sexta-feira, 24 de junho de 2011
1 MINISTÉRIO DO DESENVOLVIMENTO AGRÁRIO INSTITUTO NACIONAL DE COLONIZAÇÃO E REFORMA AGRÁRIA - INCRA SUPERINTENDÊNCIA REGIONAL DO AMAZONAS – SR 15 RELATÓRIO DE VIABILIDADE AMBIENTAL
Área:
Projeto de Assentamento Florestal (PAF) Curuquetê
Lábrea- AM
Eng. Agrônomo, Ronaldo Pereira Santos
Período de vistoria:
14 a 23 de Agosto de 2009.
MANAUS, OUTUBRO DE 2009
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SUMÁRIO
PARTE I.......................................................................................................................... 4
1. APRESENTAÇÃO E OBJETIVOS ....................................................................... 3
2. O PROJETO DE ASSENTAMENTO FLORESTAL............................................ 3
3. METODOLOGIA E FUNDAMENTAÇÃO..............................................................3
PARTE II ........................................................................................................................ 5
4. CARACTERIZAÇÃO DO MUNICÍPIO DE LÁBREA........................................ 4
4.1. Localização geográfica e divisão político-administrativa .................................... 4
4.2. Diagnóstico descritivo do meio físico. ................................................................ 5
4.3. Diagnóstico descritivo do meio sócio-econômico................................................ 8
PARTE III....................................................................................................................... 9
5. IDENTIFICAÇÃO DA ÁREA...............................................................................15
5.1.Critérios para seleção e delimitação da área..........................................................15
5.2.Aspectos gerais...................................................................................................15
5.3. Localização, acesso, confrontantes e coordenadas geográficas ...........................16
5.4. Características físicas e edafo-climáticas ...........................................................18
5.4.1. Solos........................................................................................................18
5.4.2. Descrição e classificação do relevo .........................................................19
5.4.3. Recursos hídricos.....................................................................................21
5.5. Características bióticas .........................................................................................21
5.5.1.Vegetação.....................................................................................................21
5.5.2. Fauna...........................................................................................................24
6. USO ATUAL DA ÁREA........................................................................................25
7. ASPECTOS SOCIAIS............................................................................................25
8. CONSERVAÇÃO DOS RECURSOS NATURAIS.................................................26
8.1. Impactos socioambientais e mitigação.................................................................27
9. POTENCIAL PRODUTIVO .................................................................................29
10. MODELO DE EXPLORAÇÃO.............................................................................29
PARTE IV...........................................................................................................................31
11.CONSIDERAÇÕES E CONCLUSÕES......................................................................31
12. BIBLIOGRAFIA..........................................................................................................32
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PARTE I
1. APRESENTAÇÃO E OBJETIVOS
O presente documento é estudo preliminar necessário a criação de projeto oficial de
assentamento incluída nas ações de Reforma Agrária do Instituto Nacional de Colonização
e Reforma Agrária (INCRA) no Amazonas (SR-15). Ao mesmo tempo, é base para o
licenciamento ambiental do mesmo empreendimento. A demanda desta proposta se deu
pelo Movimento Camponês Curumbiara (MCC) para criação de assentamento na
modalidade Projeto de Assentamento Florestal (PAF), materializados nos expedientes da
Ouvidoria Agrária Nacional (Oficio/DOAMC/No 1269/2009; do FAX/AUD/DOAM/No
855/2009); do INCRA Brasília (Mem/No. 2005/2009-GAB; e
OFICIO/INCRA/DT/No.36/2009), além de alguns documentos sem número encaminhados
pelo MCC. Destes, originou-se o Planejamento de viagem feito pela Chefia da Divisão de
Obtenção.
Portanto, o objetivo deste documento é: (1) apresentar o diagnóstico agro-ambiental
da área proposta para criação Projeto de Assentamento Florestal (PAF); (2) apresentar o
diagnóstico preliminar1 da potencialidade de produção florestal; e (3) servir de
embasamento para o licenciamento ambiental do empreendimento junto ao Instituto de
Proteção Ambiental do Estado do Amazonas (IPAAM).
2. O PROJETO DE ASSENTAMENTO FLORESTAL
A Portaria INCRA no215/2006, define:
O Projeto de Assentamento Florestal - PAF é uma modalidade de
assentamento, voltada para o manejo de recursos florestais em áreas com
aptidão para a produção florestal familiar comunitária e sustentável,
especialmente aplicável à região norte (BRASIL, 2006)
A modalidade de assentamento florestal surgiu como necessidade de se incorporar
às políticas de Reforma Agrária do INCRA à nova configuração e realidade de exploração
de produtos florestais (madeireiro e não-madeireiro), sobretudo na região Norte. Lembrase,
neste contexto, que um dos grandes entraves para a real promoção do manejo florestal
na Amazônia é o acesso legal às terras – sejam os empreendimentos empresariais, sejam
atividades florestais por populações tradicionais. Também, lembra-se que o manejo
florestal no PAF é voltado para o modelo exploratório do tipo familiar e comunitário, mas
não significa que o mesmo não possa incorporar tecnologias mais adequadas à
produtividade e à eficiência.
Embora as outras modalidades de assentamento sustentáveis (Projeto de
Desenvolvimento Sustentável (PDS) e Projeto Agro-Extrativista (PAE) admitam o manejo
1 Um diagnóstico mais próximo da realidade produtiva e de viabilidade econômica deve considerar o
inventário e respectivo plano de manejo.
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florestal como uma das atividades, o objetivo destes não era, em essência, a produção
madeireira.
Interessante notar que a norma prioriza aqueles grupos com perfil ligado ao setor
florestal e não obrigam, necessariamente, que os beneficiários deste programa morem na
área. Ao mesmo tempo, faculta às comunidades locais, caso existam, o direito de
participarem ou não do projeto (Portaria INCRA no215/2006).
No Brasil há poucas experiências com PAF, sobretudo por ser uma modalidade
recente. Apenas o Acre e Rondônia possuem assentamentos com este modelo e, ainda
assim, estão em fase de adequação da metodologia e das respectivas realidades. O Incra do
Amazonas criou em 2008 o PAF Rio Içá no Alto Solimões. O mesmo está em fase de
contratação de plano de manejo florestal.
O Estado do Amazonas possui um quantitativo de terras públicas promissoras para
projetos como o PAF. Primeiro, há grande potencial florestal, com áreas já apontadas em
diagnósticos prévios prioritárias para o manejo florestal (como os índices técnicos
florestais do IBGE (2008). Ao mesmo tempo, o Estado tem buscado se inserir na cadeia
produtiva florestal com o enfoque mais sustentável (Pirani, 2007). Infelizmente, um dos
gargalos do setor é a regularização fundiária, uma vez que a grande parte das terras está
sob domínio da União e do Estado, o que acaba desestimulando aqueles que pretendem
atuar dentro das normas e, consequentemente, inviabiliza iniciativas promissoras.
3. METODOLOGIA E FUNDAMENTAÇÃO
O roteiro básico deste Relatório de Viabilidade Ambiental está no Manual de
Obtenção de Terras (INCRA, 2006); a Norma de Execução - INCRA No 69 de 2008, que
dita procedimentos básicos para a criação de qualquer modalidade de Assentamento, além
de conter no roteiro da Resolução No 387/2006 do CONAMA. Evidentemente levou-se em
consideração, também, as diretrizes contidas na Portaria INCRA no 215/2006 (BRASIL,
2006) – que define os critérios básicos para a criação de um PAF. Ainda, adicionou-se
informações relevantes para a conclusão da viabilidade socioeconômica do projeto.
Para elaboração deste documento foi feita vistoria na área registrando seus limites,
recursos naturais, ocupações existentes etc. Para tanto, utilizou-se máquina digital para
registro de imagens, GPS de navegação e laptop para sistematização dos dados. As
informações oriundas deste levantamento foram posteriormente consolidadas com uso de:
dados oriundos de setores da Prefeitura Municipal e do Instituto de Desenvolvimento
Agropecuário (IDAM), mapas do RADAMBRASIL – Folha Porto Velho e Juruá -,
imagens de satélite LandSat - 5 (TM), imagens de radar do projeto SRTM, uso de
geoprocessamento – nos programas Geomedia (2002) e Idrisi - Andes (v.15) e bibliografia
técnico - cientifica disponível para apoio suplementar.
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PARTE II
4. CARACTERIZAÇÃO DO MUNICÍPIO DE LÁBREA, AM
4.1. Localização geográfica e divisão político-administrativa
Lábrea está localizado na região Sul do estado do Amazonas ou Sudoeste da região
Amazônica, na região do rio Purus, fazendo fronteira com o Estado de Rondônia. Parte do
município está na faixa de fronteira e de segurança nacional, 5ª Sub-região – e prioritária
para o Programa de Desenvolvimento da Faixa de Fronteira (PDFF) do Ministério da
Integração Nacional (MI) do atual Governo Federal. Sua sede municipal está situada à
margem direita do rio Purus; distando, em linha reta, a 783 Km da capital do estado e por
via fluvial até a capital do Estado, 1.926 Km (por via fluvial) de Manaus. Ocupa uma área
territorial de 68.229,009 km2, com código do município no IBGE de 1302405. As
coordenadas geográficas da sede são: latitude - 07o 15´ Sul e longitude - 64o 48´ 00´´Oeste
de Greenwich, a 60 m acima do nível do mar. O município têm os seus limites geográficos
assim definidos: ao Sul e Sudeste como o estado de Rondônia; ao Leste com o município
de Canutama; ao Oeste com os municípios de Boca do Acre e Pauini e, ao Norte com o
município de Tapauá e parte de Canutama (Figura 1).
4.2. Diagnóstico descritivo do meio físico
Geomorfologia e relevo - Encontra-se inserido na formação geomorfológica chamada de
Planície Amazônica – associada a áreas próximas ao rio Purus, a qual contém planícies
aluviais que inundam parte do ano; o Planalto rebaixado da Amazônia, que é a grande
maioria das áreas do município com áreas definidas como aplainadas associadas ao
Planalto rebaixado da Amazônia de baixas cotas.; além de pequenas porções de Planalto
dissecado Sul da Amazônia – associado à serra Três Irmãos ao sul do município na
fronteira com Rondônia. (RADAMBRASIL, 1977; 1978).
Solos - Ocorre a predominância dos solos do tipo Argissolos (antigo Podzólico Vermelho
Amarelo Álico); há porções menos significativas do tipo Latossolos (antigo Latossolo
Amarelo Álico); na parte Sul do município, na serra Três Irmãos encontra-se o tipo de solo
Neossolos (antigos solos Litólicos ou areias quartzosas) e em suas adjacências o
Espodossolo (antigo Podzol Hidromórfico); Nas várzea, ou ao longo dos principais rios
observa-se o solos os Gleyssolos (antigo hidromorficos ou gley pouco úmico eutrófico),
apresentando fertilidade natural média e elevada(RADAMBRASIL, 1977;1978; Embrapa,
1999).
Recursos hídricos - O município de Lábrea localiza-se no interior da Bacia Amazônica e,
mais especificamente, na sub-bacia do rio Purus. Os rios são abundantes e caracterizados
por serem perenes (cheios durante todo ano), sendo os mais importantes: Purus, Mamoriá,
Ituxi, Puini, Tapauá, Camiuá, Umari, Curuquetê, Ciriquiqui, Puinicici, Coti; além dos
igarapés afluentes: Bom Futuro, Sepatini, Mangutiari, Inaiquê, Socó, Juruti e Rufino. Com
exceção de igarapés de menor volumetria, os rios principais não secam em nenhuma parte
do ano (Figura 2).
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Figura 1. Localização geográfica do Município de Lábrea, Amazonas (Fonte: divisão estadual e municipal
do IBGE) em Programa Geomedia Professional v. 5.1. Projeção geográfica, DATUM SAD-69.
Sede
de Làbrea
Canutama
RONDÔNIA
Boca do Acre
Pauini
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Figura 2. Hidrografia do Município de Lábrea, AM (Fonte: divisão estadual e municipal do IBGE, ANA
1:250.000 - Projeção geográfica, DATUM SAD-69.
Clima – O município enquadra-se no grupo (tipo) climático Am (tropical), tipo Af
(chuvoso e úmido), que se caracteriza pela inexistência de estação seca definida ou a
presença de uma estação seca de pequena duração. Este perfil climático faz com que a
vegetação não sofra nenhum efeito, já que há sempre precipitação bem distribuída e
uniforme. A média climatológica da precipitação anual varia em torno de 1400 a 2000 mm.
A temperatura média anual oscila em torno de 25º C, com pequena amplitude térmica. A
umidade relativa do ar é acima de 80% (RADAMBRASIL 1977, 1978; Fisch et al., 1998).
Em alguns anos, durante os meses de junho e julho, a porção Norte de Lábrea (próximo a
Rondônia e Bolívia) sofre o fenômeno denominado de "friagem", com temperaturas
mínimas absolutas do ar, nesses meses, chegando a 12 oC. Devido a curta duração do
fenômeno este não influencia, sobremaneira, as médias climatológicas da temperatura
mínima do ar, que variam entre 18 e 22°C (Silva et al, 2000).
Vegetação e desmatamento – Lábrea é coberto por grandes extensões de Florestas
Tropical Densa das terras baixas, com dossel emergentes, abrigando terras baixas e
aluvionares e com agrupamentos de árvores emergentes nas elevações mais pronunciadas.
Há uma menor parte de Floresta Densa aluvial em áreas de inundação ou várzea
Rio Purus
Rio Ituxi
Rio Curuquetê
RONDÔNIA
LÁBREA
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(conhecidas também como matas de igapó). Neste último, são representadas pelo grupo de
Pioneiras arbóreas com altura aproximada de 15 a 20 m. Também em menor extensão, há
formações do tipo Floresta Ombrófila Aberta Aluvial, que são formação arbórea com
palmeiras que ocupa principalmente as planícies e terraços dos rios. Lábrea é também
conhecido pela existência de um grupo interessante de vegetação: Savana gramíneolenhosa
ou os Campos Amazônicos (cerrados). Neste caso, prevalecem os gramados
entremeados por plantas lenhosas raquíticas, que ocupam extensas áreas e que, aos poucos,
quando manejadas através do fogo ou pastoreio, vão sendo substituídas por espécies que
apresentam colmos subterrâneos, portanto, mais resistentes ao pisoteio do gado ao fogo
(Classificação do IBGE; Veloso et al. 1991).
Este é o município que mais desmata no estado. A distribuição espacial do
desmatamento se dá de forma concentrada e facilitado pelas rodovias ou vias de acesso:
BR 230 e BR 364 e ao longo da calha dos principais rios. Mas a principal preocupação é de
fato com as rodovias. Dados do PRODES2 - Programa de Monitoramento do
desmatamento na Amazônia Legal, de 2009 - indicam que Lábrea ocupa a 1a colocação
entre os que mais desmataram no Estado, com total de 3.044.3, km2, o que corresponde a
4,37% de sua área total; de 2007 para 2008 houve um aumento de 68% no desmatamento
(PRODES, 2009) com alto índice de focos de calor na região Sul do Estado (Vasconcelos
et al, 2009). Em função deste cenário, Lábrea encontra-se na lista dos 43 municípios
responsáveis por 50% do desmatamento da Amazônia Legal (Brasil, 2007) – sendo o único
do Estado do Amazonas adicionado à lista em 2009 (Brasil, 2009).
4.3. Diagnóstico do meio sócio-econômico
Lábrea possui 38.451 habitantes (IBGE, 2008) com formação demográfica diversificada.
Num grupo encontra-se boa parte de representação indígena dos povos kanamari, Kaxarari,
Paumari, Zumaha, Banava, Deni,Juma, Katawixi, Katukina e Mamoaí. Por outro lado, a
parte Sul do município é diferenciada do restante por conta da migração ocorrida na década
de 70 inicialmente para Rondônia – para povoar o eixo da BR-364 – e em seguida para os
municípios de abrangência da região, incluindo Lábrea. Já a migração para o sul de Lábrea
é fenômeno recente e tem relação estreita com a estrutura de transporte (rodovia BR-364),
proximidade com dois mercados promissores (Rio Branco e Porto Velho) e a falta de terras
e florestas produtivas para madeira nos dois estados próximos (RO e AC). Assim, na
região Sul de Lábrea, observa-se um perfil demográfico de pessoas oriundas do Acre e
Rondônia, especialmente, mas é possível encontrar pessoas de regiões do Nordeste,
Centro-Oeste e menor parte de Sudestinos.
