assassinado com cinco tiros na cabeça em Redenção, Sul do Estado (67 mil pessoas, 162 mil cabeças de gado, quase 30% de adultos analfabetos, cerca de 40% de pobres) no ano passado? Ex-vereador, ele era um dos marcados para morrer devido à sua militância pelo direito das populações do campo e foi morto quando andava de bicicleta com a esposa por dois homens em uma motocicleta. A polícia, na época, afirmou que ele pode ter sido executado a mando de fazendeiros da região insatisfeitos.

Praticamente toda a semana, um trabalhador rural, indígena, ribeirinho, quilombola, camponês é morto na Amazônia. Alguns são mais conhecidos e ganham mídia nacional e internacional, mas a esmagadora maioria passa como anônimos e são velados apenas por seus companheiros. Além da importância de Maria e Zé Cláudio como lideranças, a morte deles ocorreu no dia da votação do novo Código Florestal na Câmara dos Deputados, o que contribuiu em dar visibilidade ao crime. E aqueles que morrem em dias de jogos da Copa do Mundo em que não há ninguém prestando atenção?

Na prática, com louváveis exceções como a de juízes com coragem de condenar escravagistas ou de procuradores que não têm dado trégua a quem mata e desmata, a Justiça tem servido para proteger o direito de alguns mais ricos em detrimento dos que nada têm. Mudanças positivas têm acontecido, mas muito pouco diante do notório fracasso até o presente momento. A se confirmar o crime de mando de mais essas mortes na Amazônia, será mais um tento marcado pela barbárie na disputa com a civilização na região.

Há um ano, a CPT entregou ao Ministro da Justiça a relação de 1.546 trabalhadores assassinados em 1.162 ocorrências de conflitos no campo nos últimos 25 anos, de 1985 a 2009. Destas, apenas 88 foram a julgamento, tendo sido condenados somente 69 executores e 20 mandantes. Dos mandantes condenados, dois estavam no xilindró, por coincidência os dois que encomendaram a morte de Dorothy Stang: os fazendeiros Vitalmiro Bastos de Moura e Reginaldo Pereira Galvão. Este último, contudo, recebeu da Justiça o direito de recorrer em liberdade.

Não foi o general De Gaulle que disse a famosa frase, mas ela é perfeita: o Brasil não é um país sério. Recebo semanalmente notícias do interior dizendo que alguém foi assassinado por defender um modelo de produção diferente. Se você não respira fundo e tenta reiniciar a CPU no final de cada dia, corre o risco de entrar em uma espiral de banalização de violência. O horror de ontem passa a ser nada diante da bizarrice de hoje, retroalimentado pela impunidade. Afinal, há mais chances de eu ser atingido na rua por um meteoro em chamas do que o Brasil garantir que os seus violadores de direitos humanos sejam sistematicamente responsabilizados e punidos.

Vamos, faça uma experiência: pegue os jornais da época de todos esses assassinatos. Pode ser apenas os dos mais famosos. Verá que é só trocar o nome dos mortos, do município (às vezes, nem isso) e onde foi a emboscada para serem a mesma matéria. As mesmas desculpas do governo, os mesmos planos de ação parecidos, as mesmas reclamações da Comissão Pastoral da Terra, os mesmos grupos sendo criados para debater e encontrar soluções. Jornalistas preguiçosos que não têm criatividade para escrever um texto diferente? Desta vez, não. O que me leva a crer que a banda podre do agronegócio nacional (e internacional), além de governos federal e estaduais, bem poderiam também serem processados por repetidos plágios da realidade.

domingo, 12 de junho de 2011

Violência no campo: João Pedro repudia assassinatos e exige providências

Violência no campo: João Pedro repudia assassinatos e exige providências
Leia a transcrição do discurso:
A sociedade brasileira vem acompanhando o debate sobre o Código Florestal. A Câmara acaba de aprová-lo. Está chegando um debate importante, que ganhou relevância. Veja que, além da responsabilidade do Congresso, da sociedade, nós temos que conviver, Senador Pedro Taques, com a opinião internacional sobre o fazer, o elaborar o Código Florestal.
É nesse contexto do debate sobre floresta, sobre o Código -- e não poderia ser diferente -- que devemos repudiar os assassinatos e exigir providências das instituições competentes -- prender, impedir outras lideranças -- para que homens simples, mulheres simples lá da Amazônia possam viver com dignidade, possam ser protegidos dos criminosos que atacam de forma covarde, Srª Presidenta.
Eles fazem e dão a vida discutindo a floresta, defendendo a floresta, fazendo da forma mais dramática o debate sobre a importância de preservarmos a Floresta Amazônica, esse território que é um dos poucos no mundo

LUTAR POR JUSTIÇA E LIBERDADE!

