quinta-feira, 16 de junho de 2011

MORTE LÍDER CAMPONÊS ADELINO RAMOS

MORTE LÍDER CAMPONÊS ADELINO RAMOS
Revista americana critica mortes no campo no Pará e em Rondônia

O autor cita acontecimentos nos meses de maio e junho deste ano para afirmar que, "com a febre do desenvolvimento se espalhando pelo Brasil.





A revista americana "The New Yorker" publicou em seu site, nesta quarta-feira, uma critica assinada pelo escritor e correspondente internacional Jon Lee Anderson descrevendo um panorama político-ambiental que pede que os ativistas estejam "preparados para uma amarga batalha".

O autor cita acontecimentos nos meses de maio e junho deste ano para afirmar que, "com a febre do desenvolvimento se espalhando pelo Brasil, parece que está aberta a temporada de caça não só da Floresta Amazônica mas também das pessoas que tentam protegê-la".

Entre os episódios recentes destacados por Anderson está a aprovação do novo Código Florestal na Câmara dos Deputados em 24 de maio. O jornalista ressaltou que a mera expectativa da nova lei gerou um aumento de 500% nos incêndios florestais e desmatamento em março e abril, os meses de debate que antecederam a votação.

Ele cita as preocupações do industrialista Israel Klabin, presidente da Fundação Brasileira para o Desenvolvimento Sustentável, a respeito do "impacto tremendo" que a reforma do texto pode provocar, como o aumento da emissão de gás carbônico de 17 bilhões para 28 bilhões de toneladas ao ano.

O texto criticou o governo da presidente Dilma Rousseff, descrita como "uma tecnocrata pró-desenvolvimento", por aprovar, uma semana depois, a construção da usina hidrelétrica de Belo Monte no rio Xingu, que vai inundar "cerca de 120 mil acres [48 mil hectares] de floresta amazônica, incluindo parte da terra tradicional dos índios Kayapós".

MORTES

Anderson também comentou a coincidência de a aprovação do texto na Câmara ter acontecido no mesmo dia que o casal de extrativistas José Claudio Ribeiro da Silva e Maria do Espírito Santo foi executado em Nova Ipixuna (PA). "Quando um parlamentar anunciou a notícia dos assassinatos no Congresso e pediu uma investigação, uma vaia surgiu da bancada de ruralistas apoiada pelo agronegócio", escreveu o repórter.

Ele listou as outras três mortes no Pará e em Rondônia nas duas semanas seguintes e citou fontes especializadas que acompanham as investigações dos crimes para mostrar como, mesmo com a mobilização do governo federal para proteger outras 125 pessoas ameaçadas de morte na região, ainda não há garantias reais de que os assassinos não sairão impunes.

"O Pará é conhecido no Brasil como o 'Estado sem lei' por sua falta de resposta judicial aos crimes. De centenas de homicídios registrados no Estado, poucos suspeitos já foram presos", disse Anderson, que lembrou um dos casos mais notórios como um dos poucos a ser encerrado com uma condenação, o da freira e ativista americana Dorothy Stang, assassinada em 2005.

Para o repórter da "New Yorker", o cenário chega a ser pior que o das favelas dominadas por traficantes de drogas.

Ele reproduziu o relato de José Junior, um dos fundadores da ONG carioca AfroReggae, do velório de Eremildo Pereira dos Santos, morto também em Nova Ipixuna. "Junior, que cresceu em uma das favelas mais duras do Rio, escreveu: 'Nunca em minha vida fui a um velório como esse, onde os presentes tinham medo demais de chorar', contou."

Carta Aberta em Agradecimento a todos os Companheiros do PCDOB do Estado do Amazonas, na pessoa de Eron Bezerra. E aos Companheiros do PCDOB de Rondônia,na pessoa do Senhor Pantera. E a todos os companheiros(as), que de uma forma ou de outra,são solidárias a nossa causa. E que tão generosamente nos apoiaram nesse momento de dor,pelo passamento de ADELINO RAMOS (IN MEMORIAN).






Nós do Comitê Solidário as Vitimas Camponesas- Brasil


Vimos através dessa carta agradecer de público ,a todos os Companheiros(as),que num momento de dor extrema pelo passamento de ADELINO RAMOS(DINHO), Líder do
Movimento m,c,c MOVIMENTO CAMPONES CORUMBIARA AMAZONAS BRASIL, assassinado cruel e friamente enquanto vendia ,hortaliças e frutos da terra que ele tanto defendeu,e pela qual foi ceifada sua vida sem ter a chanse de se defender.
Morreu como só os heróis morrem,com honra e galhardia,lutando pela igualdade de seus companheiros de infortúnio que o que mais querem é terem o direito de semear para colher os produtos que vão saciar a fome dos seus próprios algozes.
Mas como a ganância grita mais alto,os frios Capitalistas crias de um sistema cada dia mais desumano,visam sómente o dinheiro,arrancando sem piedade o bem mais precioso que um homem tem (A VIDA).
Deixando para traz em prantos uma família despedaçada pela dor,filhas pequenas que á noite chamam pelo pai e dormem entre soluços sabendo que o pai que tanto amavam não mais o verão.