Desta forma, a área de Lábrea de interface com o Acre e Rondônia é cenário de expansão
de fronteira agrícola, à partir da logística dada pelas rodovias BR-364, BR-319 e BR-230.
É nesta região que se concentra o impacto da ocupação, associada, principalmente, às
atividades madeireira e agropecuária.
2 Os dados foram completados também pelo Relatório final – Missão SIPAM/SAR/MMA. 2008. 148 p.
Anexo I – Lábrea.
http://www.sipam.gov.br/dmdocuments/Relatorio_Tecnico_SIPAM_MISSAO_SAR_MMA_2008.pdf
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Saúde - A Secretaria de Estado da Saúde – SUSAM, mantém na sede do município, uma
Unidade Mista, destinada a prestar atendimento de pronto-socorro, maternidade,
atendimento cirúrgico, odontológico e hospitalar para a população local e da periferia –
com total de 55 leitos para internação. É comum a ocorrência de malária, dengue e outras
enfermidades mais brandas. Entretanto, a grande preocupação é com a malária que ocorre
todos os anos na região com destaque para os meses de maio a setembro – quando há
estiagem na região. No interior há precariedade no atendimento de saúde. Algumas
comunidades possuem postos com os atendimentos básicos – mas a freqüência de
atendimento é irregular. Na parte Sul do município há assistência dos estados vizinhos do
Acre e Rondônia, porém com limitações já que são basicamente postos de saúde. Casos
mais complexos são encaminhados para o hospital disponível na comunidade de Extrema -
RO.
Educação - O Município possui seis escolas mantidas na sede pela Secretaria de Estado da
Educação e Qualidade do Ensino – SEDUC ministrando ensino médio e fundamental, com
5.300 alunos matriculados. Já o município matricula 3.500 alunos na cidade e 4.200 alunos
na zona rural (INEP, 2008). Pelas dificuldades geográficas e extensão há uma
irregularidade na distribuição e oferta de escolas no interior, principalmente. A parte Sul
do município é assistida pelos estados vizinhos do Acre e Rondônia. Na comunidade de
Vista Alegre há opção de dois cursos superiores. Já na cidade de Lábrea há opções de nível
superior por meio do Centro de Estudos Superiores de Lábrea, (UEA - Universidade do
Estado do Amazonas) que oferece quatro cursos; há ainda a Universidade Luterana (Ulbra)
e a UFAM. No total, há pelo menos 100 alunos matriculados (INEP, 2008). Quem mora no
sul de Lábrea e quer ensino mais avançado deve se deslocar para Rio Branco ou Porto
Velho.
Saneamento básico - A sede do Município ainda não possui um sistema de coleta de
esgoto sanitário e o sistema de coleta de lixo ainda é precário. A captação e o
abastecimento de água estão a cargo da Companhia de Saneamento do Amazonas -
COSAMA. A captação é do tipo mista, ou seja, parte no rio e parte em fonte de água
subterrânea (poços). Há dois reservatórios do tipo elevado com capacidade para 350m3. A
extensão da rede é de 38.000 m e distribuição de 2.100 ligações ativas na sede do
município. Há poços tubulares que atendem a outra parte da população. No interior a
situação é mais precária. Se for áreas de proximidade com o rio Purus ou seus tributários as
pessoas usam a água do próprio rio e igarapés; no caso das comunidades em torno da BR-
364 as pessoas costumam ter poços tubulares. Nos dois casos do interior cada família que
cuida de sua própria água (higiene, aplicação de cloro etc).
Transporte e Infra-estrutura - O rio Purus é uma das principais portas de entrada par a
sede do município, navegável todo o ano, para o transporte com linhas regulares de
transporte fluvial tanto de cargas como de pessoas. A parte sul do município tem acesso
direto pela BR-364, que liga Porto Velho (RO) até Rio Branco (AC) com boa
trafegabilidade atualmente. A outra alternativa rodoviária é pela rodovia Transamazônica
ou BR-230 que liga a cidade de Lábrea até Humaitá, e desta acesso a BR-319 que liga
Manaus a Porto Velho. A Transamazônica tem acesso limitado, já que no período das
chuvas as condições da estrada pioram. Como é comum nestas áreas, a partir destas
rodovias se observa um grande número ramais ou estradas secundárias – o conhecido
“efeito espinha de peixe” (especialmente ao sul do município ao logo da BR-364). Na zona
rural - na região de rios e igarapés sem acesso a rodovias - o transporte é essencialmente de
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pequenos barcos, canoa ou “rabeta” com motor de 5 Hp. Já na sede do município a grande
massa de transporte é realizada por motocicletas e bicicletas, seguido por um número
menos expressivo de carros. Há, atualmente, vôos comerciais regulares de Manaus para a
cidade de Lábrea, duas vezes por semana.
A energia elétrica restringe-se basicamente à sede via CEAM – Companhia Energética do
Amazonas (usina termoelétrica 24 horas). No entanto, não é incomum interrupções no
fornecimento de energia. Parte das comunidades rurais possui energia elétrica, sendo a
fonte desta eletricidade os motores a diesel, ou “motor de luz”.
Comunicação – Na cidade há uma agência dos correios que presta os serviços básicos de
comunicação escrita. É possível obter jornais da capital, mas desatualizados em até três
dias. Há duas rádios locais que transmitem programas de interesse geral das comunidades.
Também é possível captar sinal da radio Nacional de Brasília, mesmo nas comunidades
mais distantes e isoladas. Na telecomunicação há sinal da TV Bandeirante, Rede
Amazônica (Rede Globo), TV A Crítica (SBT). A companhia telefônica Oi – Telemar
oferece linhas particulares nas residências e telefones públicos nas ruas, mas não raro
acontece interrupção do serviço. A companhia Vivo oferece os serviços de telefonia
móvel; há também acesso a internet o que disponibiliza dois pontos comerciais de acesso
pago a este serviço (cyber).
Habitação - As casas em Lábrea são caracterizadas por seus grandes quintais
especialmente na zona mais distante da avenida principal. Na parte central da cidade há
uma predominância de residências em alvenaria e nos bairros, casas de madeira. Esta
última situação se dá mais por efeito da migração de pessoas do interior para a cidade. Na
zona rural, as habitações são pequenas, feitas com madeira e cobertas com palha ou telhas
de amianto, sendo também encontradas algumas casas totalmente de palha. Geralmente a
madeira e a palha encontrados nas casas do interior são oriundos de extrativismo que os
moradores fazem da floresta.
Entidades creditícias e órgãos de pesquisa e assistência técnica - Na cidade tem agência
do Banco do Brasil e Bradesco, ligados ao crédito rural e apóio de forma geral. Ainda no
setor de crediário, é possível encontrar outras entidades particulares que prestam o serviço
de credito pessoal. Há no município um escritório do IDAM – Instituto de
Desenvolvimento Agropecuário e Florestal Sustentável do Amazonas - que atua na
assistência técnica ligadas ao setor florestal, pesqueiro e agrícola. Há um escritório do
IDAM no sul do Amazonas, no Ramal próximo a comunidade de Nova Califórnia, Porto
Velho – RO. O IBAMA se faz presente com uma unidade no município e estruturado para
cumprir a função de fiscalização, monitoramento, orientação, vistorias e todas as demais
atividades relativas ao manejo adequado dos recursos naturais. As questões fundiárias e de
reforma agrária são resolvidas pelo escritório do INCRA localizado no município.
Principais atividades econômicas
A principal atividade do município de Lábrea está relacionada à agropecuária e similares
no setor primário. Nesta ramo, há dois grupos maiores de atividades que representam o
perfil econômico do município: a pecuária e o extrativismo vegetal via comércio de
madeira.
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Agricultura: predominam as culturas temporárias, ressaltando-se – segundo os dados do
escritório local do SEPROR/IDAM (2008) - mandioca, abacaxi, arroz, batata-doce, canade-
açúcar, feijão, fumo e milho. Entre as culturas permanentes destacam-se abacate,
banana, laranja e limão, melancia, cupuaçu, pupunha. O peso relativo na geração de renda
total do munciipio, por outro lado é pouco significativa.
A Extração de madeira, tem um setor em franca expansão nos últimos anos devido ao
aumento do número de manejos florestais no município, mas também à extração ilegal de
madeira. Neste item merece destaque a extração ou retirada de madeira que tem sido
crescente nos últimos anos – especialmente na parte sul do município, que fica próximo ao
pólo madeireiro de Rondônia – que é mais forte. Há, somente no sul do município de
Lábrea, 43 serrarias implantadas em comunidades rondonienses espalhadas ao longo da
estrada BR-364, que liga Porto Velho (RO) a Rio Branco (AC). A maioria das serrarias
está na comunidade de Vista Alegre do Abunã, mas foram encontradas ainda em Nova
Califórnia e Extrema - RO e no município de Acrelândia, no Acre. Apenas duas destas
serrarias estão dentro do município de Lábrea.
Dados de Agosto de 2009 do IDAM local e da Secretaria Executiva Adjunta de Florestas e
Extrativismo – SEAFE apontam para existência de 85 planos de manejo protocolados no
Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (IPAAM). Destes, apenas um está
devidamente licenciado, os demais: 60 não licenciados; 21 com licença vencida; uma
licença cancelada e outra suspensa. Interessante que do total, apenas cinco planos de
manejo são do tipo comunitário e os demais empresarial. Boa parte dos problemas dos
planos não licenciados é de ordem fundiária. Oficialmente foi produzido no município 32
mil m3 de madeira para lenha e 108 mil m3 em tora. Evidentemente estes números estão
longe de ser a realidade do que é de fato extraído, dado o mercado negro de madeira.
Outros produtos extrativos não madeireiros produzidos em 2007: açaí (54 ton); castanha
(1.240 ton); látex de borracha (417 ton); óleo de copaíba (5 mil ton, IBGE, 2007). Quanto
ao extrativismo de produtos não madeireiros: predominam a borracha, a castanha, gomas
não elásticas e óleo de copaíba. Dados da Comissão Especial do Sul do Amazonas
apontam que são retirados pelo menos mil e quatrocentos metros cúbicos de madeira
mensalmente, quase toda de excelente qualidade - e incluindo castanheiras, cuja derrubada
é proibida por lei federal (A Critica, 2008). Ainda assim, a cadeia do setor madeireiro é
dinâmica com pelo menos sete movelarias, suprindo a demanda nos seguimentos de
construção civil, móveis, obras em geral, etc, o que significa concluir que a exploração
persiste (ainda que incipiente, desarticulada e apesar dos problemas).
Pecuária: Este é o setor de maior importância no conjunto de atividades primárias.
Resume-se à criação de bovinos, bubalinos e suínos cuja produção de carne destina-se à
venda para frigoríficos – especialmente os criadores do sul do município nos ramais
Mendes Junior, Jequitibá e Linha 01 em vista Alegre do Abunã. Dados do IBGE (2007)
apontam a existência de aproximadamente 500 propriedades que usam pasto num total de
356 mil hectares. O rebanho correto do município não é um dado de consenso, mas se sabe
que são robustos. Segundo o IDAM, o rebanho bovino vacinado em 2008 chegou a 7.500;
por outro lado, dados do IBGE (2007) mostram que há pelo menos 300.000 (trezentos mil).
Em realidade, a Comissão Especial do Sul do Amazonas3 estimou que há – apenas na
porção sul do município - um rebanho de alta qualidade, todo da raça Nelore, criado em
3 Comissão Criada por Decreto do Governador do Estado para apurar e diagnosticar as situações de conflito
existentes na região do Sul de Lábrea e propor alternativas.
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fazendas estruturadas. O tamanho desse rebanho foi estimado entre 350 mil e 600 mil
cabeças (o rebanho no Amazonas é de 1,2 milhão). Por outro lado, estes números não
refletem em arrecadação para economia local, uma vez que os dividendos são gerados para
o estado de Rondônia e Acre, especialmente.
O segundo tipo de atividade econômica é o comércio, porém ainda em desenvolvimento. Já
o setor terciário, ligado à indústria, ainda é incipiente.
Estrutura fundiária e projetos de assentamentos
Aproximadamente 92% das áreas municipais pertencem à União. Isso de deve ao fato de
que 47% (32.018 km2) estão na faixa de fronteira (150 Km como limite ao Oeste), 54%
distribuídos em quatro Unidades de Conservação Federais e mais 19% em 16 terras
indígenas (Ti). Na faixa de fronteira, excluindo-se as UC e as Ti, tem-se como área
disponível para outros fins (regularização fundiária) um território de 1.276.236,00 ha ou
19% do município. Por outro lado, apenas parte desta área foi efetivamente arrecada da
pelo INCRA.
Das unidades de conservação o Parna Mapinguary é restritiva a qualquer uso sendo que
corresponde a 13% do município. As outras áreas de unidade de conservação, 31% podem
ser utilizadas de maneira sustentável – mas não pode haver regularização fundiária ou
posses particulares (veja Tabela 1).
Como é comum nesta região, em Lábrea as posses rurais ainda estão em processo de
regularização fundiária; não há uma levantamento preciso do número de títulos legais já
emitidos pelo INCRA ou pelo Instituto de Terras do Amazonas (ITEAM). Alguns dos
posseiros detém Licença de Ocupação e/ou Declaração de Cadastro Rural emitidas pelo
INCRA. Em ambos os casos não garantem o titulo, mas assegura apenas a posse e a
permanência das famílias na área.
Em particular, a região do Sul de Lábrea, que compreende a porção próxima à BR- 364 – e
que hoje têm disponíveis aproximadamente 1.276.236,00 ha (um milhão duzentos e setenta
e seis mil duzentos e trinta e seis hectares) - possui características peculiares quanto a
regularização fundiária. Há um grande número de posseiros nesta área, cujas atividades
econômicas seguem a lógica do modelo atual de exploração: madeira e pecuária (alguns de
forma legal e parte ilegal). A presença de estrutura de transporte, proximidade com dois
mercados promissores (Rio Branco e Porto Velho) e a falta de terras e florestas produtivas
para madeira disponíveis nos dois estados próximos (RO e AC), fizeram com que os
índices de imigração e uso de terras públicas aumentassem significativamente na região
nos últimos 20 anos.
As irregularidades das posses4 precipitou a anulação de muitos registros na área depois da
decisão judicial em diversos provimentos como os de No 013/2001 e 014/2001 da
Corregedoria Geral de Justiça do Estado do Amazonas no cartório de Lábrea.
4 As irregularidades são diversas: títulos não confirmados pelos órgãos fundiários e da justiça, compra e
venda de terras públicas sem o aval destes órgãos, registro feito de maneira irregular nos cartórios, aumento
de áreas (clonagem) etc. Para detalhes ver: MMA. A grilagem de terras publicas na Amazônia brasileira.
Série Estudos 8. 2005. 106 p.; assim como BRASIL. Ocupação de Terras Públicas na Região Amazônica:
Relatório da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI). Brasília, 2002. Câmara dos Deputados. 641 p.
13
Tabela 1. Destruição aproximada das terras no município de Lábrea – AM, em função de sua estrutura
fundiária e a percentagem relativa à área do município (Fontes: FUNAI, ICMbio, INCRA – AM).