Acordo prevê proteção para ameaçados de morte no AM





Deste total, 11 atuam no movimento agrário no município de Lábrea, a 702 quilômetros ao sudoeste de Manaus, onde morava Adelino Ramos, assassinado em maio.

Manaus - Órgãos estaduais da área de segurança, Ministério Público do Estado (MP-AM) e a Secretaria de Estado de Justiça e Direitos Humanos (Sejus) assinaram, ontem, um acordo para garantir a proteção de lideranças ligadas ao movimento de reforma agrária ameaçadas de morte no Amazonas.

Segundo dados da Comissão Pastoral da Terra do Amazonas (CPT-AM), o Estado possui 30 pessoas ameaçadas de morte por defenderem causas ambientais em áreas de conflito agrário. Deste total, 11 atuam no movimento agrário no município de Lábrea, a 702 quilômetros ao sudoeste de Manaus, onde morava o líder do Movimento Camponês Corumbiara (MCC), Adelino Ramos, assassinado no final do mês passado.

O acordo foi anunciado, ontem, pelo governador Omar Aziz e o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, após reunião na sede do Governo do Amazonas. Entre as principais ações definidas pelos governos estadual e federal estão a atuação de forças federais de segurança no Sul do Amazonas e a elaboração de um plano preventivo para evitar conflitos agrários nessa região.

A Polícia Civil, o Tribunal de Justiça do Amazonas e os Ministérios Públicos Federal (MPF) e Estadual também vão adotar medidas conjuntas para acelerar a conclusão de inquéritos policiais relativos a homicídios. A partir deste sábado, uma força tarefa formada por 70 homens da Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal e Força Nacional de Segurança começam a atuar em Lábrea, no extremo sul do Estado.

Todas estas ações no Amazonas fazem parte da operação ‘Defesa da Vida’, lançada no último dia 2 em Brasília, pela presidenta Dilma Rousseff, para combater mortes no campo nos Estados do Pará, Rondônia e Amazonas. A reunião em Manaus contou com a presença de representantes dos poderes executivo, legislativo e judiciário, incluindo secretários de Estado, órgãos federais, desembargadores, Ministério Público, Conselho Nacional de Justiça, Forças Armadas, Polícias Federal, Militar e Civil.

No Amazonas, o principal alvo da operação será o combate ao comércio ilegal de madeira, identificado pelo governador Omar Aziz como a principal ameaça de conflitos na área. “O Amazonas não tem tradição em crimes de pistolagem, o que vem nos preocupando é o desmatamento ilegal, que não nos traz nenhum benefício e pode gerar conflitos”, disse Omar, ao ressaltar que a abertura de estradas para o transporte de madeira é seguido da ocupação irregular do solo, criando as condições de conflito. Omar Aziz lembrou que esta foi a motivação do assassinato do agricultor Adelino Ramos, no final de maio em Rondônia. Adelino era líder do Movimento Camponês Corumbiara, do Distrito de Vista Alegre do Abunã, em Rondônia, mas também atuava em movimentos contra exploradores ilegais de madeira no Sul do Amazonas.

Caso Adelino Ramos e Gênesis Félix

Escrito por Assessoria DGPC

Postato em 12 Junho 2011

Última atualização 12 Junho 2011

presopc








Caso Adelino Ramos e Gênesis Félix


Caso Adelino Ramos: fim da primeira fase da investigação

Na última quarta-feira, 08/06, encerrou-se a primeira fase da investigação do caso Adelino Ramos.

O inquérito policial foi concluído com a autoria do crime indicada para o investigado Ozias Vicente, por meio de um consistente lastro probatório constante dos autos.

As investigações prosseguem visando, a partir de agora, apurar possível participação de terceiros, seja de forma direta, indireta ou como mandante do crime.


Caso Gênesis Félix: cinco capturados e sete mandados de prisão cumpridos

Também na última quarta-feira, 08/06, a Polícia Civil ainda autou na captura de cinco preventivados e ainda cumprimento da prisão de outros dois que já estavam recolhidos por outros motivos.