Aproveito esse momento ,de dor e tristeza a convida-los para continuarem a luta do MÁRTIR : ADELINO RAMOS (DINHO),para que sua morte não tenha sido em vão.
Não devemos temer aqueles que podem matar o corpo mas não podem matar a alma.


COMITÊ NACIONAL SOLIDÁRIO AS VITIMAS DO MASSACRE DE CORUMBIARA E AO m,c,c



São Paulo 16 de junho de 2011



HASTA LA VICTORIA SIEMPRE!!!

quarta-feira, 15 de junho de 2011

O Código Florestal e a violência no campo



Em média, por ano, 2.709 famílias são expulsas de suas terras e 63 pessoas são assassinadas no campo brasileiro na luta por um pedaço de terra A violência é parte essencial da história dos pobres da terra: índios, negros, camponeses. Ela, por sua vez, é alimentada pela impunidade – fenômeno sócio-político conscientemente assimilado pela nossa instituição judiciária.
15/06/2011
Por Dom Tomás Balduíno

No mês de maio deste ano, desabaram sobre a sociedade brasileira cenas de uma dupla violência: a aprovação do Código Florestal pela maioria da Câmara dos Deputados, tratando do desmatamento, e os assassinatos de líderes camponeses que se opunham ao desmatamento na Amazônia.

A ninguém escapa o protagonismo da bancada ruralista pressionando a votação deste Código por meio de mobilizações de pessoal contratado em Brasília e através de sessões apaixonadas na Câmara dos deputados. Por outro lado, as investigações dos assassinatos vão detectando poderosos ruralistas por trás destas e de outras mortes de camponeses.

O Código tem, de ponta a ponta, um objetivo maior inegável: ampliar o desmatamento em vista do aumento da produção. Um estudo técnico sobre as mudanças aprovadas em Brasília assinala que elas permitem o desmatamento imediato de 710 mil km², mais que o dobro do território do Estado de Goiás.

É impressionante a fúria com que este instrumento legal avança sobre as áreas de preservação dos mananciais destinadas a criar uma esponja à beira dos rios, defendendo-os das enxurradas e impedindo o seu assoreamento. A legislação anterior, embora tímida, exigia uma faixa de 30 metros de cada lado. A atual legislação a reduz para ridículos 10 metros.

A reserva legal, religiosamente mantida pelas pequenas e médias propriedades, é o que ainda hoje dá uma visível cobertura de vegetação nativa em nossos diversos biomas, em razão do grande número de médios e pequenos estabelecimentos. Isso também desaparece. Aliás, o Código não cuida da agricultura familiar que é responsável por cerca de 70% dos alimentos que chegam à mesa do brasileiro.

O Código se ajusta muito mais às áreas desmatadas a perder de vista e destinadas a gigantescas monoculturas. A grande expectativa com relação a esse Código é que se consolidasse a proposta já transformada em lei, de recuperação das áreas devastadas. Para nossa decepção, deixa-as como estão. Nós, do Centro Oeste, estávamos sonhando com a recuperação das áreas de preservação permanente do rio Araguaia, nosso Pantanal, sobretudo das suas nascentes, desmatadas em 44,5%. O sonho virou pesadelo. Com efeito, a nova Lei deixa tudo como está.

Até hoje, a grande queixa com relação aos desmatamentos no Cerrado e na Amazônia se prendia à falta de fiscalização. Entretanto, é justo reconhecer que muito esforço se fez buscando garantir a lei. Por exemplo, a varredura das áreas via satélite. Infelizmente, tornou-se uma prática nefasta na Amazônia os proprietários aguardarem dias nublados para procederem à queima das árvores. Ao se abrir o céu, o desmatamento já é fato consumado.

Em um dos Fóruns do Cerrado foram ouvidos depoimentos de camponeses denunciando outro tipo de crime: o desmatamento rápido à noite de importantes áreas de Cerrado com o uso de máquinas possantes, sem o risco de fiscalização.

Agora, com a flexibilização do novo Código, não há mais necessidade de fiscalização. Mais ainda, alguns proprietários, sabendo com antecedência das permissividades e anistias a serem introduzidas por este código nas áreas devastadas ilegalmente, partiram logo para a criação de fatos consumados derrubando a cobertura verde. O título do brilhante artigo de Washignton Novais em “O Popular”, de 02 de junho, na página 7, é o seguinte: “Código de florestas ou sem?”. A nova lei foi apelidada também de “Código da desertificação”.

País do latifúndio

O que estaria por trás de tanta devastação e de tanta lenha acumulada? É o seguinte: apesar da apregoada excelência dos avanços técnicos e econômicos do agronegócio brasileiro, os dados da FAO (Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação), referentes ao ano de 2009, em relação à produção por hectare, puseram a nu o fato, por exemplo, de que o Brasil está na sofrível 37ª posição na produção de arroz, atrás de países como El Salvador, Peru, Somália e Ruanda.