Unidade de Conservação (UC) Área total (ha) Área em Lábrea (ha)
Resex Médio Purus 604.290,25 551.704, 73
Flona Iquiri 1.476.073,00 1.476.073,00
Resex do Ituxi 776.940,00 776.940,00
Parna Mapinguary
Total
1.572.422,00 890.713,00
3.695.430,00 (54%)
Terra Indígena Área total (ha) Área em Lábrea (há)
Alto Sepatini 26.096,00 26.096,00
Apurinã do Igarapé Mucuim 73.000,00 73.000,00
Hi Merimã 678.365,00 82.149,00
Jarawara/Jamamadi/Kanamati 390.233,00 147.000,00
Paumari do Rio Ituxi 7.572,00 7.572,00
São Pedro do Sepatini 27.644,00 27.644,00
Seruini/Mariene 144.97,00 97.105,00
Tumiã 124.357,00 124.357,00
Kaxarari 147.000,00 98.021,00
Boca do Acre 26.600,00 17.800,00
Apurinã - km 124 da BR 317 42.244,00 33.024,00
Caetitu 308.063,00 308.063,00
Paumari do lag. Marahã 118.767,00 118.767,00
Deni 1.531.303,00 74.875,00
Acimã 40.686,00 40.686,00
Banawa 195.700,00 1.750,00
Total
1.277.909,00 (19,0 %)
Área da faixa de fronteira ainda sem
destinação excluindo-se as UC e Ti
1.276.236,0000 (19,0 %)
Terras Federais Total: 6.249.575,000 (92,0%)
14
Isso significa que os posseiros da área estão – na atualidade – atuando sob o limbo jurídico
à espera da regularização, já que ocupam terras públicas ou posses com registros
cancelados (Brasil, 2002).
Há três assentamentos criados pelo Incra: o Projeto de Assentamento (PA) Paciá, com 135
famílias assentadas – criado em 1999 e área de 5.222,00 ha; o PA Umari, com 146 famílias
assentadas, criado em 1996 e área de 9.017,00 há; e o PDS (Projeto de Desenvolvimentos
Sustentável) Gedeão com 127 famílias, criado em 2007 e área de 12.000,00 ha; tem ainda o
PA Monte, com 113.000,00 há, em torno de 1.000 familias criado no ano de 1992. Apesar
de estar em Lábrea toda a logística e funcionamento se dá pela cidade de Boca do Acre –
AM (INCRA, 2008).
Zoneamento econômico-ambiental do Município – Lábrea possui um estudo preliminar
de gestão territorial ou o Zoneamento Ecológico-Econômico (ZEE) elaborado em 2003
pelo Projeto de Gestão Ambiental Integrada (PGAI – AM) em parceria com a Cooperação
Técnica Alemã (da sigla em Alemão (GTZ) (PGAI, 2003). Há, também, o Plano Diretor
Participativo. Ambos, entretanto, não foram, até então, utilizados em nenhuma política
pública.
15
PARTE III
5. IDENTIFICAÇÃO DA ÁREA
5.1. Histórico e delimitação da área
A área está localizada na Gleba Curuquetê arrecadada em 2006 em nome da União
(Figura 5). O ponto de partida do acesso à área é a vila de Vista Alegre do Abunã
aglomeração populacional às margens da BR-364, pertencente ao município de Porto
Velho (sudoeste). A partir da vila, 5 km a sudeste, tem-se o ramal da Linha 01 iniciando no
Km 969 da BR com mais 60 km de estrada de terra. Nos últimos anos, a partir de 2000,
acontece um processo intensificado de uso irregular por parte de muitos posseiros –
embora haja posseiros que estejam utilizando a área de forma pacifica e, até certo ponto,
“produtiva”. Por outro lado, observa-se que houve casos de compra e venda de áreas cuja
autenticidade ou legalidade das posses é duvidosa. Há indícios de invasão e uso
inadequado dos recursos naturais (retirada de madeira, desmatamento e plantio de pastos
irregularmente), assim como abertura irregular de ramais (estradas). Este é o perfil de áreas
que sofrem com ausência do poder público e avanço da fronteira agropecuária, gerando
conflitos e aumento dos índices de desmatamento.
A área da Gleba Curuquetê foi em grande parte incluída no Parque Nacional do
Mapinguari e Reserva Extrativista do Ituxi criados em 2008 pelo Instituto Chico Mendes
(Figura 5). Ao sudoeste da Gleba tem a região que pode ser objeto de destinação para uso
sustentável, pois está fora das duas Unidades de conservação, tendo seu limite o Rio
Curuquetê.
A localização e extensão da área para o PAF foi definida por base nos seguintes
critérios: i) área já arrecadado em nome da União; ii) área ainda não destinada; iii) com
acesso por via terrestre durante todo o ano para o transporte da produção; iv) com potencial
madeireiro e não-madeireiro; e v) sem a ocorrência de áreas de posseiros que tenham
apresentado algum tipo de legitimidade na posse ou conflito.
Os limites e, consequentemente, o tamanho foi definido em função: i) estimativa de
famílias a serem beneficiadas aliada ao máximo de área permitida na Portaria INCRA no
215/2006 (até 300 ha/família); ii) proximidade com Unidade de Conservação.
5.2. Aspectos gerais
a) Denominação: Projeto de Assentamento Florestal (PAF) Curuquetê.
b) Área aproximada: 40.948,2583 há - perímetro: 131,976,65 m (Figura 4).
c) Município e UF: Lábrea, Amazonas.
d) Número de Módulos Fiscais: 100 ha
e) Área aproximada de reserva legal: 32.753,6000 ha
f) Capacidade inicial do PAF: 100 famílias
i) Matricula da área: inserido na Gleba Curuquetê (810.182,1180 ha) (Portaria INCRA No
18 de 01 de Setembro de 2006 (DOU 27/09/2006), numero 950084.222500-6 (SNCR).
l) Cadastro Nacional de Florestas Públicas (CNFP): Florestas Públicas do TIPO B
(FPB) - localizadas nas áreas públicas que ainda não foram objeto de destinação
especifica.
16
5.3 Localização, acesso, confrontantes e coordenadas geográficas
A área destinada ao PAF está localizada no Sul do município de Lábrea, região
Sudeste do Amazonas, na divisa com o estado de Rondônia (Figuras 4 e 5). Esta entre as
coordenadas geográficas: - 65o 34´ 30´´ a – 65o 22´ 30´´ W; e 8o 57´ 30´´ a 9o 15´ 30´´ S
(veja Figura 3). A área do PAF confronta-se ao Sul com o Parque Nacional Mapinguary;
ao Norte com a Gleba João Bento; ao Oeste e Leste com terras da União. No caso de
confrontantes Norte, Oeste e Leste, há terras de particulares que terão que comprovar a
posse nos moldes da Lei 11.952/2009 no Programa Terra legal.
O acesso pode ser feito pela BR-364 que liga Porto Velho – RO a Rio Branco –
AC, até chegar na altura da km 969 na comunidade de Vista Alegre do Abunã. A rodovia
federal encontra-se em bom estado de trafegabilidade. Nesta área, há dois ramais
principais: O ramal Jequitibá (antigo ramal do 42) e o ramal conhecido como Linha 01. O
primeiro tem extensão aproximada de 60 km até o rio Curuquetê. A área onde estão
acampadas temporariamente as famílias do assentamento pelo ramal da linha 01; estrada de
chão por 60 km (1 h e 30 min de carro tracionado). Período seco Junho a Dezembro -
estrada bem trafegável; pode haver problemas no período chuvoso. Na altura do Km 60,
chega-se na ponte da castanheira, atravessando-a e 200 m à direita encontra-se o
acampamento provisório (coordenadas UTM aproximadas deste ponto: 8968874 N;
226958 L, Figura 3).
a) b)
Figura 3. Localização da entrada da
área do PAF, na altura do
km 60 da Linha 01. Igarapé
Curuquetê ou João Bento
(b), com a ponte da
castanha (a) e (c) acesso
pelo Ramal ou Linha 01..
c)
1
40.948,3 ha
17
Rio Purus
Rio Ituxi
Rio Curuquetê
RONDÔNIA
Figura 4. Localização do PAF Curuquetê, município de Lábrea – AM. (Fonte: divisão estadual e municipal do IBGE, ANA 1:250.000 - Projeção geográfica, DATUM SAD-69). A área dentro do circulo é onde está
prevista a construção da vila agrícola e os lotes de 10 ha/família
PARNA Mapinguary
PARNA Mapinguary
PARNA Mapinguary
Área particular
Área particular
Área particular
Área particular
1
5.4. Características físicas e edafo-climáticas
5.4.1 Solos
A partir de avaliação dos levantamentos do (RADAMBRASIL, 1977) em escala
1:250.000 e de observações a campo temos a seguinte situação. Na área há predominância
de pelo menos 80% de Argissolos, presentes na terra firme (antigo Podzólico Vermelho
Amarelo Álico) de textura argilosa. Os outros solos com porções menos significativas são:
Latossolos (antigo Latossolo Amarelo Álico) próximo à entrada da área logo após o
igarapé Curuquetê; na serra Três Irmãos encontra-se o tipo de solo Neossolos (antigos
solos Litólicos ou areias quartzosas) e em suas adjacências o Espodossolo (antigo Podzol
Hidromórfico); Nas várzea, ou ao longo dos principais rios observa-se o solos os
Gleyssolos (antigo hidromorficos ou gley pouco úmico eutrófico), apresentando
fertilidade natural média e elevada; finalmente, há uma pequeana porçao de solos (antiga
Laterita Hidromófica de elevação) associada à área de campos ou savanas
(RADAMBRASIL, 1977; Embrapa, 1999).
Figura 5. Localização da Gleba Curuquetê ao sul de Lábrea – AM. Em vermelho a divisão da Gleba; em azul,
Parna Mapinguary; em roxo área a ser destinada (Fonte: Cartografia INCRA – AM).
18
2
Do ponto de vista climático, a região do PAF enquadra-se no grupo (tipo) climático
Am (tropical), tipo Af (chuvoso e úmido). Geralmente sem estação seca definida ou de
longa duração. A média climatológica da precipitação anual varia em torno de 1400 a 2000
mm. A temperatura média anual oscila em torno de 25º C, com pequena amplitude térmica.
A umidade relativa do ar é acima de 80% (RADAMBRASIL 1977; Fisch et al., 1998).
Durante os meses de junho e julho, há o fenômeno denominado de "friagem".
5.4.2 Descrição e Classificação do Relevo
Num primeiro momento, o relevo da área do PAF foi classificado de acordo com os
dados disponíveis no levantamento do RADAM na escala 1:250.000. Localiza-se em
região com duas unidades básicas de relevo predominantes: o planalto dissecado Sul da
Amazônia e o Planalto rebaixado do Sul da Amazônia. Ao sul do PAF encontra-se uma
região de relevo conhecida com serra dos três irmãos, bem conhecida na área que fazer
parta do planalto dissecado; embora a região mais acidentada da serra dos três irmãos
esteja fora do perímetro do PAF – com pequenas exceções de formações menos
acidentadas próximo ao rio Curuquetê (veja mapa nos anexos). A dominância na área é de
relevo do tipo mais suave.
Depois, fez-se uma avaliação do relevo em termos de declividade relativa, baseado
na metodologia oriunda do mapeamento da Missão Topográfica por Radar
interferométrico, ou Shuttle Radar Topography Mission (SRTM), em banda C, que gerou
um modelo digital de elevação (MDE). O arquivo digital do SRTM para o Estado do
Amazonas, em formato Idrisi, foi obtido no site www.ecologia.ufrgs.br/labgeo e trabalhado
no programas de SIG (Sistema de Informação Geográfica) Idrisi Versão Andes (2005) – na
rotina Gis Analysis/Surface Analysis/Topographic Variables/Slope. Este método tem
limitações (Pic et al, 2007), mas é a melhor ferramenta disponível para Amazônia.
Os resultados estão disponíveis na Tabela 2 e a Figura 6 que apresentam os
resultados da composição de estimativa das classes de relevo. A grande parte da área
(84%) do PAF é formada de área classificada como plana e 12% suave ondulado. Portanto,
95% da área pode ser classificada de boas a razoáveis para implementação de atividades
que dependam de terrenos ditos planos ou pouco planos. Não há áreas com declividade
acima de 100% (ou 45 graus) que caracterizaria áreas destinadas à preservação permanente
(app).
Tabela 2 Classes de declividade e respectivas áreas no PAF Curuquetê.
Classe de declividade Faixas de declividade (%) Área (há) Área (%)
Plano 0 – 5 34.575,66 84,5
Suave Ondulado 5 - 10 4.906,98 12,0
Ondulado 10 - 15 785,70 1,88
Muito Ondulado 15 - 25 570,24 1,5
Forte Ondulado 25-47 100,44 0,2
Totais 40.948,3 100,0
19
3
Figura 6. Estimativa das áreas de declividade dentro do PAF Curuquetê baseado no modelo SRTM. Autoria:
Mariana Pessoa. Laboratório de Geoprocessamento – UFRGS, Programa Idrisi Andes.
Forte Ondulado (25 – 47 % declividade)
Plano (0 – 5 % declividade)
Suave ondulado (5 -10 % declividade)
Ondulado (10 – 15 % declividade)
Muito Ondulado (15 – 25 % declividade)
20
4
5.4.3 Recursos Hídricos
A região do PAF, embora mais próxima do rio Madeira, na verdade pertence ao
complexo da bacia do rio Purus (Figura 4, escala 1:100.000). A área é caracterizada por
uma importante rede hídrica sendo o rio Curuquetê é o principal neste sistema (Figura 7). É
navegável parte do ano e apenas em algumas das suas extensões, já que além de secar em
um período do ano há algumas cachoeiras. Na área do PAF, como um todo, os igarapés
secam parte do ano (abril a novembro, Figura 6).
O uso destes recursos é basicamente para o consumo humano, em pequenas
quantidades pelas comunidades ou agricultores próximos à sua bacia. Não há problemas
significativos com poluição destes mananciais, especialmente porque os níveis de
lançamento de volumes de esgoto “in natura” são praticamente irrisórios, relativos ao
volume de água dos mananciais. Ao mesmo tempo, as áreas de preservação permanente
(app) estão preservadas, a exceção das áreas ocupadas por algumas intervenções pontuais
para plantação de pasto (Figuras 8 e 9).
Figura 7 – Parte do rio Curuquetê em período seco (Agosto 2009). A área de preservação
permanente (app) está bem conservada em toda extensão do rio.
5.5. Características bióticas
5.5.1 Vegetação
O levantamento da vegetação levou em consideração os dados do IBGE (2004), na
carta planimétrica MIR-268, Escala 1:250.000 (MMA, 2008); comparação de imagens de
satélite Landsat – 5 (TM).
A área do PAF é caracterizada por uma mistura de fisionomias vegetais. Uma parte
importante faz parte do grupamento ou comunidade de Florestas Tropicais Densas ao
Norte do PAF fazendo divisa com o Parna Mapinguary, região drenada pelo ri Coti e seus
afluentes. Destaca-se as espécies madeireiras de angelim, táxi-pitomba, cedroarana,
castanheira e maçaranduba.
21
5
Outra região ao centro da área é representada pela comunidade em menor extensão
conhecida com a região de campo ou serrado. Nela há solos mais profundos e bem
drenados. Estas áreas não são boas para estoque de madeira, alcançando geralmente baixas
volumetrias – logo são áreas que deverão ser utilizadas para outros fins que não
necessariamente manejo de madeira.
Ao centro da área, numa extensão grande, faz parte o grupamento ou comunidade
de Florestas Tropicais do tipo aberta. Nestes casos, os inventários do RADAMBRASIL
(1977) apontam para existência de uma boa volumetria oscilando entre 170 m3/ha. No
geral, há uma variação de volumetria de 37 até 157 m3/há na área – dependendo da área
que seja feita o levantamento ou inventário, considerando toda a área do PAF.
De acordo com observação na área, levantamento realizado mateiros locais, dados
dos planos de manejo na região, além do RADAMBRASIL (1977) há um elevado número
de as espécies com potencial econômico com destaque: Seringueira (Havea brasiliensis),
tipos variados de Virola (Virola spp), Sorva (Couma utilis), Andiroba (Carapa
Guianensis), Castanha (Bertholletia excelsa), além de muitas espécies de Pouteria spp.
Nas áreas mais abertas destacam-se as palmeiras como Açaís (Euterpia spp), Oneocarpus,
Astrocaryum, Maximiliana, Maurita flexuosa, entre outras menos freqüentes. Há uma boa
representatividade de famílias consideradas boas para madeira como: Rapateaecea,
Apocinaceae, Bombacaceae, Bignoniacea entre outras.