Em diligências ao distrito de Vista Alegre do Abunã/RO, a Polícia Civil capturou M.A.R., J.V., P.J.S., Z.J.S. e O.P.

Os cinco foram presos e encaminhados para a Central de Flagrantes, sendo providenciada o encaminhamento ao presídio de Porto Velho.

Estes investigados são acusados de terem participado da morte do também trabalhador rural, Gênesis Félix, em Lábrea/AM.

Também foram cumpridas as prisões de J.G.M., vulgo "Ceará Popó" e O.V., expedidas na mesma decisão judicial da Comarca acima citada.

O primeiro foi preso semana passada na operação Dinízia II, organizada pela Polícia Federal em conjunto com a Polícia Civil e Polícia Militar.

Por sua vez, O.V. é o suposto autor da vítima Adelino Ramos.

Na nova etapa de investigação do caso Adelino Ramos, esta decisão judicial de Lábrea/AM que demonstra vínculo anterior dos investigados com vistas à prática de crime contra a vida de trabalhador rural será novamente investigada para verificar se também ocorreu no caso da vítima Adelino Ramos.

FAMÍLIA DE SUSPEITO DA MORTE DE ADELINO RAMOS FEZ AMEAÇAS, DIZ DELEGADO


Padre morreu defendendo a vida de seus semelhantes.Quanta injustiça!

Entre os dias 16 e 17 de Julho de 2011, acontecerá em Ribeirão Cascalheira - MT, na Prelazia de São Félix do Araguaia, a ROMARIA DOS MÁRTIRES DA CAMINHADA, como tema: TESTEMUNHAS DO REINO. A cada cinco anos, no mês de julho, milhares de pessoas se encontram em Ribeirão Cascalheira - MT, para realizar uma romaria dedicada à memória daqueles que foram mortos defendendo a vida. É um encontro que celebra causas: a indígena, a de negros e negras, mulheres marginalizadas, meninos e meninas de rua, dos operários,os dos sem terra. Os participantes da caminhada renovam seu compromisso com as lutas pela Vida e pela Justiça.

A história

Vindos de um encontro indigenista na área dos Tapirapés, o bispo de São Félix do Araguaia, Dom Pedro Casaldáliga, e o padre jesuíta João Bosco Penido Burnier, coordenador-regional do Conselho Indigenista Missionário (CIMI/MT), desembarcam no povoado com a intenção de participar da festa em homenagem à padroeira. Informados da situação, seguem direto à delegacia para interceder pelas mulheres...

Santana e Margarida são respectivamente a nora e a irmã de um sitiante que, na defesa do próprio filho, atirou e matou um soldado da região. “O soldado tinha prometido matar o filho dele. Quando foi à fazenda cumprir a promessa, o velho já estava esperando e atirou. No dia seguinte, um grupo de dez militares veio atrás”.

Como não encontraram o autor do disparo, levaram presas as duas mulheres e iniciaram uma sessão de tortura para forçá-las a revelar seu paradeiro. “Elas foram forçadas a ajoelhar no milho, em tampas de garrafa, tiveram as unhas e o bico dos seios furado com agulha”, relata outra testemunha do episódio, Eva Domingues da Rocha.

Casaldáliga participará da romaria.
(Foto: Sandra Carvalho)
Ao chegar à delegacia, Casaldáliga e Burnier encontram quatro soldados de prontidão. Eva, que mora nas proximidades do local, é capaz de ouvir quando o padre avisa aos militares que a situação será denunciada às autoridades em Cuiabá. A advertência, porém, não surte efeito algum.

Em vez disso, os policiais se mostram cada vez mais tensos e passam a chamar os religiosos de comunistas e subversivos. Dentre eles, quem decide tomar a iniciativa é o soldado Ezy Ramalho Feitosa, que ataca Burnier com um soco e, em seguida, desfere uma coronhada que o lança ao chão.

Depois, um tiro na cabeça. “Ouvimos tudo, sem poder mostrar reação”, lamenta o marido de Eva, José Carlos da Rocha, um dos primeiros a socorrer o padre em agonia. “Foi como se todo o povoado tivesse parado no tempo, sem saber para onde ir”.

A partir daí, o que se seguiu foi uma tentativa desesperada de salvar a vida do missionário. Atendido em condições precárias no próprio povoado, o padre foi levado em um avião monomotor até o Instituto Neurológico de Goiânia (GO), onde morreu, no dia seguinte.