No milho, ocupamos a 64ª posição. No trigo, um vexame, na 72ª posição. Na soja, o badalado carro-chefe do agronegócio brasileiro um modesto 9º lugar, atrás do Egito, da Turquia e da Guatemala. Com relação ao boi, motivo de tanta soberba, de ostentação, de riqueza nas festas agro-pecuárias, ocupamos a humilde 48ª posição, atrás do Chile, do Uruguai e do Paraguai. (Confiram mais dados no substancioso artigo de Gerson Teixeira, Brasília, 19.05.11, “As Mudanças no Código Florestal: Alternativa para a ineficiência produtivista do agronegócio”).

A produção agropecuária sofre pelos altos gastos devido ao viciado uso do fertilizante e do agrotóxico. Os dados da FAO atestam que, a partir de 2007, nos transformamos no principal país importador de agrotóxico do mundo. Como essa tecnologia, em geral, tem se revelado ainda ineficaz na sonhada superprodução, pensou-se logo na liberação de áreas cada vez maiores de terras destinadas à produção. Se não vencemos em tecnologia, somos imbatíveis no latifúndio. E, para a tranqüilidade deste avanço predatório sobre o que resta de cobertura verde, buscou-se um instrumento garantido: justamente esse tal Código Florestal.

Apesar da complexidade deste tema, de pesadas conseqüências para o futuro da nossa terra, da nossa biodiversidade, dos recursos hídricos, da vida sustentável do solo, causou muita estranheza o fato destes legisladores não terem convidado em momento algum a nossa SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência) a ABC, (Academia Brasileira de Ciências) o FBM (Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas) para os debates. Pois bem, aí está o desastroso resultado: saiu um código elaborado por ruralistas a serviço de seus colegas ruralistas. Restou-nos, como disse Paulo Afonso Lemos, “um código que não é claro, não é preciso, não é seguro”.

Mortes no campo

Em dezembro de 1988 caiu Chico Mendes, tal como uma pujante seringueira cortada pela raiz. No início de 2005, caiu a irmã Dorothy Stang, atirada pelas costas com a sua Bíblia na mão, sua pomba mensageira da Paz. Na manhã do dia 24 de maio deste ano, derrubaram o casal Maria do Espírito Santo da Silva e José Cláudio Ribeiro da Silva, cuja orelha foi cortada pelos pistoleiros como prova do serviço feito. Logo em seguida, foi assassinado Eremilton Pereira, na mesma área. Supõe-se que tenha sido queima de arquivo por estar presente na hora do primeiro crime. Foi morto também Adelino Ramos, em Rondônia, um sobrevivente de Corumbiara.

Há uma lógica perversa por trás destas e de outras mortes, desde a morte de Zumbi dos Palmares e de Antônio Conselheiro de Canudos, até a morte de José Cláudio da Silva, de Nova Ipixuna. Esta lógica consiste na eliminação seletiva de lideranças vistas como obstáculo aos grandes projetos do agronegócio. A senadora Kátia Abreu, arvorando-se em advogada dos criminosos, declarou no mesmo dia 24 que estas mortes se devem à invasão de terras. A senadora ou é desinformada ou foi leviana na sua fala. Ao contrário, eles são legítimos assentados do Incra. Mais ainda, são dois heróicos pioneiros da criação da reserva extrativista do Assentamento Praia Alta Piranheira, em 1997.

Fazendo coro conivente com a parlamentar ruralista, alguns deputados vaiaram o deputado José Sarney Filho quando este leu no plenário da Câmara a chocante notícia das mortes destes camponeses. A nota da Comissão da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) para o serviço da Caridade, da Justiça e da Paz, faz justiça aos assassinados, fornecendo-nos uma preciosidade, a saber, a declaração de José Cláudio, em um plenário de 400 pessoas reunidas para estudarem a qualidade de vida do planeta:

“Vivo da floresta, protejo ela de todo jeito, por isso vivo com a bala na cabeça a qualquer hora porque vou pra cima, eu denuncio. Quando vejo uma árvore em cima do caminhão indo pra serraria me dá uma dor. É como o cortejo fúnebre levando o ente mais querido que você tem, porque isso é vida pra mim que vivo na floresta e pra vocês também que vivem nos centros urbanos”.

Em média, por ano, 2.709 famílias são expulsas de suas terras pelo poder privado e 63 pessoas são assassinadas no campo brasileiro na luta por um pedaço de terra! 13.815 famílias são despejadas pelo Poder Judiciário e pelo Poder Executivo por meio de suas polícias! 422 pessoas são presas por lutar pela terra! 765 conflitos acontecem diretamente relacionados à luta pela terra! 92.290 famílias são envolvidas em conflitos por terra!

Carlos Walter Porto Gonçalves, professor do programa de pós-graduação da Universidade Federal Fluminense (UFF), ao analisar anualmente os Cadernos de Conflitos no Campo da CPT, introduziu a preocupação com a geografia dos conflitos. Comparando e ponderando o número de conflitos com o número de habitantes na zona rural de cada estado, trouxe à tona a importante constatação de que o aumento da violência acontece em função do desenvolvimento do agronegócio.