O estado de conservação da cobertura vegetal está associado ao uso recente da área
para extração ilegal de madeira – por meio de corte seletivo das espécies de maior dap
(diâmetro à altura do peito) e de maior aceitação no mercado; o que se dá especialmente
pela falta de fiscalização ou quando esta ocorre de maneira falha. As informações que se
chegam e observadas in loco é que há uma retirada substancial de grandes volumes de
madeira da área próxima ao PAF e muitas dentro da própria região. Ainda assim, no geral,
a cobertura vegetal é maior parte da área.
A seguir a descrição das propostas das áreas legalmente protegidas:
Reserva Legal
A reserva legal do PAF é de 32.753,6000 ha que será averbada à margem da
matricula do imóvel PAF Curuquetê. No geral, quase toda a área encontra-se relativamente
preservada, excetuando-se uma pastagem de aproximadamente 700 ha outras intervenções
para abertura de ramais clandestinos.
ii) Áreas de preservação permanentes (app)
As áreas de preservação permanente (app) sao representadas pelas áreas próximas aos
corpos d água e nascente, uma vez que não há outras situações como topos de morro, ou
áras com aclives/declive acima de 45 graus ou 100% (Veja Tabela 2 e Figura 6). No total,
estimou-se que com uma faixa de 50 m nos corpor dágua, incluindo as nascentes, teremos
uma área de app de aproximadamente 2.000 ha (Figura 8). Deste total, observa-se que
foram utilizadas ou suprimidas pouquíssimas áreas, como se vê na Figura 9.
22
6
Figura 8. Estimativa de áreas de preservação permanente (app) na área do PAF Curuquetê, assumindo faixa
de proteção de 50 m nos cursos dágua (Autor: Pedro Penedo, INCRA – AM).
23
23
7
Figura 9. Vista de imagem de satélite LandSat (TM) da área do PAF Curuquetê.
5.5.2 Fauna
A fauna silvestre é muito rica e variada, porém nenhum levantamento de
especialistas foram feitos na região. A relação das comunidades com a fauna é importante,
especialmente para consumo de proteína por meio da caça. Dentre os mais encontrados
estão os répteis, destacando-se tracajá (Podocnemis unifilis) e jabutis (Geochelone sp),
catitu (Pecary tajacu), queixada (Tayassu pecari), anta (Tapirus terrestris), guariba
(Alouatta sp.), paca (Agouti paca), cutia (Dasyprocta sp.), tatu (Dasypus sp.) e veado
(Mazama sp.); entre as aves: mutum (Mitu mitu), inambu (Crypturellus sp) e jacu
(Penelope sp. A ictiofauna tem pouca espressao na região do PAF.
Não há registros de espécies ameaçadas de extinção nesta área.
Parna Mapinguary
Parna Mapinguary
PAF
24
8
6. USO ATUAL DA ÁREA
O uso do solo nesta área vai ser dividido em dois grupos principais. A área do PAF
propriamente dita e a área em suas proximidades. A nomenclatura utilizada para definir as
classes de uso do solo foi a do IBGE (2006). Há dois tipos distintos de uso atual da terra: i)
a representada por áreas de florestas naturais (quase a totalidade da área) e ii) uso de áreas
pontuais oriunda das intervenções para retirada de madeira e pastagem (Figura 8).
No caso do PAF, quase que toda a totalidade da área, está associada ao grupo
classificado como Florestas Naturais do tipo Floresta Tropical Densa e aberta, ligadas ao
ecossistema de terra firme e, em menor proporção, nas proximidades do Curuquetê e
igarapés, faixas menores de Floresta Tropical Densa/aberta aluvial e algumas porções
Submontanas– associadas a áreas de várzea.
Outra parte menor da área está sendo utilizada para exploração de madeira,
derrubada e implantação de pastos. Geralmente a extração de madeira é ilegal – por meio
de corte seletivo das espécies de maior dap (diâmetro à altura do peito) e de maior
aceitação no mercado; o que se dá especialmente pela falta de fiscalização ou quando esta
ocorre de maneira falha. As informações que se chegam e observadas in loco é que há uma
retirada substancial de grandes volumes de madeira da área próxima ao PAF e muitas
dentro da própria região. Ainda assim, no geral, a cobertura vegetal é a maior parte da área.
Já na porção que compreende as imediações do PAF, ou suas proximidades, há
planos de manejo PAF, embora também haja retirada de madeira de forma ilegal. Os
indícios observados (fluxos de caminhões com toras de madeira, pessoas nas trilhas,
clareiras etc) indicam que a retirada de madeira de forma seletiva é uma constante neste
ramal da Linha 01. Embora foram observadas algumas queimadas, os desmatamentos, pelo
menos no período de vistoria, era relativamente baixos, mas em franca expansão.
Nas redondezas do PAF e no seu acesso principal (Linha 01), há também
investimentos mais diversos: melhoria de ramais, estradas; construção de benfeitorias
(tanto úteis e necessárias – cercas, porteiras, pastos, casas, currais etc, - quanto não
necessárias). Por ser área nova, os ramais são mais recentes e em processo de abertura
recente.
7. ASPECTOS SOCIAIS
Há um grande número de posseiros ao longo dos ramais nesta região em
torno do PAF, cujas atividades econômicas seguem a lógica do modelo atual de
exploração: madeira e pecuária (alguns de forma legal e parte ilegal). O que se observa é
um fluxo de migrantes para a região datada de pelo menos 30 anos, logo após a abertura da
BR, e ocupação dos espaços pelos posseiros; infelizmente este processo se deu de forma
não planejada e sem a presença do poder público – o que causa problemas dos mais
diversos5. Todo este contexto demonstra o quanto a região do Sul de Lábrea tem sido alvo
5 Relatório final da Comissão Criada por Decreto do Governador do Estado para apurar e diagnosticar as
situações de conflito existentes na região do Sul de Lábrea. Esta comissão sugere, entre outras coisas a
criação de um distrito administrativo independente na região (Jornal A critica, de 31/01/2008, Manaus –
AM).
25
9
de situações de conflitos, mal entendidos, e especialmente a luta pela posse da terra (Paiva,
2008).6
Há três grupos sociais que tem interesse direto no uso dos recursos nesta região. O
primeiro é o MCC, que solicitou a criação do PAF; o segundo, os moradores da
comunidade de Vista Alegre e o terceiro posseiros em torno do PAF. Os primeiros fazem
parte de um perfil de agricultores que não moram atualmente na região e que buscam um
espaço no cenário do setor produtivo, com destaque aos produtos madeireiros – embora
haja necessidade de treinamento das famílias. O MCC já tem um histórico de
acampamento e ocupação em área próxima (ramal Jequitibá), ocorrido desde 2006 (MCC,
2009). O movimento social, em si, apresenta alguns momentos de desentendimentos entre
grupos que não concordavam com a metodologia de atuação.
Os posseiros fazem parte de um grupo heterogênio quanto ao perfil
socioeconômico. Há grandes posseiros (com capital e tecnologia para investir em
atividades agropecuárias de médio porte), e os pequenos que mal tem acesso a transporte
para chegar à área – considerando que estes moram na vila. Por outro lado, um terceiro
grupo de pequenos agricultores que moram nas proximidades e esperam a regularização
fundiária (não mais que 500 ha de tamanho); estes últimos são minorias.
As informações levantadas na região mostram que na área do PAF propriamente
dita, há algumas poucas posses, mas sem que haja nenhuma comprovação legitima da
mesma ou áreas supostamente com seus “donos”, mas sem nenhum uso especificamente.
Geralmente são posses onde predomina a cobertura vegetal intacta, à espera de outros
destinos - incluindo a venda, segundo o que se apurou com entrevistas. Observou-se
também que geralmente estas áreas são “ofertadas” como garantias de pagamento de
dívidas, trocas em outros bens etc. Talvez, em função deste contexto, estes posseiros não se
apresentaram à equipe no momento da vistoria nesta região – provavelmente porque não
tem nenhuma relação com a área, a não ser a compra efetuada sem mesmo conhecer a
propriedade – em muitos casos. Portanto, logicamente não moram na região ou não tem
nenhum tipo de investimento ou benfeitoria. Os argumentos para o não uso da área seriam
de que estes posseiros compraram e que não tiveram “coragem” de investir na área pelos
motivos já conhecidos: estariam à espera da regularização fundiária; ou então para não
cometer algum delito ambiental e serem responsabilizados (como aberturas para pasto, por
exemplo).
Não há posto de saúde, nem escola na área, embora há 60 km seja possível ter
acesso na vila de Vista Alegre a estes recursos.
8. CONSERVAÇÃO DOS RECURSOS NATURAIS
A aérea do PAF, no total, encontra-se com bom estado de conservação (veja item
mapa com imagem de satélite Figura 8), com pelo menos 90% da área com floresta intacta.
Por outro lado há extração ilegal espécies de maior dap (diâmetro à altura do peito).
Os recursos hídricos e solo estão em situação de boa conservação – do ponto de
vista de contaminação por metais pesados, agrotóxicos ou outra fonte contaminadora - e
respeitando o que diz a legislação em questão (Lei 9.433/97, Lei 7.802/89 e decretos
relacionados). A áreas de APP estão bem conservadas como um todo, com pontuais
intervenções (Figuras 8 e 9).
6 Como bem descreve M.A. Paiva em sua dissertação de mestrado: O Estado contra o campesinato: os
estudos pelo conflito da posse de terra no Sul do Amazonas. UFAC, 2008. 93 p.
26
10
Abaixo as situações dos recursos naturais:
ıErosão – A erosão na área é irrelevante.
ıOcorrência de vetores – Há grande volume de mosquitos na região;
ıDesmatamento e exploração de Áreas de Preservação Permanente e de Reserva Legal –
Há desmatamento de áreas de preservação permanente em pontos específicos.
ıExploração florestal sem plano de manejo aprovado; há planos de manejo em parte
destas áreas próximas ao PAF e também retirada de madeira de forma ilegal.
ı Inundações e alagamento do solo – Ocorre apenas em parte do ano e apenas próximo ao
Curuquetê;
ıNão foi observada nenhuma das situações a seguir: Compactação de solos, assoreamento,
poluição de águas superficiais, ausência de práticas adequadas de adubação e calagem,
destinação de embalagens de agrotóxicos e resíduos agrotóxicos e lixo, salinização do solo,
obstrução de cursos d’água, diminuição da vazão do corpo d’água em níveis
críticos,comprometimento da vazão de água subterrânea, conflito por uso da água a montante
ou a jusante, fontes receptoras de água contendo agrotóxicos, poluição de águas subterrâneas,
plantio sem adoção de prática conservacionista adequada, uso inadequado das terras em
relação a sua vocação, uso de queimadas sem controle, ocorrência de extrativismo
vegetal/caça e pesca predatória, morte de animais silvestres por contaminação com
agrotóxicos, intoxicação humana por agrotóxicos.
A Tabela 3 na página a seguir sumariza as fases, atividades e procedimentos de
mitigação ambiental previstos para PAF Curuquetê. A criação do assentamento em si não
gerará impactos ambientais: trata-se de destinação formal da área (publicação da Portaria
após a obtenção da licença prévia) e não a implantação das atividades de manejo florestal
(intervenções de infra-estrutura, manejo e extração da madeira e dos demais produtos nãomadeireiros,
que certamente gerará impactos importantes). Vale lembrar que este tipo de
empreendimento necessita da elaboração de plano de manejo e aprovação do órgão
ambiental competente7 para a emissão das licenças. Logo, todas as medidas mitigadoras e
atenuantes dos impactos negativos serão devidamente sugeridas no momento apropriado
do pedido da licença ambiental. .
Assim, haverá condições mínimas para a gestão ambiental do empreendimento,
especialmente, os cuidados com o Parque Nacional Mapinguary, além de proteger a área
de preservação permanente do Curuquetê.
7 Compete ao IBAMA o licenciamento de plano de manejo em florestas públicas quando a área for maior que
50 mil ha, abaixo desta área cabe ao IPAAM. O plano de manejo necessitará de anuência do Instituto Chico
Mendes , pois incide em zona de amortecimento de UC (Resolução do CONAMA no 378/2006; BRASIL,
2006).
8.1. Impactos socioambientais e mitigação
27
11
Fase
Atividade
Descrição
Previsão de Impactos e
procedimentos de mitigação
1. Vistoria Visita e levantamento de
dados sobre a área e
entrevistas com moradores
Desprezível
Estudos
preliminares
2. Elaboração
Relatório de
Viabilidade
Ambiental (RVA)
Sumarização do estudo
preliminar
Utilizado no pedido de licença
prévia para o assentamento
CONAMA no 387/2006
3. Publicação de ato
oficial
Após emissão da Licença
prévia, oficialização da
criação do assentamento em
Diário Oficial da União.
Dará condições para
oficializar o acesso à terra
aos agricultores;
disponibilizará recursos
para os associados/famílias
para iniciar atividades
produtivas básicas.
Sem impactos ambientais.
Criação do
Assentamento
4. Avaliação do
Potencial malarígeno
Estudo do potencial de
malária na região do PAF.
Possibilitará saber quais
medidas serão necessárias
para reduzir/prevenir a
ocorrência de malária
Sem impactos ambientais.
5. Inventário florestal
Levantamento dos índices
técnicos das espécies mais
importantes.
Plano de Manejo
(PM)
6. Elaboração do PM
O Plano de Manejo (PM)
determinará as áreas a
serem exploradas
prioritariamente.
7. Vila comunitária
Infra-estrutura
8. Abertura de
vicinais e estradas
necessárias ao
manejo;
Será prevista no PM todas
as infra-estruturas
necessárias ao
funcionamento do PAF
Será submetido ao IPAAM para
obtenção da Licença Prévia do plano
de manejo; serão propostas todas as
medidas mitigadoras necessárias à
redução dos impactos
9. Extração dos
produtos e serviços
florestais
Atividades de retirada da
madeira e os demais
produtos e serviços
florestais seguindo o PM.
Impactos ambientais serão
quantificados (físicos,
socioeconômicos e biológico) e
medidas mitigadoras propostas por
ocasião da aprovação do PM.
Exploração dos
recursos naturais
10. Agricultura,
pesca e pecuária de
subsistência
Atividades de baixo
impacto (agricultura
familiar).
Baixos impactos. Se mantido no
nível atual de exploração, não há
problemas com a redução da
qualidade dos recursos naturais.
Tabela 3. Fases, atividades e procedimentos de mitigação ambiental previstos para PAF Curuquetê, AM.
28
12
9. POTENCIAL PRODUTIVO
A área quase em sua totalidade é formada por Floresta Tropical Densa, o
que em tese gera um estoque teórico razoável de madeira. Por outro lado, poucos são os
levantamentos existentes quanto a este volume e sua viabilidade econômica; cita-se, com
raridade, o levantamento feito Shulze et al (2008)8 comparando dados de um inventário ao
Oeste de Lábrea. Os dados oriundos dos levantamentos do RADAMBRASIL (1977),
IBGE (2008), de contato pessoal com os moradores locais (2009); inventários florestais já
realizados em áreas próximas, (AMAZONAS, 2009; IDAM, 2009) indicam que há
potencial médio para a produção de madeira na área proposta para o PAF, justificando, de
inicio, a sua viabilidade produtiva9. Os dados do RADAMBRASIL, por exemplo, estimam
um volume de madeira variando de 40 a 130 m3/ha (em função da tipologia florestal) –
mas somente os inventários a serem elaborados darão precisão a estes números.
Há nas redondezas, de acordo com o IPAAM alguns planos de manejo (cinco) o
potencial de volume de madeira levantado na área (por meio de amostras dos inventários) é
de médio a bom (IPAAM, 2009).
Os solos ao longo do Curuquetê e os igarapés próximos apresentam maior potencial
de fertilidade e, portanto, recomendado para os cultivos anuais ligados à sazonalidade do
rio. Nos solos do PAF, sob o ponto de vista dos dados observados e levantados até agora,
sugere-se que há potencial mediano para o cultivo de espécies anuais perenes, necessitando
de aporte de algumas técnicas com adubação e manejo recomendados destas culturas. É
possível também a criação de animais para produção de carne, leite, mel e ovos no modelo
de pequena escala com criação semi-extensiva.