Padre João Bosco Burnier
Responsável pelo despertar, sete dias depois, de uma pequena revolução naquele distante povoado do Araguaia , a morte de Burnier ainda hoje é um dos mais fortes símbolos da luta travada entre os grandes grupos econômicos apoiados pela ditadura militar e os milhares de peões, índios e posseiros que insistiam em ficar e construir na região o seu futuro.

Simboliza também o destino de tantos outros que, no mais das vezes de forma anônima, perderam a vida em favor de quem menos podia. Desde a sexta-feira, no mesmo local onde Burnier foi assassinado, estes mártires são lembrados por milhares de romeiros, vindos de todas as partes de Mato Grosso, de vários estados do Brasil e até do exterior.

A Romaria dos Mártires da Caminhada - realizada em julho para facilitar a participação dos visitantes, jovens da cidade apresentaram uma peça teatral que reconstituiu o episódio trágico ocorrido há mais de três décadas. 
                                           
                                                   OBSERVAÇÃO
 
Senhores...Sempre foi assim,por essa e por outras pedimos em favor da revisão de pena de Claudemir Gilberto Ramos ,antes que vire mais uma vítima do sistema que somente é acionado depois que o mal já está feito e as pessoas já estão mortas.
Pedimos para as autoridades em geral,que ólhem com carinho para a causa que levou e a formar-se um Comitê em defesa da vida! Não queremos mais mortes! chega de tanta retaliação...queremos vida,liberdade e paz.
Pedimos pela defesa das vidas de Padres e Freiras que em desigualdade vivem ameaçados de morte,com a cabeça a premio tal qual Claudemir,sómente por defenderem os mais humildes os injustiçados.
Tem que haver um basta nessa imoralidade,dando chanse de defesa  a quem por direito o exige.
Que País  é esse que todos gritam que é democrático,mas que essa democracia existe sómente para os ricos,os capitalistas abastados que tem dinheiro suficiente para comprarem a própria liberdade.
Pedimos que haja revisão do processo que incrimina Claudemir Gilberto Ramos,que além de nada provarem de concreto contra o mesmo,acaba de perder o pai,num crime brutal e revoltante,que o mesmo não teve se quér o direito de velar o homem que lhe deu a vida!
Isso Senhores é de fazer chorar o coração mais duro e incencível.
Ajoelhamos ante os pés dos senhores que tem as leis nas mãos tal qual JESUS  no Horto das Oliveiras.para pedir clemenencia por esse sobrevivente,que perdeu o direito a tudo,não sendo bandido,nem deliquente é caçado tal qual um animal.

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Assentados estão com medo, afirma lavrador do PA



O lavrador Manoel Santos Silva parou ontem sua canoa na lagoa em frente à casa do agricultor José Martins, no assentamento agroextrativista de Nova Ipixuna (sudoeste do Pará) onde três pessoas foram assassinadas em menos de uma semana.
Ele desceu do barco para comprar a farinha fabricada pelo vizinho, mas não encontrou ninguém lá. Martins correu antes para se esconder no meio da floresta.
Ameaçado de morte por grileiros que incendiaram sua casa, o colono deixou para trás panela no fogão de lenha e mandiocas descascadas no chão de terra batida.

Funeral do casal de extrativistas José Cláudio Ribeiro da Silva e Maria do Espírito Santo da Silva em Marabá (PA)
Funeral do casal de extrativistas José Cláudio Ribeiro da Silva e Maria do Espírito Santo da Silva em Marabá (PA)
"Ele está assombrado, como todo mundo no assentamento", disse Silva, referindo-se ao medo que tomou conta do lugar após a morte dos líderes extrativistas José Cláudio Ribeiro da Silva e Maria do Espírito Santo da Silva, e do agricultor Eremilton Pereira dos Santos.
No local, 366 famílias vivem espalhadas em 22 mil hectares. As glebas são intercaladas por pastagens, lagoas e manchas da floresta amazônica. O acesso pela estrada de terra esburacada que corta a região é difícil.
Os assentados estão quase enclausurados. Os poucos bares estão fechados e muitas crianças deixaram de ir à aula. Várias famílias, entre elas a dos líderes extrativistas, abandonaram as casas.
"Existe um clima de incerteza", disse Claudelice Silva dos Santos, 29, irmã de José Cláudio. "Diante disso, nossas famílias acharam por bem sair." Quem ficou tenta reforçar a segurança.
Além de criar rotas de fuga na floresta, como fez o agricultor ameaçado de morte, muitos juntaram os parentes em uma só moradia, como o casal de trabalhadores rurais Francisco dos Santos da Silva, 31, e Adriana Almeida Santos, 25, e os quatro filhos.
A família mora a cerca de 300 metros do local onde Eremilton foi assassinado. Após a morte do colono, todos foram para a casa da mãe de Francisco. "A gente não sai", disse Adriana. "Choro pensando que os pistoleiros podem estar arrodeando."
Picapes da Polícia Federal circulam pelo assentamento e helicópteros sobrevoam a região. Fiscais do Ibama rondam as glebas em busca de madeireiros e carvoeiros.
Para Luiz dos Santos Monteiro, um dos cunhados do líder extrativista morto, o clima de terror só vai terminar quando os assassinos e mandantes dos crimes forem presos. "Enquanto isso, vai ficar o medo de sumir um e desaparecer outro por aqui."