A violência não acontece, pois, só nas áreas do atraso, acontece, sobretudo, nos centros mais progressistas do país. “A violência”, diz ele, “é mais intensa nos estados onde a dinâmica sociogeográfica está fortemente marcada pela influência da expansão dos modernos latifúndios (autodenominados agronegócio). É no Centro oeste e no Norte que as últimas fronteiras agrícolas são conquistadas às custas do sofrimento e do sangue dos trabalhadores e dos que os apóiam” ( Caderno da CPT, 2005, pág. 185).

Diz ele: “O agronegócio necessita permanentemente incorporar novas terras e para isso lança mão de todos os mecanismos de que dispõe: os de mercado, os políticos e a violência”. A violência é parte essencial da história dos pobres da terra: índios, negros, camponeses. Ela, por sua vez, é alimentada pela impunidade, fenômeno sócio-político conscientemente assimilado pela nossa instituição judiciária.

A CPT tem a famosa tabela dos assassinatos e julgamentos de 1985 a 2011:

Assassinatos: 1580.
Casos julgados: 91
Executores condenados: 73
Executores absolvidos: 51
Mandantes absolvidos: 7
Mandantes condenados: 21
Mandantes hoje presos: 1

Conclusão: de 1580 assassinados, só um mandante condenado se encontra na prisão! Essa é a medida da impunidade!

Encerrando esta análise da dupla violência do agronegócio, consubstanciada na violência contra a terra e na violência contra a pessoa humana, não posso deixar de destacar a contrapartida deste modelo, a saber, a nova busca do “cuidado” como lição que nos é dada pelos povos tradicionais. As comunidades indígenas vivem isto como algo que está profundamente entranhado na alma, leva-as a se entrosarem harmoniosamente com a Mãe Terra, a se entrosarem pessoas com pessoas, com a memória dos antepassados e com o próprio Deus.

A Terra, como se diz, está doente e ameaçada. Hoje, felizmente, vai se desenvolvendo a cultura ecológica que consiste no cuidado não só com o ser humano, mas com o planeta inteiro. O planeta não cuidado, como ensina Leonardo Boff, pode entrar num processo de enfermidade, diminuir a biosfera com conseqüências de que milhares vão desaparecer, não excluída a própria espécie humana.
Uma outra luz nos vem destes povos e de suas culturas. É o “bem viver”. É uma vida voltada para os valores humanos e espirituais e não presa às coisas, às riquezas, ao consumismo.

Oeste do Pará: exploração ilegal de madeira torna o clima tenso na região




Assassinato de trabalhador rural, ameaça de morte e “empate” marcam a disputa entre madeireiros e a população local em Juruti

Os grandes projetos e as tragédias que a instalação deles acarreta no interior da Amazônia, têm ajudado para colocar na pauta nacional e internacional municípios como Anapu, Juruti, Nova Olinda, Jacareacanga e Castelo dos Sonhos, localizados no oeste do Pará.

A disputa pelo território e as riquezas existentes possuem um xadrez nítido: grandes corporações e madeireiros versus comunidades consideradas tradicionais. A execução de Dorothy Stang em fevereiro de 2005 alertou sobre a delicada situação desta parte da Amazônia.

A região tem abrigado a tensão entre madeireiros e as populações locais desde o início da década de 2000. Além da execução da missionária estadunidense, foram assassinados os dirigentes sindicais Alfeu Federicci (Dema) e Bartolomeu dos Santos (Brasília). Tem-se ainda o registro de uma chacina.

Além de cidades como Anapu e Nova Olinda, a situação de conflito tem se acirrado no município de Juruti. É nele que a mega corporação estadunidense do setor de alumínio Alcoa, explora uma mina de bauxita, matéria prima para a produção de alumínio.

Além da tensão entre a Alcoa e os quilombolas que lá residem, existem situações de risco com a exploração ilegal de madeira. Em janeiro já ocorreu uma execução de trabalhador rural. O dirigente sindical Gerdeonor Pereira dos Santos denuncia novas ameaças de morte.

Na comunidade de Galiléia trabalhadores realizaram um “empate”. A prática começou no Acre, como forma dos seringueiros enfrentarem a exploração ilegal de madeira. Na comunidade de Galiléia, em Juruti Velho, moradores retiveram um caminhão com toras de madeira. O local abriga o Projeto de Assentamento Extrativista (PAE).

A Associação das Comunidades de Juruti Velho (Arcojuve) já encaminhou documento para a superintendência regional do Incra de Santarém, Ministério Público Estadual e Polícia Federal informando sobre a situação.

O futuro para a região não parece muito promissor. Ela integra um dos eixos de integração do governo federal. Há projetos de construção de um conjunto de hidrelétricas no rio Tapajós, projeto de uma hidrovia e o asfaltamento da BR 163. Sem falar na exploração de outras áreas pra a mineração. E a concessão de exploração de reservas florestas para a iniciativa privada.