10. MODELO DE EXPLORAÇÃO
O marco legal de exploração dos recursos florestais no Projeto de Assentamento
Florestal Curuquetê seguirá as normas: Decreto 5.975/06, Portaria INCRA no 215/2006 e a
legislação do Amazonas vigente. Do pondo de vista técnico, serão priorizadas as
metodologias já consolidadas para a região amazônica, especialmente aquelas identificadas
em experimentos de custo/beneficio pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária
(EMBRAPA) e/ou Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA).
O eixo norteador do sistema de exploração do PAF será o plano de manejo que
levará em consideração os itens abaixo:
1 – Será priorizada a forma de exploração comunitária a ser definida conjuntamente com as
famílias locais, em fase posterior ao licenciamento ambiental do assentamento, ato de
criação (Portaria) e aprovação do plano de manejo. Nestes termos, o PAF Curuquetê,
admitirá como unidades de manejo aquelas indicadas nos talhões do plano de manejo.
Cada uma destas unidades familiares poderá cultivar até 10 ha em atividades agropastoris
(plantios de culturas anuais e perenes e criação de pequenos rebanhos (animais pequenos,
médios e grades ou manejo de fauna silvestre), meliponicultura etc). Há possibilidade de se
8 Publicação cientifica de 2008 na revista Forest Ecology and Management.
9 Um estudo de viabilidade econômica é o ideal considerando: extração, transporte, beneficiamento e
comercialização dos produtos madeireiros e não- madeireiros.
29
13
projetar um pólo vila agrícola com estes percentuais aglomerados em uma única área,
tendo cada família ou adulto emancipado, seus 10 ha para uso agropastoril, sendo total de
1.000 ha da agrovila. Adicionalmente, teremos que destinar parte da área também para a
construção de uma vila agrícola, com espaço para escola, igreja, centro comunitário,
campo de futebol e coisas do gênero.
2 - Levar-se-á, também, em conta, as características físicas e de localização do PAF para a
definição de estratégias de logística, especialmente os ramais para transporte dos produtos;
localização da vila de apóio e infra-estrutura de beneficiamento da madeira existente na
região. Há duas serrarias já operando na região de Lábrea, o que poderia garantir uma
situação inicial de exploração;
3 – O plano de manejo contemplará as alternativas de produtos mais apropriadas (legal,
ambiental e econômico) para a realidade local. A decisão sobre quais serão estes produtos
(madeira em tora, prancha, semi-acabada, óleos, resinas, cipós, fibras, etc) dependerá de
critérios de oportunidade, localização, infra-estrutura e treinamento.
30
1
PARTE IV
11. CONSIDERAÇOES E CONCLUSÕES
Sustentabilidade econômica e produtiva - A produção de madeira é uma das principais
alternativas como fonte de renda e atividade econômica no Município de Lábrea. Os
levantamentos realizados na área (RADAMBRASIL, planos de manejo aprovados pelo
IPAAM, IBGE) e os dados deste relatório indicam haver expectativa de geração de renda
média aceitável para as famílias envolvidas neste projeto. As características físicas da área,
incluindo a sua potencialidade para produção florestal, são propícias as atividades de
manejo florestal aqui propostas.
Sustentabilidade legal - A destinação de terras públicas com florestas aptas ao manejo
florestal sustentável para a Reforma Agrária está prevista na Lei de Florestas Públicas (Lei
11.284/2006) e uma de suas modalidades é o Projeto de Assentamento Florestal (PAF,
Portaria do INCRA no 215/2006). A área já foi legalmente arrecadada em nome da União
(BRASIL, 2006) e, portanto, compete ao INCRA implementar a política de destinação.
Sustentabilidade socioambiental - O projeto poderá trazer expectativa de melhorias
socioeconômicas para as comunidades da área e para o Município – uma vez que fornecerá
madeira legalizada ao mercado local. Quanto aos impactos ambientais, estes poderão ser
minimizados, uma vez que se trata de atividades a serem realizadas sob técnicas
sustentáveis, asseguradas legalmente (plano de manejo) e submetidas a procedimento de
licenciamento ambiental, consultas etc.
Abaixo, recomendações adicionais para que a criação do PAF seja adequada à
gestão e viabilidade socioambiental:
i. Há necessidade de melhorar a capacidade técnica (qualificação profissional) e
gerencial dos assentados para entenderem todo o processo de gestão com especial
atenção aos planos de educação e gestão ambiental;
ii. Deverá ser concluído o Plano de Manejo Florestal;
iii. Deve-se estabelecer parcerias e diálogo com o Serviço Florestal Brasileiro (SBF) e
a unidade do IcmBio gestora do Parna Mapinguary, visando a gestão adequada do
PAF em sintonia com outros programas do governo federal;
iv. Deve-se criar diálogo no âmbito do programa Terra Legal de maneira a regularizar
as posses mansas, pacificas e produtivas e, assim, melhorar a gestão fundiária em
torno do PAF.
31
2
12. BIBLIOGRAFIA
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ATA REUNIÃO-CONSULTA TÉCNICA – PAF CURUQUETÊ, INCRA – AM.
Aos 30 dias do mês de Outubro de 2009, as 9:00 h,compareceram no auditório do INCRA, Manaus – AM, os
servidores desta instituição, além de membros de outros órgãos e institutos, conforme lista de presença anexa,
para a Consulta Técnica: Proposta Preliminar do Projeto de Assentamento Florestal (PAF) Curuquetê, no
sul de Lábrea. Ronaldo Santos, servidor do INCRA, fez a explanação inicial, contextualizando o PAF e
conduzindo a rodada de apresentação dos participantes. Diz que o objetivo desta reunião é trazer a proposta aos
órgãos governamentais e não-governamentais que atuam diretamente com a questão. Que todo os órgãos foram
convidados, mas infelizmente nem todos se apresentaram. Após isso apresentou os resultados do primeiro PAF
do Estado, em Santo Antonio do Içá. Em seguida apresenta a Portaria INCRA 215/2006, normativa do processo
de criação de PAF’s. Contextualiza Lábrea, como município inserido no arco do desmatamento. Frisa que o sul
de Lábrea está em um contexto ainda diferente da sede do município, envolvendo grilagem de terras,
desmatamento, aumento da atividade pecuária, evasão de divisas pra Rondônia. Em tentativa de evitar esses
problemas, o Governo Federal cria duas UC’s: PARNA Mapinguari e Resex Ituxí. Mostra a contextualização
espacial da área em que está inserida a Gleba Curuquetê, onde se insere o PAF. Insere dados inicialmente para o
PAF Curuquetê. Apresenta as fases de criação de PAF’s e a situação dos planos de manejo da região, segundo o
IPAAM. Apresenta estimativas de APP e áreas reservadas para cultivo, o que deixa cerca de 350 ha por família
para trabalhar com plano de manejo. Apresenta o levantamento da infra-estrutura de beneficiamento, serrarias
preexistentes com potencial para serem legalizadas. O Representante Sr. Adelino Ramos, do MCC salienta que
em área que está sendo utilizada pelas famílias do MCC, já estava degradada anteriormente, tendo sido
aproveitada. Ronaldo Santos abre, então, para considerações e questionamentos. O Sr.Valdenor Pontes, da
SDS, argumenta que para um tipo de projeto desse não existe precedente que informe sobre a sustentabilidade
econômica e ambiental. Levanta dados sobre a situação sócio-econômico-ambiental da região. Fala da
necessidade de capacitação dos produtores no sentido de suportar períodos de entressafra. Explana a agregação
de valor do m³ de madeira, quando beneficiado, evidenciando a necessidade de capacitação para o
desenvolvimento da cadeia da produção florestal, no sentido de se obter tal agregação de valor. Cita PA Juma
como exemplo. Ausência de governança é o “motriz” para essa situação. Propõe que se inclua no ordenamento
territorial do PAFF o componente econômico, com iniciativas inclusivas, para garantir o beneficiamento e
comercialização. A peculiaridade regional é tal que o escritório do IDAM do Sul de Lábrea está em Nova
Califórnia (RO). Então a proposta é no sentido de dar governança até que possa andar sozinha. Deve ser em
base de economia solidária, não em base de economia de mercado, assim seria possível inserir essa parcela da
sociedade na economia formal. Em seguida, o Sr. Aldelino “Dinho” MCC começa dizendo que a equipe do
INCRA é muito boa e que em trinta anos de luta pela terra não viu técnicos tão dedicados. Hoje essa
metodologia do MCC de não ocupação de terras de latifúndio conseguiu dar um respaldo de muitas áreas da
sociedade. Diz ter 2 Eng florestais e 2 agrônomos, mostrando que a gente acredita nessa proposta. A área tem
muito potencial, foi pouco alterada. Dentro da área proposta para o PAF está quase intacta. Mas não é qualquer
família que vai dar certo dentro de um PAF. Tem muitos que estão contaminados com a lógica da
individualidade e assim não tem como funcionar. Não queremos saber de assentamento tradicional, políticas
efêmeras que não sustentam o desenvolvimento. Ao invés de agrovila, sugere que o nome do local onde ficarão
as casas seja pólo de beneficiamento. Queremos iniciativas sustentáveis e não a pecuária. Diz que sai 18000 M³
de madeira por mês do estado do Amazonas. Consideramos essa iniciativa, uma coisa boa, pois pretende durar
ao longo do tempo. Há muita atividade de madeireiras ilegais na região que estão inclusive ameaçando o
movimento de ser cúmplice das ações de fiscalização. O PAF pode ser referencia mundial, mas para isso tem
que haver a capacitação das pessoas. E as pessoas estão amedrontadas pela violência gerada pelas retaliações
dos madeireiros às ações de fiscalização. Depois, o Sr. Edvaldo Lopes o “Primo”, da Fetagri complementa:
para nós do sindicato, o PAF tem sido uma bandeira içada o desenvolvimento dessa região, alardeada como a
última fronteira do Brasil. Já foram assassinados cinco lideranças na região. O estado não tem feito sua parte.
Estamos sempre defendendo esse tipo de projeto, que tem o objetivo correto de desenvolvimento regional. É um
compromisso muito grande nosso que esse projeto dê certo. Quando se fala em 300 mil cabeças de gado, ta
errado, tem bem mais. Já tivemos outros acampamentos naquela região, inclusive com mais famílias, mas foram
desestimulados pela violência e pela falta de estrutura e respaldo. Terra que não tem governo, todo mundo
manda. Defendemos a criação de uma estrutura de capacitação para essas pessoas do PAF e acreditamos na
proposta. As falas seguiram-se com o Sr. José Barbosa SEPRO: nós da SEPRO, estivemos na área e
levantamos o potencial de solos da região da Curuquetê e a situação do escoamento da produção e da possível
localização da agrovila. Heron Bezerra achou por bem a implantação de um escritório do IDAM em Nova
Califórnia, como uma forma de presença do estado. Região de potencial, mas com grandes conflitos. O Sr
Emerson Luiz, assessor do MCC inicia apresentando a proposta de PAF, elaborada por ele e outros técnicos
ligados ao MCC. Diz que foi apresentada em BSB na reunião da ouvidoria agrária. Isso dentro de uma proposta
de desenvolvimento regional responsável. O estado de Rondônia tem um enfoque muito diferenciado,
priorizando o agrobusinnes. A proposta desse PAF se dá justamente com a perspectiva do uso múltiplo dos
produtos da floresta. Outra coisa que deve ser trabalhada é a condução do PAF, em um modelo diferenciado,
que se adeque a peculiaridade. Preparar pessoas para a gestão. Uma proposta seria de haver a produção
agroecológica na área. Unidades produtivas, preparar os agricultores para o beneficiamento. A produção
hortifrutigranjeira como forma de soberania alimentar. Trabalhar a piscicultura, artesanato e produtos florestais
madeireiros e não madeireiros. Capacitação em movelaria de qualidade. Diagnóstico socioambiental
participativo. Trabalhar o zoneamento do PAF, com forma de melhor controlar as unidades fisionômicas. Porto
Velho, que começa a declinar com o êxodo urbano, provavelmente irá pressionar essa região. O PAF pode
conter uma descaracterização sociocultural da região. Depois passou-se a palavra ao Sr. Marcelo do Serviço
Florestal Brasileiro; fala que o SFB trata de florestas públicas. O que se reclamava anteriormente de excesso
de atribuições para o IBAMA agora foi parcialmente atendido, devido a distribuição destas entre o ICMBio e
SFB. Quanto ao inventário florestal, o SFB não tem nem pretende ter corpo para essa atribuição. O inventário
amostral, prévio, poderá ser realizado sob contratação, para conhecer previamente a floresta do PAF. Como
requisito, a criação do assentamento e o seguimento de algumas diretrizes. A atuação do SFB está condicionada
a uma parceria (nacional) a ser firmada pelo SFB e pelo INCRA, uma vez que a competência já é do INCRA e
está pronta ser destinada; deve ser firmado e não é uma coisa que vai acontecer de uma hora para a outra. Sobre
a capacitação, há interesse público nisso, mas é uma coisa que deve ser regulamentada. Uma burocracia que é
difícil de ser contornada, acabando de ser demorada de ser implementada. Exemplo: PAF Jquitibá, em
Rondônia. A transferência do recurso para a execução de um PRA deveria ser pelo INCRA o órgão que tem a
competência para tal. Assim o SFB deveria repassar esse dinheiro para o INCRA, o que deve ser feito mediante
um dispositivo legal específico. A constituição de uma associação deve ser participativa e assegurar que os
associados façam parte efetiva da gestão. É possível fazer uma capacitação prévia, mas uma capacitação mais
efetiva é mais complexa. Exemplificando a produção de móveis com um bom design demanda capacitações
muito específicas. Mas é realizável, embora demande esses acordos de ampla abrangência. Há que se fazer
esses acordos entre as bases nacionais, embora o INCRA tenha autonomia para a realização de acordos
regionais, mas não é o ideal. Continua e diz que uma capacitação abrangente, com um objetivo específico, são
complexas e tem que ser bem estruturadas dentro de um plano de manejo mais abrangente. Outras capacitações
de caráter mais sensibilizador podem ser mais facilmente implementadas. Depois a Sr. Eliana Noda,
representando o Sr. Laerte da UEA, diz: Defendi uma dissertação na calha do Purus, sobre impactos das
políticas publicas. Existem projetos que tem muitos problemas, principalmente pela falta de recursos humanos
qualificados. O que acaba desenvolvendo um problema pela falta de orientação. As instituições locais são
desarticuladas entre si. E isso impede a evolução dos acontecimentos. Emerson Luiz do MCC diz: tivemos
muita dificuldade com isso. Mas infelizmente a realidade institucional se resume as pessoas mais interessadas
que tocam as idéias. Devemos aglutinar essas pessoas aqui para realizar as políticas públicas com essas pessoas.