A madereira Bel Monte, em Nova Ipixuna, foi embargada pelo Ibama nesta terça-feira
A madereira Bel Monte, em Nova Ipixuna, foi embargada pelo Ibama nesta terça-feira

Rondônia: Polícia prende em Extrema acusado de matar o lider dos sem terras Adelino Ramos

NÃO BASTA  MATAREM HOMENS,TEM QUE MATAREM MULHERES TAMBEM????
 
Porto Veho | Rondônia - Uma grande operação policial nos estados de Rondônia, Acre e Amazonas resultou na prisão de Ozéas Vicente Machado, de 38 anos, acusado de matar o líder dos sem-terras Adelino Ramos, o Dinho, de 48.
 
Ozéas foi preso após ter sido reconhecido pela foto divulgada pela políciaOzéas foi preso após ter sido reconhecido pela foto divulgada pela políciaOzéas foi preso no distrito de Extrema e está sendo conduzido para Porto Velho. Às 13 horas desta segunda-feira a cúpula da Secretaria de Segurança de Rondônia dará uma entrevista à imprensa sobre a prisão e as investigações da morte de Dinho, membro do Movimento Camponês Corumbiara, assassinado com cinco tiros, na última sexta-feira, no distrito de Vista Alegre do Abunã.
A VOLTA DA PISTOLAGEM
O crime ocorreu na última sexta feira. Foi apurado que Adelino transitava pela Rua Ivo Carneiro, quando foi baleado. Ele ainda chegou a ser socorrido a uma unidade de saúde, mas não resistiu.
No mesmo dia foram iniciadas as investigações e, de acordo com a polícia, todas as provas coletadas até o momento apontam Ozeas como executor, mas há suspeitas de participação de terceiros.
Como Adelino vinha denunciando extração ilegal de madeiras e havia sofrido ameaças de morte, não está descartada a hipótese de crime encomendado, crime de pistolagem. A polícia de Rondônia conta com o apoio das polícias do Acre e Amazonas na região de fronteira com esses estados, para que o matador ou matadores não fiquem na impunidade.
Pelo menos duas testemunhas, inclusive a esposa de Adelino Ramos teriam reconhecido Ozeas Vicente como suposto autor dos tiros que mataram a vítima.
A mulher, inclusive, está sob proteção da Polícia Federal, uma vez que também teria sofrido ameaças de morte. Com base nas provas apresentadas, a justiça acatou o pedido de prisão preventiva, mas o suspeito continuava embrenhado nas matas.

FAMÍLIA DE SUSPEITO DA MORTE DE ADELINO RAMOS FEZ AMEAÇAS, DIZ DELEGADO


O delegado regional de Extrema, Thales Beiruth, disse na manhã desta quinta-feira em Porto Velho que a família de Ozias Vicente fez ameaças de morte ao líder camponês Adelino Ramos, que havia denunciado a extração ilegal de madeiras na região da Ponta do Abunã. Adelino, ex-líder do Movimento Camponês Corumbiara (MCC) foi morto a tiros no último dia 27 em Vista Alegre. A Polícia aponta Ozias como o executor do crime e diz que há envolvimento de seus irmãos. O delegado explicou detalhes da prisão de mais outros suspeitos nesta quarta: Odair Pinheiro Cunha, Pedro Jesus de Souza, Zaqueu Jesus de Souza, Jobe Vicente e Marcos Antonio Rangel. Outro suspeito, Luis Vicente conseguiu fugir.