O cenário sinaliza que a região pode experimentar o que o sudeste do estado passou na década de 1980, o que a imortalizou como a mais violenta na disputa pela terra do país.

terça-feira, 14 de junho de 2011

Homem que teria denunciado extração ilegal de madeira é assassinado no Pará





RIO - A Comissão Pastoral da Terra (CPT) informou nesta terça-feira que, mais uma vez, o Pará foi palco da morte de um trabalhador rural. Obede Loyla Souza foi assassinado próximo à sua residência no Acampamento Esperança, no município de Pacajá.

Segundo a CPT, Obede teria denunciado e discutido com um grupo que extraía madeira ilegalmente na região.

No mês passado, um casal de extrativistas foi morto em uma emboscada, também no Pará. No início de junho, um trabalhador rural foi morto em Eldorado dos Carajás. De acordo com dados da Pastoral da Terra, desde 1996, foram 212 assassinatos em conflitos por terras no Pará.

Eu sou a marca da Fera, Da luta de Adelino Ramos





Por: Francisco Pantera

São mais de cinco séculos
Que a terra é monopólio em nossa nação
Do “descobrimento” até nossos dias
Uma bandeira do povo que não aparece solução
Quem perde é o país
Sem resolver essa questão.

O problema da Reforma Agrária no Brasil
É uma vergonha social
Na Europa ela foi realizada
Logo após a Revolução Industrial
Nos Estados Unidos da América
Após sua independência nacional.

No mundo chamado “moderno”
No mundo chamado “civilizado”
Nem um país classificado desenvolvido
Ergueu-se sem uma Reforma Agrária ter realizado
Falar de Reforma Agrária atualmente
É coisa de país muito atrasado.

A formação sócio-econômica de nosso país
É cheia de deformação, atrasada e elitista.
Foram quase quatro séculos de escravidão colonial
A nossa “independência” (tardia) veio acompanhada com o ideário monarquista
E a história da República brasileira
Manteve a grande propriedade da terra intocável, sempre a serviço do latifúndio monopolista.

A luta pela terra no Brasil
Nas páginas da história está registrado
Vem dos levantes indígenas, dos quilombos, da farroupilha...
Da cabanagem, do conselheiro, do contestado...
Do cangaço, das ligas camponesas, da guerrilha do Araguaia...
Do MST, do MCC, da liga campesina... Movimentos herdeiros da luta do passado.

Os massacres de Eldorado dos Carajás e Corumbiara
Teve a complacência do estado a serviço do latifúndio covarde
Onde camponeses foram cruelmente assassinados
Seus verdadeiros responsáveis absolvidos, o judiciário legitimou a crueldade.
Numa demonstração clara pra o mundo
Que o Brasil é o paraíso da impunidade.

Não cabe mais no século vinte e um
Ficar impunes criminosos de lideranças camponesas e ambientais
Recentemente deram suas vidas: Chico Mendes, Paulo Fonteles...
Irmã Doroth, José Cláudio, Maria do Espírito Santo, Irmãos Canutos e outras lideranças dos movimentos sociais.
Quem defende essa bandeira não pode se intimidar
Na luta contra os degradadores da Amazônia ladrões de nossos recursos naturais.

Está acontecendo no Brasil
Uma guerra civil não declarada
Dezenas de lideranças camponesas e ambientais
Estão com suas vidas marcadas pra serem assassinadas
É hora de reagir com o povo da rua
Porque mais vidas não podem ser sacrificadas.

Após o massacre da fazenda Santa Helina
Dinho liderou a criação do movimento camponês Corumbiara (MCC)
Movimento que foi responsável
Em Rondônia, por vários assentamentos acontecer.
Muitas famílias hoje têm um pedaço de terra
Porque a luta do movimento fez prevalecer.

Adelino Ramos, apesar de pouco estudo.
Tinha um profundo conhecimento do mapa agrário do nosso Estado
Estava liderando um assentamento florestal
Que pelo governo do amazonas tinha sido convidado
Por denunciar o roubo ilegal de madeira estava ameaçado
E vendendo o fruto do seu trabalho foi barbaramente assassinado.

Dinho foi um guerreiro patriota.
Que da luta não fugiu
O seu exemplo de dedicação
Terá continuidade por milhões nesse grande Brasil
Pela construção de um país socialmente justo
Livre da ganância do capitalismo hostil.

A luta dos comunistas pela reforma agrária
É algo que não nos separa
São quase noventa anos de existência
O socialismo vive! O tempo não para!
Adelino erguia essa bandeira
Assim como erguia a bandeira do movimento camponês Corumbiara.

*A aqui dedico à canção de Atahualpa Yupanqui.
Em memória de Adelino Ramos, a sua família e
aos defensores da Reforma Agrária e todos
os homens e mulheres que defendem a nossa
Amazônia com desenvolvimento econômico
com responsabilidade ambiental e justiça social.
Traduzida para o Português.