É como podemos realizar, achando essas brechas onde existem. Os empresários pensam em lucro. Se para obter
mais lucro é interessante tratar o movimento com condescendência, é assim que será realizado. Precisamos
quem leve o conhecimento de ponta do INPA, UEA, UFAM, para as frentes, onde ele é necessário. Antes de
concluir, o servidor do INCRA Ronaldo Santos, mostrou a agenda preliminar para as consultas e audiência
púbicas para discutir o PAF e falou que os documentos estarão disponíveis na internet durante o mês de
novembro. Não havendo mais a discutir o mesmo encerra a reunião. Assim, EU, Pedro Penedo, lavro a
presente ata que será assinada por mim e pelos demais participantes desta reunião em lista anexa a seguir.
servidores desta instituição, além de membros de outros órgãos e institutos, conforme lista de presença anexa,
para a Consulta Técnica: Proposta Preliminar do Projeto de Assentamento Florestal (PAF) Curuquetê, no
sul de Lábrea. Ronaldo Santos, servidor do INCRA, fez a explanação inicial, contextualizando o PAF e
conduzindo a rodada de apresentação dos participantes. Diz que o objetivo desta reunião é trazer a proposta aos
órgãos governamentais e não-governamentais que atuam diretamente com a questão. Que todo os órgãos foram
convidados, mas infelizmente nem todos se apresentaram. Após isso apresentou os resultados do primeiro PAF
do Estado, em Santo Antonio do Içá. Em seguida apresenta a Portaria INCRA 215/2006, normativa do processo
de criação de PAF’s. Contextualiza Lábrea, como município inserido no arco do desmatamento. Frisa que o sul
de Lábrea está em um contexto ainda diferente da sede do município, envolvendo grilagem de terras,
desmatamento, aumento da atividade pecuária, evasão de divisas pra Rondônia. Em tentativa de evitar esses
problemas, o Governo Federal cria duas UC’s: PARNA Mapinguari e Resex Ituxí. Mostra a contextualização
espacial da área em que está inserida a Gleba Curuquetê, onde se insere o PAF. Insere dados inicialmente para o
PAF Curuquetê. Apresenta as fases de criação de PAF’s e a situação dos planos de manejo da região, segundo o
IPAAM. Apresenta estimativas de APP e áreas reservadas para cultivo, o que deixa cerca de 350 ha por família
para trabalhar com plano de manejo. Apresenta o levantamento da infra-estrutura de beneficiamento, serrarias
preexistentes com potencial para serem legalizadas. O Representante Sr. Adelino Ramos, do MCC salienta que
em área que está sendo utilizada pelas famílias do MCC, já estava degradada anteriormente, tendo sido
aproveitada. Ronaldo Santos abre, então, para considerações e questionamentos. O Sr.Valdenor Pontes, da
SDS, argumenta que para um tipo de projeto desse não existe precedente que informe sobre a sustentabilidade
econômica e ambiental. Levanta dados sobre a situação sócio-econômico-ambiental da região. Fala da
necessidade de capacitação dos produtores no sentido de suportar períodos de entressafra. Explana a agregação
de valor do m³ de madeira, quando beneficiado, evidenciando a necessidade de capacitação para o
desenvolvimento da cadeia da produção florestal, no sentido de se obter tal agregação de valor. Cita PA Juma
como exemplo. Ausência de governança é o “motriz” para essa situação. Propõe que se inclua no ordenamento
territorial do PAFF o componente econômico, com iniciativas inclusivas, para garantir o beneficiamento e
comercialização. A peculiaridade regional é tal que o escritório do IDAM do Sul de Lábrea está em Nova
Califórnia (RO). Então a proposta é no sentido de dar governança até que possa andar sozinha. Deve ser em
base de economia solidária, não em base de economia de mercado, assim seria possível inserir essa parcela da
sociedade na economia formal. Em seguida, o Sr. Aldelino “Dinho” MCC começa dizendo que a equipe do
INCRA é muito boa e que em trinta anos de luta pela terra não viu técnicos tão dedicados. Hoje essa
metodologia do MCC de não ocupação de terras de latifúndio conseguiu dar um respaldo de muitas áreas da
sociedade. Diz ter 2 Eng florestais e 2 agrônomos, mostrando que a gente acredita nessa proposta. A área tem
muito potencial, foi pouco alterada. Dentro da área proposta para o PAF está quase intacta. Mas não é qualquer
família que vai dar certo dentro de um PAF. Tem muitos que estão contaminados com a lógica da
individualidade e assim não tem como funcionar. Não queremos saber de assentamento tradicional, políticas
efêmeras que não sustentam o desenvolvimento. Ao invés de agrovila, sugere que o nome do local onde ficarão
as casas seja pólo de beneficiamento. Queremos iniciativas sustentáveis e não a pecuária. Diz que sai 18000 M³
de madeira por mês do estado do Amazonas. Consideramos essa iniciativa, uma coisa boa, pois pretende durar
ao longo do tempo. Há muita atividade de madeireiras ilegais na região que estão inclusive ameaçando o
movimento de ser cúmplice das ações de fiscalização. O PAF pode ser referencia mundial, mas para isso tem
que haver a capacitação das pessoas. E as pessoas estão amedrontadas pela violência gerada pelas retaliações
dos madeireiros às ações de fiscalização. Depois, o Sr. Edvaldo Lopes o “Primo”, da Fetagri complementa:
para nós do sindicato, o PAF tem sido uma bandeira içada o desenvolvimento dessa região, alardeada como a
última fronteira do Brasil. Já foram assassinados cinco lideranças na região. O estado não tem feito sua parte.
Estamos sempre defendendo esse tipo de projeto, que tem o objetivo correto de desenvolvimento regional. É um
compromisso muito grande nosso que esse projeto dê certo. Quando se fala em 300 mil cabeças de gado, ta
errado, tem bem mais. Já tivemos outros acampamentos naquela região, inclusive com mais famílias, mas foram
desestimulados pela violência e pela falta de estrutura e respaldo. Terra que não tem governo, todo mundo
manda. Defendemos a criação de uma estrutura de capacitação para essas pessoas do PAF e acreditamos na
proposta. As falas seguiram-se com o Sr. José Barbosa SEPRO: nós da SEPRO, estivemos na área e
levantamos o potencial de solos da região da Curuquetê e a situação do escoamento da produção e da possível
localização da agrovila. Heron Bezerra achou por bem a implantação de um escritório do IDAM em Nova
Califórnia, como uma forma de presença do estado. Região de potencial, mas com grandes conflitos. O Sr
Emerson Luiz, assessor do MCC inicia apresentando a proposta de PAF, elaborada por ele e outros técnicos
ligados ao MCC. Diz que foi apresentada em BSB na reunião da ouvidoria agrária. Isso dentro de uma proposta
de desenvolvimento regional responsável. O estado de Rondônia tem um enfoque muito diferenciado,
priorizando o agrobusinnes. A proposta desse PAF se dá justamente com a perspectiva do uso múltiplo dos
produtos da floresta. Outra coisa que deve ser trabalhada é a condução do PAF, em um modelo diferenciado,
que se adeque a peculiaridade. Preparar pessoas para a gestão. Uma proposta seria de haver a produção
agroecológica na área. Unidades produtivas, preparar os agricultores para o beneficiamento. A produção
hortifrutigranjeira como forma de soberania alimentar. Trabalhar a piscicultura, artesanato e produtos florestais
madeireiros e não madeireiros. Capacitação em movelaria de qualidade. Diagnóstico socioambiental
participativo. Trabalhar o zoneamento do PAF, com forma de melhor controlar as unidades fisionômicas. Porto
Velho, que começa a declinar com o êxodo urbano, provavelmente irá pressionar essa região. O PAF pode
conter uma descaracterização sociocultural da região. Depois passou-se a palavra ao Sr. Marcelo do Serviço
Florestal Brasileiro; fala que o SFB trata de florestas públicas. O que se reclamava anteriormente de excesso
de atribuições para o IBAMA agora foi parcialmente atendido, devido a distribuição destas entre o ICMBio e
SFB. Quanto ao inventário florestal, o SFB não tem nem pretende ter corpo para essa atribuição. O inventário
amostral, prévio, poderá ser realizado sob contratação, para conhecer previamente a floresta do PAF. Como
requisito, a criação do assentamento e o seguimento de algumas diretrizes. A atuação do SFB está condicionada
a uma parceria (nacional) a ser firmada pelo SFB e pelo INCRA, uma vez que a competência já é do INCRA e
está pronta ser destinada; deve ser firmado e não é uma coisa que vai acontecer de uma hora para a outra. Sobre
a capacitação, há interesse público nisso, mas é uma coisa que deve ser regulamentada. Uma burocracia que é
difícil de ser contornada, acabando de ser demorada de ser implementada. Exemplo: PAF Jquitibá, em
Rondônia. A transferência do recurso para a execução de um PRA deveria ser pelo INCRA o órgão que tem a
competência para tal. Assim o SFB deveria repassar esse dinheiro para o INCRA, o que deve ser feito mediante
um dispositivo legal específico. A constituição de uma associação deve ser participativa e assegurar que os
associados façam parte efetiva da gestão. É possível fazer uma capacitação prévia, mas uma capacitação mais
efetiva é mais complexa. Exemplificando a produção de móveis com um bom design demanda capacitações
muito específicas. Mas é realizável, embora demande esses acordos de ampla abrangência. Há que se fazer
esses acordos entre as bases nacionais, embora o INCRA tenha autonomia para a realização de acordos
regionais, mas não é o ideal. Continua e diz que uma capacitação abrangente, com um objetivo específico, são
complexas e tem que ser bem estruturadas dentro de um plano de manejo mais abrangente. Outras capacitações
de caráter mais sensibilizador podem ser mais facilmente implementadas. Depois a Sr. Eliana Noda,
representando o Sr. Laerte da UEA, diz: Defendi uma dissertação na calha do Purus, sobre impactos das
políticas publicas. Existem projetos que tem muitos problemas, principalmente pela falta de recursos humanos
qualificados. O que acaba desenvolvendo um problema pela falta de orientação. As instituições locais são
desarticuladas entre si. E isso impede a evolução dos acontecimentos. Emerson Luiz do MCC diz: tivemos
muita dificuldade com isso. Mas infelizmente a realidade institucional se resume as pessoas mais interessadas
que tocam as idéias. Devemos aglutinar essas pessoas aqui para realizar as políticas públicas com essas pessoas.
É como podemos realizar, achando essas brechas onde existem. Os empresários pensam em lucro. Se para obter
mais lucro é interessante tratar o movimento com condescendência, é assim que será realizado. Precisamos
quem leve o conhecimento de ponta do INPA, UEA, UFAM, para as frentes, onde ele é necessário. Antes de
concluir, o servidor do INCRA Ronaldo Santos, mostrou a agenda preliminar para as consultas e audiência
púbicas para discutir o PAF e falou que os documentos estarão disponíveis na internet durante o mês de
novembro. Não havendo mais a discutir o mesmo encerra a reunião. Assim, EU, Pedro Penedo, lavro a
presente ata que será assinada por mim e pelos demais participantes desta reunião em lista anexa a seguir.
quinta-feira, 23 de junho de 2011
MCC- PROJETO DE ASSENTAMENTO FLORESTAL COMUNITARIO CURUQUETE PAF PROJETO DE ASSENTAMENTO FLORESTAL COMUNITARIO CURUQUETE PAF
(CAMARADAS! SIGAM A LUTA PELA QUAL ADELINO RAMOS ENTREGOU SUA PRÓPRIA VIDA,PELA DEFESA DA DIGNIDADE E JUSTIÇA, HONRANDO SEU JURAMENTO DE NUNCA ABANDONAR SEUS COMPANHEIROS)
PROJETO DE ASSENTAMENTO FLORESTAL COMUNITARIO CURUQUETE PAF
PROJETO DE ASSENTAMENTO FLORESTAL COMUNITARIO CURUQUETE PAF
1º Respeitar o Meio Ambiente que é o pulmão do mundo.
2º Ter tudo legal, manejo madeireiro e não madeireiro com suas indústrias.
3º Vender todos os produtos com o selo verde que é o certificado para agrega mais
Valores nos nossos produtos.
4º O manejo madeireiro não é para vender toras mais sim tudo industrializado.
5º fabricar móveis de qualidade, assoalho, forro, porta, janela, carrocerias para veículos, cabos de ferramentas, artesanatos, cabo de coador de café, escova de lavar roupa, vassoura, rodo, porteiras para curral, bretes para curral, lenha do pó de serra.
6º Manejo não madeireiro, colher e industrializar, a castanha em vários derivado dela mesma, óleo de copaíba, andiróba, sangue de dragão, babaçu, açaí, orquídea, talas, cipó, corante, taninos em fim.
7º plantio de pequenos cultivos e animais de pequeno porte, lavoura, horta, pomar, reflorestamento, criames de porcos, gado para despesa dos assentados, galinha, codornas, abelhas, aves de todas as espécies, criamos de animais silvestres com autorização do IBAMA, represas de peixes, tudo vai ser industrializados.
8º Para acontecer tudo isso diz que o Incra Nacional, esta fazendo convenio com o Serviço Florestal Brasileiro, para capacitar os assentados em todas as profições, para depois os assentados gerenciarem seus investimentos, seu meio de produção que são os maquinários, e indústrias, tudo no coletivo, porque são normas do PAF, e por que todas essas atividades que esta acima citada que não citamos 50% das atividades de produção do PAF como que vai sobrar tempo para querer a de rota do dividualismo que humilhou-nós escravizou-nós, fracassaram nosso futuro e acabou com a paz nas famílias camponesas, tantas tristezas com a vida de muitos e muitos filhos e filhas de camponeses por este dividualismo, e uma política suja do governo mentindo que esta.
9º Fazendo a reforma agrária apenas fez uma distribuição de um pedaço de terra muito mal para contentar os camponeses e camponesas, porque a maioria dos Camponeses não tinha o conhecimento do coletivo do cooperativismo e o sociativismo que hoje até o governo defende isso os movimentos pecaram em não desenvolver antes esta forma de assentamento florestal comunitário e trabalho coletivo.
10º Depois de avaliação do MCC, porque tantas mortes de camponês tantos massacres, se tem muita terras desapropriadas e cadê a Reforma Agrária, isso é falta de responsabilidades do Governo, porque as terras desapropriadas com Exemplo em Rondônia 23.450.000, Vinte e três Milhões e quatrocentas e cinqüenta mil Hectares desapropriadas de 1982 para cá, não assentou Camponês nessas áreas nem em dois milhões de hectares, cadê o resto? Isso é muito complicado porque esse total de terra desapropriada soma uma procentage de mais de 70% do estado de Rondônia e nem 20 mil famílias de Camponês foi assentado até hoje, veja bem, se cumprisse com o mo dolo do Incra no Estado assentava mais de 42.000 famílias e vem assentando famílias camponesa em 25 ha. e o Estado não tem 35.000 famílias de Camponeses sem terra no Estado, isso pode chamar ou dizer ok.
11º Por isso o MCC procurou na época um Engenheiro Florestal que tem princípios e defende o meio Ambiente e os movimentos Sociais que respeita a legalidade, o MCC procurou o que fazer? Junto achamos uma idéia de Assentamento Florestal comunitário, por isso temos o Orgulho que hoje o MCC é o Movimento Camponês que é pioneiro de Assentamento Florestal comunitário na Amazônia e no Brasil.
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MOVIMENTO CAMPONÊS CORUMBIARA- MCC;
PROPOSTA PARA IMPLANTAÇÃO DO PROJETO DE ASSENTAMENTO FLORESTAL – PAF GLEBA CURUQUETÊ
Brasília
2009
1. INTRODUÇÃO
1.1. Histórico PAF Gleba Curuquetê.
O Movimento Camponês Corumbiara – MCC, há mais de uma década, vem defendendo a luta para que os trabalhadores rurais tenha o legítmo direito de trabalhar em suas próprias terras, sendo assim, os próprios agentes de seu futuro e de suas famílias, e dessa forma contribuir de forma efetiva para o crescimento do país e para a paz na floresta.
Há dois anos as famílias do movimento camponês Corumbiara, pioneiros em assentamento florestal, mobilizam-se para o momento da ocupação na reserva Curuquetê.
Já é prova disso o período em que passamos acampados, em vigília, nas proximidades da reserva, assegurando assim, a integridade da floresta de forma que não comprometa o futuro da mesma e por conseqüência da economia em bases sustentáveis. Nesse período tivemos o pronto atendimento da polícia o que impediu a repressão por parte de quem não compreende ou não quer respeitar a nova ordem.
A busca pelo desenvolvimento sustentável não é apenas uma bandeira de luta que defendemos, nós acreditamos e não queremos repetir os erros do passado quando da ocupação equivocada da Amazônia.
Já aprendemos com erros, precisamos, portanto, ousar com o novo modelo que leve em consideração as características ambientais, as populações de indivíduos de outras espécies que habitam a floresta. Temos que ser responsáveis com uso dos recursos hídricos existentes, tão importantes e valiosos para as gerações presentes e futuras. Enfim usar de forma racional todos os recursos naturais que temos no principal patrimônio nacional: A Floresta Amazônica.
1.2. Justificativa.
Tendo em vista o violento histórico que processo de reforma agrária na região amazônica, que culminou na grilagem de terras públicas, exploração irracional dos recursos ambientais, violência contra trabalhadores rurais (inclusive com a morte de Chico Mendes, Dorothy Stang, entre outros que tombaram por defender a região), povos indígenas e populações tradicionais, agravando os problemas socioambientais e deteriorando a qualidade de vida desses estratos da sociedade e provocando forte desequilíbrio nas dimensões que compõem o princípio da sustentabilidade.
O desenvolvimento sustentável da Amazônia depende mais de uma visão própria dos seus problemas socioambientais do que de modelos importados. Devendo respeitar a diversidade de seus ecossistemas, a diversidade socioeconômica e cultural de suas populações, considerando principalmente os interesses das populações locais. A estratégia de desenvolvimento sustentável para a Amazônia deve ter como ponto central a percepção do meio ambiente regional, a partir dos interesses diretos das populações locais. Nesse contexto, em condições de pobreza que imperam em grande parte na área rural da Amazônia, um conceito-chave para abordar os problemas ambientais dessa região é o entendimento das necessidades básicas da população.
Um dos pontos básicos colocados para uma estratégia de desenvolvimento sustentável é, sem dúvida, o crescimento econômico-social fundamental para a melhoria das condições de vida da população regional. Nessa direção, além de respeitar e centrar os objetivos nas populações regionais, o desenvolvimento sustentável da Amazônia requer ainda a consideração de vários outros aspectos e princípios.
O presente projeto tem como meta se tornar modelo mundial de reforma agrária, divisão de renda, a partir do manejo florestal de uso múltiplo e de baixo impacto.
Para que esta tenha meta possa ser cumprida precisamos de todo esforço conjunto entre sociedade civil e poder público. O acúmulo de conhecimentos científicos e de organização social é fundamental para o êxito do projeto.
2. PROJETO DE ASSENTAMENTO FLORESTAL - PAF
O PAF é uma modalidade de assentamento voltada para o manejo de recursos florestais em áreas com aptidão para a produção florestal familiar, comunitária e sustentável e é especialmente definido para a região Norte.
Além da extração de madeira, pretende-se explorar a produção de essências medicinais, plantas ornamentais, óleos vegetais, látex, resinas e gomas entre outros.
O PAF permite, também, o sequestro do carbono, a apartir da recuperação de áreas degradadas com reflorestamentos,exploração do ecoturismo e coleta de materiais genéticos para o desenvolvimento da biotecnologia.
3.
4.
5.
6. POTENCIALIDADES DO USO MÚLTIPLO DO PAF GLEBA CURUQUETÊ.
As possibilidades de exploração de uma floresta nativa, em qualquer parte do mundo, são inúmeras e em muitos casos desconhecidas. Essas possibilidades são ainda maiores e desconhecidas quando tratamos da maior floresta tropical do planeta.
Num primeiro momento quando falamos ou pensamos em exploração da floresta logo vem em mente o uso dos recursos madeireiros. Entretanto em se tratando de assentamento de trabalhadores rurais, somente esta possibilidade pode conduzir há um processo de empobrecimento da floresta e dependência de um único produto que acarretará com certeza além de desajustes sociais, uma economia frágil para o PAF.
A região do Purus-Madeira, área onde se encontra a região do Curuquetê apresenta uma grande riqueza de recursos naturais e de infinitas alternativas para o exercício do modelo em bases sustentáveis.
Quando nos referimos às bases sustentáveis, não falamos apenas em uso racional dos recursos naturais, falamos também com respeito às culturas locais, distribuição de forma justa da renda aferida a partir da agregação de valor aos produtos oriundos da floresta.
É preciso avançar na busca da produção de alimentos, que garantam a base alimentar dos assentados, mas com a qualidade do ponto de vista da saúde dos alimentos que serão consumidos pelos assentados e pelo consumidor final.Portanto o uso de insumos agrícolas deve levar em conta os aspectos que assegurem alimentos sadios e de boa qualidade.
Levantamentos superficiais, a partir de informações históricas e locais, apontam a existência de produtos que nos dão uma noção do tamanho da tarefa que nos espera.
Castanha do Brasil, borracha, óleo de copaíba, açaí, andiroba, cipós, entre outros produtos, além dos recursos hídricos e belezas paisagísticas.
Todos esses produtos nos remetem a inúmeras alternativas para a geração de trabalho e renda, tais como:
• Exploração madeireira de baixo impacto com agregação de valor aos produtos;
• Artesanato;
• Comercialização de sementes florestais, ou mesmo para reflorestamento das áreas degradadas e conseqüente entrada no mercado de seqüestro de carbono;
• Produção e comercialização de energia;
• Venda de óleos e resinas;
• Exploração econômica das paisagens naturais através do ecoturismo.
Tantas são as possibilidades, e maior deve ser a nossa criatividade para a implantação e implementação do PAF Curuquetê.
7. ESTRATÉGIA DE PROTEÇÃO SOCIOAMBIENTAL REGIONAL DO PAF GLEBA CURUQUETÊ
A área da Gleba Curuquetê, município de Lábrea/ Amazonas, foi em grande parte incluída no Parque Nacional do Mapinguari e Reserva Extrativista do Ituxi criados em 2008 pelo Instituto Chico Mendes.
A parte sudoeste da Gleba Curuquetê ficou fora das duas Unidades de conservação, tendo seu limite o Rio Curuquetê.
Nos tempos dos seringais o acesso a Gleba Curuquetê era feito por via fluvial, pelo Rio Purus e adentrando a montante pelo Rio Ituxi até seus tributários: Ciriquiqui, Coti e Curuquetê.
A partir do ano de 2000, a Gleba Curuquetê começou a ser ocupada por madeireiros (ilegalmente) do distrito de Vista Alegre do Abunã, vindos da BR.364, pelas estradas vicinais não pavimentadas denominadas Ramais: Ramal do JIQUITIBÁ, Ramal do Ipê. No avanço da frente de expansão rumo norte, estado do Amazonas, como é de práxis, vem em seguida o desmate pela ocupação de Grileiros da região e de Rio Branco, Acre; conforme pode ser visto nas imagens de Satélites LANDSAT TM5 ou CBERS.
O Ramal do Jatobá tem inicio na Cidade de Vista Alegre do Abunã no sentido norte e atravessa a divisa do Estado do Amazonas até o rio Curuquetê, ocupados por fazendeiros. Ramal do Ipê é uma extensão da Linha 01, sentido norte, que inicia na BR.364, aproximadamente 05 quilômetros, leste, da cidade de Vista Alegre do Abunã.
A região mais atingida com exploração de madeira e desmatamento da Gleba Curuquetê foi à parte Leste e nordeste da referida gleba.
A criação do Parque Nacional do Mapinguari dá-se num momento em que a frente de madeireiros e grileiros já estão há mais de 50 quilômetros no interior desta unidade de Conservação.
Com a criação do referido parque, tem-se uma demanda para a gestão desta área de preservação que é a regularização fundiária e desintrusão dos ocupantes e exploradores ilegais de madeiras.
A área proposta, apresentada pelo MCC está localizada na parte oeste da Gleba Curuquetê (o que ficou de fora das duas Unidades de Conservação criadas em 2008), onde esta menos antropizada.
A área proposta faz limites ao norte com o Parque Nacional do Mapinguari e Reserva Extrativista do Ituxi.
A Legislação que regulamenta atividades antrópicas no entrono de Unidades Conservação são: DECRETO N° 99.274, de 06 de junho de 1990, Resolução do CONAMA Nº 13/90, de 6 de dezembro de 1990; e na Lei Nº 9985/2000 ou Lei do SNUC.
- DECRETO N° 99.274, de 06 de junho de 1990:
Artigo 27 - Nas áreas circundantes das Unidades de Conservação, num raio de 10 km (dez quilômetros), qualquer atividade que possa afetar a biota ficará subordinada as normas editadas pelo CONAMA.
- RESOLUÇÃO CONAMA Nº 13/90, DE 6 DE DEZEMBRO DE 1990:
Art. 2º. Nas áreas circundantes das Unidades de Conservação, num raio de dez quilômetros, qualquer atividade que possa afetar a biota, deverá ser obrigatoriamente licenciada pelo órgão ambiental competente.
Parágrafo único. O licenciamento a que se refere o caput deste artigo só será concedido mediante autorização do órgão responsável pela administração da Unidade de Conservação.
- Lei Nº 9985/2000 ou Lei do SNUC:
Art. 2o Para os fins previstos nesta Lei, entende-se por:
XVIII - zona de amortecimento: o entorno de uma unidade de conservação, onde as atividades humanas estão sujeitas a normas e restrições específicas, com o propósito de minimizar os impactos negativos sobre a unidade.
Além do Parque Nacional do Mapinguari e da Reserva Extrativista do Ituxi, há mais 32 Áreas Protegidas entre Unidades de Conservação e Terras Indígenas formando um imenso Mosaico no sul do Amazonas, entre as bacia do Rio Juruá, Rio Purus e Rio Madeira, com a seguinte configuração:
• 08 Unidades de Conservação no Amazonas: Parque Nacional do Mapinguari; Reserva Extrativista do Ituxi; Floresta Nacional do Iquiri; Reserva Extrativista do Médio Purus; Floresta Nacional do Purus; Floresta Nacional Mapiá-Inauini; Reserva Extrativista Arapixi; Floresta Nacional Balata-Tufari;
• 03 Unidades de Conservação em Rondônia: Floresta Estadual de Rendimento Sustentável Rio Vermelho “B”; Estação Ecológica Mujica Nava; Estação Ecológica Serra dos Três Irmãos.
• 23 Terras Indígenas: TI. Boca do Acre; TI. Camisua, TI. Enauini/Teuini; TI. Igarapé Capana; TI. Peneri/Tacaquini; TI. Seruini/ Mariene; TI. Tumiã; TI. Alto Sepatini; TI. Acima; TI. São Pedro do Sepatini; TI. Guajahã; TI. Catipari/ Mamoria; TI. Água Preta/ Inari; TI. Camadeni; TI. Apurinã do Igarapé Mucuim; TI. Paumari do Lago Marahã; TI. Caititu; TI. Paumari do Rio Ituxi; TI. Jarawara/ Jamamadi/ Kanamati; TI. Banawa; TI. Hi-Merimã; TI. Zuruahã; TI. Deni; TI. Juma; TI. Kanamari do rio Juruá.
- Lei Nº 9985/2000 ou Lei do SNUC. Mosaico:
Art. 26. Quando existir um conjunto de unidades de conservação de categorias diferentes ou não, próximas, justapostas ou sobrepostas, e outras áreas protegidas públicas ou privadas, constituindo um mosaico, a gestão do conjunto deverá ser feita de forma integrada e participativa, considerando-se os seus distintos objetivos de conservação, de forma a compatibilizar a presença da biodiversidade, a valorização da sociodiversidade e o desenvolvimento sustentável no contexto regional.
- DECRETO Nº 4.340, DE 22 DE AGOSTO DE 2002, Regulamenta artigos da Lei no 9.985, de 18 de julho de 2000:
CAPÍTULO III
DO MOSAICO DE UNIDADES DE CONSERVAÇÃO
Art. 8o O mosaico de unidades de conservação será reconhecido em ato do Ministério do Meio Ambiente, a pedido dos órgãos gestores das unidades de conservação.
Art. 9o O mosaico deverá dispor de um conselho de mosaico, com caráter consultivo e a função de atuar como instância de gestão integrada das unidades de conservação que o compõem.
§ 1o A composição do conselho de mosaico é estabelecida na portaria que institui o mosaico e deverá obedecer aos mesmos critérios estabelecidos no Capítulo V deste Decreto.
§ 2o O conselho de mosaico terá como presidente um dos chefes das unidades de conservação que o compõem, o qual será escolhido pela maioria simples de seus membros.
Conjuntamente com o Plano de Manejo Florestal Sustentável Múltiplo e Comunitário propõe-se um Programa de Proteção da Flora e da Fauna na área Projeto de Assentamento Floresta Curuquetê.
Um cenário seria uma Gestão Integrada de Proteção Sócio-Ambiental do Mosaico do sul do Estado do Amazonas, onde a gestão do Plano de Manejo Florestal Sustentável Múltiplo e Comunitário terá convênios e ou Termos de Parceria com as gestões do Parque Nacional do Mapinguari e da Reserva Extrativista do Ituxi; de forma a otimizar os esforços de proteção ambiental e de fazer um acordo de ordenamento, via zoneamento, das áreas de uso para o manejo floresta múltiplo e de áreas de preservação no entorno das referidas Unidades de Conservação.
Visto a possibilidade de Instituto Chico Mendes criar posto de vigilância no final do Ramal Ipê, poderá ter como parceiro a comunidade do Assentamento Florestal Curuquetê. Bem como, criar brigadas contra incêndios e de proteção ambiental, com agentes ambientais voluntários advindos do próprio PAF.
Outro recurso natural a ser manejado com diretrizes e normas são os cursos d’água que nascem e formão o Rio Curuquetê, que a Jusante percorre o interior da Reserva Extrativista do Ituxi. Nesse caso é necessário um Programa de Uso dos e Proteção dos Recursos Hídricos de forma a manter as águas com qualidade e a abundante fauna aquática atual.
A população dos assentados no Projeto de Assentamento Florestal Curuquetê em suas atividades de consumo e produção agro-extrativista gera resíduos sólidos e líquidos. Este Plano indica um Programa de Gestão de Resíduos Sólidos de Líquidos, em duas situações:
1) Na geração de resíduos da área urbanizada;
2) Na geração de resíduos das atividades produtivas agro-extrativista.
Propõe-se usar metodologias e técnicas inovadoras neste Programa de Gestão de Resíduos Sólidos de Líquidos, que pretende viabilizar através de inclusão de parte deste programa nos Plano de Manejo Florestal Sustentável Múltiplo e Comunitário; ou em projetos específicos como no caso de geração de resíduos da área urbanizada.
8. GESTÃO DO PAF CURUQUETÊ
O êxito da consecução do PAF Gleba Curuquetê está diretamente vinculado à condução de sua gestão administrativo-financeira, inspiradas pelos princípios do associativismo e do cooperativismo. Tal empreendimento social deverá ser conduzido de maneira que possibilite uma inserção competitiva nos mercados onde lançarem seus produtos e serviços, dentro dos fundamentos empresariais que permitam uma inserção mercadológica e que permita a realização de resultados positivos e uma rendabilidade que o viabilize dentro das perspectivas econômica, financeira, contábil e trabalhista dentro de um rigor profissional que se assemelhe ao das empresas privadas que atuam em mercados semelhantes.
Em contrapartida, a distribuição dos benefícios, o controle e a participação dos associados deverão obedecer aos princípios da economia solidária, entendida como sendo é uma forma de produção, consumo e distribuição de riqueza (economia) centrada na valorização do ser humano - e não do capital - de base associativista e cooperativista, voltada para a produção, consumo e comercialização de bens e serviços, de modo autogerido, tendo como finalidade a reprodução ampliada da vida. Assim, nesta economia, o trabalho se transforma num meio de libertação humana dentro de um processo de democratização econômica, criando uma alternativa à dimensão alienante e assalariada das relações do trabalho capitalista.
Tal proposição se dá em virtude de um número significativo de empreendimentos sociais que malograram devido à dicotomia existente entre a economia de mercado e a economia solidária, onde muitas dúvidas na execução de empreendimentos solidários ocorrem por não conhecerem os princípios basilares do associativismo/cooperativismo, acarretando numa série de distorções que vão do trato gerencial/burocrático, como situações de apropriação indébita dos recursos gerados coletivamente por determinados dirigentes.
Outra situação recorrente, diz respeito ao pouco comprometimento e participação dos beneficiários na gestão desses projetos, os quais não se sentem pertencentes ao processo gestacional deixando que interesses inescrupulosos ganhem a atmosfera propiciam para se desenvolverem.
Outra forte preocupação desta proposta versa sobre a diversidade cultural existente entre o público beneficiário do projeto, pois o mesmo é composto por pessoas advindas da agricultura familiar nordestina e, principalmente sulista, e de extrativistas amazônicos. Este choque cultural, caso não seja bem trabalhado poderá refletir negativamente na gestão administrativo-financeira, pois cada grupo cultural tem sua forma de conduzir esses processos.
Nesta proposta busca-se a integração entre a agricultura familiar e o extrativismo, que para que se torne exitosa é necessário que se realize a sensibilização e a formação para dirimir possíveis atritos advindos do referido choque cultural e potencializar os aspectos positivos de todos os povos que constituirão a miscigenação para tornar o PAF Gleba Curuquetê um dos mais bem-sucedidos exemplos de gestão.