Eu tenho tantos irmãos

Eu tenho tantos irmãos
que não os posso contar
No vale, nas montanhas
nos pampas e no mar.

Cada qual com seus trabalhos
com seus sonhos cada qual.
Com a esperança à frente
com as memórias atrás.

Eu tenho tantos irmãos
que não os posso contar

Gente de mão quente
por isso da amizade,
com uma oração para rezar
Com um choro para chorar.

Com um horizonte aberto
que está sempre mais além.
E esta força para buscá-lo
com determinação e vontade.

Quando parece mais perto
é quando está mais longe.
Eu tenho tantos irmãos
que não os posso contar

E assim caminhamos
curtidos de solidão.
Nos perdemos pelo mundo
E voltamos a nos encontrar.

E assim nós reconhecemos
pelo olhar distante,
pela canção que mordemos
semente da imensidão.

E assim continuamos andando
curtidos de solidão.
E em nós os nossos mortos
para que ninguém fique para trás.

Eu tenho tantos irmãos
que não os posso contar
e uma linda namorada
chamada Liberdade!

Francisco Batista Pantera , Professor , Jornalista , Poeta e dirigente do PCdoB.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Violência na Amazônia: falta coragem de enfrentar o problema

Violência na Amazônia: falta coragem de enfrentar o problema



O governo federal anunciou ações para evitar novas tragédias na Amazônia, como os assassinatos das lideranças rurais Maria e Zé Cláudio, no Pará, e Adelino Ramos, em Rondônia. Sem medo de estar enganado, e ainda sem o detalhamento exato das ações, tenho a certeza de que – mais um vez – isso não vai dar certo. Intensificar a fiscalização e o controle (como informado ontem) são importantes, mas não terão efeito nenhum se o próprio Estado continuar como cúmplice – por ação ou inação – dessa violência.

Para começar, para que formar uma comissão interministerial para analisar o assunto? Pelo amor de Deus! Qualquer sagui bêbado da floresta sabe a razão de se morrer a bala na região de fronteira agrícola. A violência na Amazônia não é uma doença, mas sim um sintoma. Ou seja, a fiscalização é uma parte importante – mas ameniza, não resolve. É como pegar malária e ficar tratando as dores pelo corpo com aspirina. No caso, estar sofrendo de infecção generalizada e receber um tylenol para aguentar as pontas. Ao mesmo tempo, proteger os ameaçados é importantíssimo e fundamental, mas trata sintomas e não o coração da história.

As mortes no campo são resultado de um modelo de desenvolvimento concentrador, excludente, que privilegia o grande produtor e a monocultura, em decorrência ao pequeno e o médio. Que explora mão-de-obra de uma forma não-contratual, chegando ao limite da escravidão contemporânea, a fim de facilitar a concorrência em cadeias produtivas cada vez mais globalizadas. Que fomenta a grilagem de terras e a especulação fundiária, até porque tem muita gente graúda e de sangue azul que se beneficia com as terras esquentadas e prontas para o uso. Que muito antes da época dos verde-oliva já considerava a região como um “imenso deserto verde” a ser conquistado – como se o pessoal que lá morasse e de lá dependesse fossem meros fantasmas. Que está pouco se importando com o respeito às leis ambientais, porque o país tem que crescer rápido, passando por cima do que for. Tudo com a nossa anuência, uma vez que consumimos os produtos de lá alegres e felizes.

Ou seja, causaria mais impacto de curto prazo se o governo aplicasse mais regras para o financiamento da cadeia de produção e transformação agropecuária na Amazônia, com mais condicionantes duras, e revisse seus grandes projetos de produção de energia elétrica – eles próprios indutores de problemas sociais graves nas regiões em que são instalados.

Agora, como o governo planeja mudar radicalmente tudo isso se não consegue nem orientar sua bancada a votar contra as mudanças no Código Florestal e a anistia aos desmatadores? Ou não consegue influenciar na aprovação da proposta de emenda constitucional 438/2001, que prevê o confisco de terras flagradas com escravos e que está parada há sete anos na Câmara por ação da bancada ruralista?

A verdade é que a violência na Amazônia não é uma questão do bem contra o mal para ficar sendo tratada como conto de fadas. É uma questão econômica. Tem gente que ganha muito dinheiro e, se a roda começar a girar para o outro lado, vai perder dindim. Para quebrar esse sistema, é necessário reinventar muitas práticas e sacudir o modelo. O governo federal não irá fazer isso de forma profunda nem que vaca tussa, pois é em cima dos representantes políticos das pessoas que ganham diretamente com isso que este e todos os governos que vieram antes estão assentados. Não estou pedindo aqui uma revolução socialista (alô, comentaristas deste blog, como diria Nelson Rodrigues: Cresçam!) Estou falando de regras do jogo e do respeito a elas – o que é bem capitalista, diga-se de passagem.

E a História vai se repetindo como tragédia. Na década de 80 e 90, fazendeiros resolveram acabar com o Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Rio Maria, no Sul do Pará, um dos mais atuantes na região, e assassinaram uma série de lideranças. De acordo com frei Henri des Roziers, então advogado da Comissão Pastoral da Terra em Xinguara (PA), foi assassinado o primeiro presidente em 1985. “Depois, foi a vez de um dos líderes em 90 e seus dois filhos, que eram do sindicato. Foi assassinado, em 90, um diretor. E, em 91, mataram seu sucessor dele, além de outros que foram baleados. Passei da região do Bico-do-Papagaio para aqui a fim de ajudar na apuração desses crimes.” Os casos foram a julgamentos, houve condenações, mas os pistoleiros fugiram. Henri, foi, ele mesmo, um dos marcados para morrer no Pará e viveu sob escolta policial 24 horas por dia.

O Massacre de Eldorado dos Carajás, no Sul do Pará, que matou 19 sem-terra e deixou mais de 60 feridos após uma ação violenta da Polícia Militar para desbloquear a rodovia PA-150, completou 15 anos no dia 17 de abril. A rodovia estava ocupada por uma marcha do MST que se dirigia à Marabá para exigir a desapropriação de uma fazenda, área improdutiva que hoje abriga o assentamento 17 de Abril. Os responsáveis políticos pelo massacre, o governador Almir Gabriel e o secretário de Segurança Pública, Paulo Câmara, não foram nem indiciados. Quantos aos executores, há um longo caminho até que a Justiça seja feita.

Em fevereiro de 2005, a missionária Dorothy Stang foi assassinada com seis tiros – um deles na nuca – aos 73 anos. Ela foi alvejada numa estrada vicinal de Anapu (PA). Ligada à Comissão Pastoral da Terra, Dorothy fazia parte da Congregação de Notre Dame de Namur, da Igreja Católica. Naturalizada brasileira, atuava no país desde 1966 e defendia os Programas de Desenvolvimento Sustentável como modelo de reforma agrária na Amazônia. Dois dos fazendeiros acusados de serem o mandante chegaram a ser julgados e condenados, mas um está recorrendo em liberdade.

Você já deve ter ouvido falar de Chico Mendes, Dorothy Stang, os 19 de Eldorado dos Carajás e agora de Zé Cláudio e Maria. Mas e de Pedro Alcântara de Souza, um dos líderes da Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar no Pará ,que foi assassinado com cinco tiros na cabeça em Redenção, Sul do Estado (67 mil pessoas, 162 mil cabeças de gado, quase 30% de adultos analfabetos, cerca de 40% de pobres) no ano passado? Ex-vereador, ele era um dos marcados para morrer devido à sua militância pelo direito das populações do campo e foi morto quando andava de bicicleta com a esposa por dois homens em uma motocicleta. A polícia, na época, afirmou que ele pode ter sido executado a mando de fazendeiros da região insatisfeitos.

Praticamente toda a semana, um trabalhador rural, indígena, ribeirinho, quilombola, camponês é morto na Amazônia. Alguns são mais conhecidos e ganham mídia nacional e internacional, mas a esmagadora maioria passa como anônimos e são velados apenas por seus companheiros. Além da importância de Maria e Zé Cláudio como lideranças, a morte deles ocorreu no dia da votação do novo Código Florestal na Câmara dos Deputados, o que contribuiu em dar visibilidade ao crime. E aqueles que morrem em dias de jogos da Copa do Mundo em que não há ninguém prestando atenção?

Na prática, com louváveis exceções como a de juízes com coragem de condenar escravagistas ou de procuradores que não têm dado trégua a quem mata e desmata, a Justiça tem servido para proteger o direito de alguns mais ricos em detrimento dos que nada têm. Mudanças positivas têm acontecido, mas muito pouco diante do notório fracasso até o presente momento. A se confirmar o crime de mando de mais essas mortes na Amazônia, será mais um tento marcado pela barbárie na disputa com a civilização na região.

Há um ano, a CPT entregou ao Ministro da Justiça a relação de 1.546 trabalhadores assassinados em 1.162 ocorrências de conflitos no campo nos últimos 25 anos, de 1985 a 2009. Destas, apenas 88 foram a julgamento, tendo sido condenados somente 69 executores e 20 mandantes. Dos mandantes condenados, dois estavam no xilindró, por coincidência os dois que encomendaram a morte de Dorothy Stang: os fazendeiros Vitalmiro Bastos de Moura e Reginaldo Pereira Galvão. Este último, contudo, recebeu da Justiça o direito de recorrer em liberdade.

Não foi o general De Gaulle que disse a famosa frase, mas ela é perfeita: o Brasil não é um país sério. Recebo semanalmente notícias do interior dizendo que alguém foi assassinado por defender um modelo de produção diferente. Se você não respira fundo e tenta reiniciar a CPU no final de cada dia, corre o risco de entrar em uma espiral de banalização de violência. O horror de ontem passa a ser nada diante da bizarrice de hoje, retroalimentado pela impunidade. Afinal, há mais chances de eu ser atingido na rua por um meteoro em chamas do que o Brasil garantir que os seus violadores de direitos humanos sejam sistematicamente responsabilizados e punidos.

Vamos, faça uma experiência: pegue os jornais da época de todos esses assassinatos. Pode ser apenas os dos mais famosos. Verá que é só trocar o nome dos mortos, do município (às vezes, nem isso) e onde foi a emboscada para serem a mesma matéria. As mesmas desculpas do governo, os mesmos planos de ação parecidos, as mesmas reclamações da Comissão Pastoral da Terra, os mesmos grupos sendo criados para debater e encontrar soluções. Jornalistas preguiçosos que não têm criatividade para escrever um texto diferente? Desta vez, não. O que me leva a crer que a banda podre do agronegócio nacional (e internacional), além de governos federal e estaduais, bem poderiam também serem processados por repetidos plágios da realidade.

domingo, 12 de junho de 2011

Violência no campo: João Pedro repudia assassinatos e exige providências

Violência no campo: João Pedro repudia assassinatos e exige providências
Leia a transcrição do discurso:
A sociedade brasileira vem acompanhando o debate sobre o Código Florestal. A Câmara acaba de aprová-lo. Está chegando um debate importante, que ganhou relevância. Veja que, além da responsabilidade do Congresso, da sociedade, nós temos que conviver, Senador Pedro Taques, com a opinião internacional sobre o fazer, o elaborar o Código Florestal.
É nesse contexto do debate sobre floresta, sobre o Código -- e não poderia ser diferente -- que devemos repudiar os assassinatos e exigir providências das instituições competentes -- prender, impedir outras lideranças -- para que homens simples, mulheres simples lá da Amazônia possam viver com dignidade, possam ser protegidos dos criminosos que atacam de forma covarde, Srª Presidenta.
Eles fazem e dão a vida discutindo a floresta, defendendo a floresta, fazendo da forma mais dramática o debate sobre a importância de preservarmos a Floresta Amazônica, esse território que é um dos poucos no mundo

LUTAR POR JUSTIÇA E LIBERDADE!

Acordo prevê proteção para ameaçados de morte no AM





Deste total, 11 atuam no movimento agrário no município de Lábrea, a 702 quilômetros ao sudoeste de Manaus, onde morava Adelino Ramos, assassinado em maio.

Manaus - Órgãos estaduais da área de segurança, Ministério Público do Estado (MP-AM) e a Secretaria de Estado de Justiça e Direitos Humanos (Sejus) assinaram, ontem, um acordo para garantir a proteção de lideranças ligadas ao movimento de reforma agrária ameaçadas de morte no Amazonas.

Segundo dados da Comissão Pastoral da Terra do Amazonas (CPT-AM), o Estado possui 30 pessoas ameaçadas de morte por defenderem causas ambientais em áreas de conflito agrário. Deste total, 11 atuam no movimento agrário no município de Lábrea, a 702 quilômetros ao sudoeste de Manaus, onde morava o líder do Movimento Camponês Corumbiara (MCC), Adelino Ramos, assassinado no final do mês passado.

O acordo foi anunciado, ontem, pelo governador Omar Aziz e o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, após reunião na sede do Governo do Amazonas. Entre as principais ações definidas pelos governos estadual e federal estão a atuação de forças federais de segurança no Sul do Amazonas e a elaboração de um plano preventivo para evitar conflitos agrários nessa região.

A Polícia Civil, o Tribunal de Justiça do Amazonas e os Ministérios Públicos Federal (MPF) e Estadual também vão adotar medidas conjuntas para acelerar a conclusão de inquéritos policiais relativos a homicídios. A partir deste sábado, uma força tarefa formada por 70 homens da Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal e Força Nacional de Segurança começam a atuar em Lábrea, no extremo sul do Estado.

Todas estas ações no Amazonas fazem parte da operação ‘Defesa da Vida’, lançada no último dia 2 em Brasília, pela presidenta Dilma Rousseff, para combater mortes no campo nos Estados do Pará, Rondônia e Amazonas. A reunião em Manaus contou com a presença de representantes dos poderes executivo, legislativo e judiciário, incluindo secretários de Estado, órgãos federais, desembargadores, Ministério Público, Conselho Nacional de Justiça, Forças Armadas, Polícias Federal, Militar e Civil.

No Amazonas, o principal alvo da operação será o combate ao comércio ilegal de madeira, identificado pelo governador Omar Aziz como a principal ameaça de conflitos na área. “O Amazonas não tem tradição em crimes de pistolagem, o que vem nos preocupando é o desmatamento ilegal, que não nos traz nenhum benefício e pode gerar conflitos”, disse Omar, ao ressaltar que a abertura de estradas para o transporte de madeira é seguido da ocupação irregular do solo, criando as condições de conflito. Omar Aziz lembrou que esta foi a motivação do assassinato do agricultor Adelino Ramos, no final de maio em Rondônia. Adelino era líder do Movimento Camponês Corumbiara, do Distrito de Vista Alegre do Abunã, em Rondônia, mas também atuava em movimentos contra exploradores ilegais de madeira no Sul do Amazonas.