O sucesso do projeto traz em si, a possibilidade de replicação da experiência em demais localidades do Estado do Amazonas e da região amazônica. Neste contexto é de forte importância a difusão do conhecimento adquirido. Dessa forma, os gestores poderão ser replicadores desse modelo de gestão.
Outra importante característica a ser ressaltada nesta proposta é que o modelo de gestão que o PAF desencadeará está em direta consonância com os planos, programas e projetos desenvolvidos pelos governos federal, estadual e municipal, onde primará pela integração e potencialização das ações existentes e as que se desenvolverão a partir desta experiência, que primará pelos princípios da eficácia, eficiência e economicidade, bem como pelos princípios da sustentabilidade socioambiental.
9. FORMAÇÃO E CAPACITAÇÃO DOS ASSENTADOS NO PROJETO DE ASSENTAMENTO FLORESTA CURUQUETÊ.
A construção de um processo de formação e capacitação às famílias que serão assentadas no PAF Gleba Curuquetê deverá atender certos requisitos, em virtude do pioneirismo da proposta, bem como pelos antecedentes históricos de outras categorias de assentamentos da reforma agrária que malograram em suas experiências, muitas vezes pelo processo de formação e capacitação que não considerava algumas premissas básicas, concernentes à sua formação política, ao processo produtivo, à assistência técnica e à extensão rural, além de outras formas alternativas de produção às convencionalmente estabelecidas.
Para que seja um empreendimento exitoso, é proposto que o modelo de formação e capacitação para a execução do PAF Gleba Curuquetê ocorra de forma antecipada, isto é, se inicie antes da consecução dos trabalhos, tendo em vista que muitos dos problemas ocorridos com experiências anteriores ocorreram, pelo simples fato de que as famílias assentadas não dispunham da menor noção do enfrentariam.
E se estenda durante todo o tempo em que o projeto perdure, isto é, seja um processo de formação e capacitação contínuo.
Portanto, se faz necessário preparar as famílias para desenvolverem uma proposta inovadora de assentamento, para as mudanças nas dinâmicas socioeconômicas e ambientais que se desencadearão a partir da implantação e execução do PAF Gleba Curuquetê, para sua inserção nos mercados local, regional, nacional e internacional em condições favoráveis de competição, mantendo suas características culturais e o meio de vida que estão inseridos, bem como dos benefícios que poderão obter por estarem na zona de amortecimento do mosaico de áreas protegidas que formam o corredor ecológico já mencionado, principalmente pela posição limítrofe do PAF Gleba Curuquetê com o Parque Nacional Mapinguari e da Reserva Extrativista Ituxi.
Capacitar as lideranças comunitárias das comunidades para o fortalecimento das organizações sociais e para a gestão de empreendimentos solidários, visando o fortalecimento institucional, o treinamento de um corpo funcional preparado para gestão dos empreendimentos que advirão da implantação do PAF, para a multiplicação e difusão das informações junto às comunidades para a consolidação de uma cultura participativa, com responsabilidade coletiva, dentro dos princípios da sustentabilidade e da solidariedade.
Bem como, capacitar as famílias atendidas, para as atividades que serão desencadeadas pelo PAF, através de sua da preparação para a realização do processo produtivo, dentro dos procedimentos técnicos e métodos de produção adequados à região e para a operacionalização dos equipamentos que serão utilizados no processo, visando inserção da produção familiar no mercado local, regional, nacional e internacional, através de técnicas adequadas que garantam a qualidade do produto ofertado.
Quanto aos procedimentos didático-pedagógicos, serão adotados, de acordo com a necessidade, e serão utilizadas as várias vertentes que possibilitem mais adequadamente, de forma dialógica, aproximar o ser humano e o meio ambiente, através do manejo da biodiversidade, dentro da perspectiva de sua sobrevivência e as relações externas, tanto de mercado como de atuação nos movimentos sociais e da proteção ambiental, onde se busque a elevação do senso crítico e auto-crítico que possibilite às famílias a total integração com essa nova proposta e com os princípios da sustentabilidade.
Para tanto, o processo de capacitação terá como elementos estruturadores:
a) A Formação política para a organização social e fortalecimento institucional das famílias e organizações que serão contempladas pelo PAF Gleba Curuquetê, para formação de lideranças locais existentes e surgimento de novas lideranças, e que instrumentalize-os a participarem dos fóruns de debates e conselhos onde poderão exercer o controle a participação social.
b) A gestão de empreendimentos solidários existentes decorrentes da implantação do PAF Gleba Curuquetê, de modo a estruturar grupos gestores para o desenvolvimento das atividades previstas no Plano de Implantação do PAF;
c) A adoção de boas práticas produtivas que permitam a substituição às práticas nocivas à saúde e à segurança alimentar, tal qual a utilização, em larga escala, de pesticidas;
d) O treinamento dos produtores que trabalham com os produtos que serão beneficiados pelas unidades de processamento, bem como do manejo florestal comunitário, visando garantir o fornecimento de produtos às referidas unidades dentro de um padrão de qualidade que permita atingir a certificação técnica e sanitária necessárias para consumo, para atender os diversos mercados onde estará inserido, de acordo com a quantidade demandada;
e) O treinamento dos trabalhadores que irão operar as unidades produtivas, visando a utilização adequada das máquinas e equipamentos necessários para o beneficiamento dos produtos que serão levados ao consumidor final, com os critérios de segurança do trabalho exigidos pela legislação brasileira.
10. EFEITOS MULTIPLICADORES ESPERADOS
Tendo em vista o grande passivo ambiental gerado por anos de exploração que não respeitou a vocação amazônica para um modelo alternativo de desenvolvimento, e que teve a primazia por atividades que impactaram sobremaneira os ecossistemas e a biodiversidade amazônica, principalmente nos estados que compõem o conhecido Arco do Desflorestamento, mais notadamente nos estados do Pará, Mato Grosso e Rondônia, as quais foram responsáveis por uma parcela significativa dos conflitos agrários ocorrentes na região, pela grilagem de terras públicas, pela extração de madeira ilegal, pela violência no campo, pela morte de povos indígenas, populações tradicionais e de trabalhadores do campo.
A replicação do referido modelo vem, com considerável velocidade, se reproduzindo no Estado do Amazonas, precisamente ao sul do Município de Lábrea, onde, de acordo com os documentos e mapas enviados à Ouvidoria Agrária Nacional – OAN e à Superintendência Regional do INCRA/AM pelo Movimento Camponês Corumbiara – MCC - e que se encontram anexados à proposta.
Tal situação deve sofrer uma imediata intervenção para que não avance de forma virulenta as frentes de expansão madeireira, agropecuária e mineral, características do processo de ocupação regional da Amazônia Ocidental, principalmente do Estado de Rondônia. E que possa servir como mecanismo de fomento para tais atividades, muitas vezes ilegais. Já que o foco da ação antrópica ocorre no Distrito de Vista Alegre do Abunã, Município de Porto Velho–RO, local em que vem ocorrendo a venda da madeira retirada ilegalmente da área destinada ao PAF Gleba Curuquetê, conforme os documentos, em anexo.
Diante de tal situação e, ainda com uma potencialidade ainda não avaliada dentro dos parâmetros técnicos, mas quando observadas de maneira superficial, apresenta forte potencial biodiverso que poder ser prospectado para o aproveitamento econômico das famílias que serão assentadas no PAF Gleba Curuquetê.
O que se podem vislumbrar como cenários futuros, no que diz respeito aos efeitos multiplicadores advindos da implantação do referido PAF e de acordo com o estudo de potencialidades é:
1) Curto Prazo:
• Hortifrutigranjeiros: Cultivo de hortaliças, frutas e criação de galinhas e suínos . No primeiro momento tais atividades se apresentarão como forma de subsistência, para suprir as necessidades alimentares do acampamento. No segundo momento, havendo o excedente da produção, o mesmo será comercializado nos mercados próximos, principalmente no Estado do Amazonas, onde tal produção ainda é inexpressiva e onde tais produtos possuem preços muito elevados nos mercados, sendo que uma produção expressiva de tais produtos poderá ser negociada a preços menores, beneficiando os consumidores.
• Extrativismo: Coleta e venda da castanha, borracha, óleo de copaíba, entre outros produtos florestais não-madeireiros que precisam, no entanto, tornar-se sustentável, mas que de imediato poderão servir como incremento de renda às famílias.
Cabe ressaltar que, apesar das dificuldades iniciais e da fase adaptativa, o processo produtivo agroextrativista do PAF Curuquetê primará pela adoção de boas práticas produtivas para que se possa buscar a certificação agroecológica de seus produtos, dentro do tempo hábil necessário para tal, o que certamente agregará maior valor aos produtos e contribuirá para uma forma de produção sócio-participativa.
2) Médio e Longo Prazos
• Piscicultura: Se configura em outra fonte protéica para as famílias assentadas, bem como em outra potencialidade econômica, tendo em vista que o pescado, culturalmente, faz parte dos hábitos alimentares da região. Além disso, é uma atividade de baixo impacto ambiental e de alta produtividade, se comparada com atividade pecuária bovina, e que não há necessidade de abertura de grandes áreas, não pressionando à cobertura florestal primária e poderá ser efetivada em áreas abertas ou de capoeira.
• Artesanato: É outra atividade que poderá ser desenvolvida aproveitando os produtos agroextrativistas existentes, o que além de gerar um incremento de renda, é uma atividade que pode servir para aglutinar a juventude e as mulheres, principalmente na produção de biojóias, da marchetaria entre outras formas de artesanato.
• Produtos florestais:
- Madeireiros: Se configura, a priori, até mesmo por ser a característica do modelo de assentamento, que preconiza a exploração florestal madeireira, esta, por imposição legal deverá ser realizada dentro das técnicas de baixo impacto e com participação comunitária. Outro fator de extrema importância dentro deste processo é o beneficiamento dos produtos madeireiros (além da serragem e das sobras de madeiras), que buscará a verticalização da cadeia produtiva, de onde sairá o produto acabado, pronto para ser comercializado, seja na forma de móveis, portas, janelas ou da madeira certificada, o que agregará valor ao produto local, através da geração de empregos e incremento da renda, bem como, da garantia da perenidade dos recursos florestais e hídricos, tendo em vista que a região é local de várias nascente, sendo a principal as cabeceiras do rio Curuquetê.
- Movelaria: Esta atividade apesar de fazer parte do portfólio de atividades madeireiras, se configura em uma potencialidade para o PAF Gleba Curuquetê, tendo em vista o caráter experimental no que se refere a implantação de um pólo moveleiro, onde será necessário investimento na área de treinamento para formação de designers de móveis, o que agregará maior valor ao produto, por estar localizado na Amazônia e ser fruto da criação de designers locais, o que demonstra um forte avanço da atividade madeireira, que até bem pouco tempo só exportava o produto in natura.
- Não-Madeireiros: São produtos florestais não-lenhosos de origem vegetal e animal, bem como serviços socioambientais, bem como reservas extrativistas, seqüestro de carbono, comunicação genética e outros benefícios oriundos da manutenção da floresta. Se constituem na principal fonte de renda e alimentos de milhares de famílias que vivem da extração florestal. Produtos como óleos fixos e essenciais, frutos, amêndoas, fibras, corantes, plantas fitoterapêuticas, entre outros. Se apresentam como oportunidade real para o incremento da renda das famílias agroextrativistas, seja seu uso em manejo ou cultivos domesticados. O que será de grande relevância para o PAF, por sua característica de zona de amortecimento do Parque Nacional Mapinguari e da Resex Ituxi, no que diz respeito à manutenção dos ecossistemas e da biodiversidade local.
• Ecoturismo: Outra atividade com potencialidade a ser desenvolvida diz respeito ao ecoturismo, principalmente após o levantamento da área do PAF Gleba Curuquetê e da elaboração do Plano de Manejo do Parque Nacional Mapinguari, que apontará as áreas destinadas para tal atividade.
• Produção de energia: Por estar localizada nas cabeceiras do rio Curuquetê, a incidência de potencial hidrelétrico é uma potencial atividade a ser estudada, para verificar a possibilidade de exploração de tal atividade.
Dessa forma, as perspectivas para implantação do PAF Gleba Curuquetê e de uso dos recursos existentes na área são positivas tanto do ponto de vista da solução de problemas de conflitos agrários, pois com a criação e delimitação do perímetro do PAF Gleba Curuquetê, a situação dominial do principal foco de conflitos no Estado Amazonas seria solucionado, o que, por sua vez e com a devida atuação do Poder Público (federal, estadual e municipal) na referida área afastaria as possíveis pressões por invasão de terras na região, afastando assim o foco do problema.
Outro fator significativo será o zoneamento das áreas destinadas à produção, à exploração madeireira e preservação o que é de extrema importância para a conservação e manutenção dos corredores ecológicos, bem como para a recuperação da área a ser explorada.
O ganho de produtividade das áreas a serem utilizadas para a criação e para os cultivares, a priori, serão maiores devido à adoção de boas práticas produtivas, que possibilitará suprir a necessidade por alimentos das famílias assentadas, o que permitirá acabar com a dependência das cestas básicas de programas assistenciais, bem como de interesses escusos de determinadas pessoas que se aproveitam da situação de fome para cooptar e desmobilizar lideranças dos movimentos sociais.
Permitirá venda do excedente da produção com maior valor agregado, além de fornecer alimentos aos mercados locais e regionais com preços mais acessíveis aos consumidores.
No que diz respeito ao roubo de madeira, com a adoção do Plano de Manejo Florestal Sustentável e Comunitário do PAF Gleba Curuquetê, permitirá aos assentados trabalharem dentro do preconiza a legislação brasileira, além de coibir as atividades ilegais, pois a madeira terá sua procedência registrada e, ainda se buscará a certificação florestal visando agregar valor tanto à madeira como aos sub-produtos da exploração dos produtos florestais. Permitindo maior controle por parte das autoridades e a perenidade dos recursos florestais e hídricos.
Quanto aos produtos não-madeireiros, o entorno natural proporcionará uma infinidade de benefícios, na forma de bens e serviços, denominados como serviços ecossistêmicos, como alimentos, madeira, água potável, energia, proteção contra as enchentes, contra a erosão do solo e principalmente do seqüestro do carbono por emissões evitadas. O que terá forte impacto nas discussões a respeito da Conferência das Partes – COP 15, da Convenção sobre a Biodiversidade, a qual certamente a proposta do PAF se configurará em uma das soluções para o problema do desmatamento e queimadas que serão apresentadas pelo Brasil, na cidade de Copenhagen, na Dinamarca, no mês de dezembro de 2009.
Onde, a perspectiva para uma experiência exitosa do PAF Gleba Curuquetê traz consigo uma nova dinâmica socioambiental e econômica, principalmente no que se refere à área das Ciências Econômicas, que se refere à Economia dos Ecossistemas e da Biodiversidade, qual buscará novas formas de valoração dos recursos ambientais e onde essa experiência pioneira já se encontra integrada com seus princípios, apesar de ser um ramo muito novo, mas que terá possibilidades promissoras no trato da reversão do quadro de mudanças climáticas e do aquecimento global, os quais se configuram no principal problema vivenciado pelo planeta.
Portanto, esta é a proposta dos camponeses e extrativistas para inserir um modelo de desenvolvimento que realmente preconize o equilíbrio entre a economia, o meio ambiente e a justiça social, na qual a geração presente utilize os recursos ambientais e garanta a satisfação das necessidades das gerações futuras, de forma realmente sustentável.
11. ETAPAS DE IMPLEMENTAÇÃO DO PAF CURUQUETÊ
8.1 – Identificações dos Limites e Portaria de Criação do PAF Curuquetê – Responsabilidade: INCRA
8.2 – Demarcações do Projeto de Assentamento - PAF Curuquetê. Responsabilidade: INCRA
8.3 – Diagnóstico Socioambiental Participativo
Responsabilidade: CONSULTORES/ ASSCEDAM
8.4 – Zoneamentos do PAF
Responsabilidade: CONSULTORES/ASSCEDAM
8.5 – Plano de Desenvolvimento do Assentamento Curuquetê Responsabilidade: CONSULTORES/ASSCEDAM
8.6 – Inventário Florestal Múltiplo Participativo
Responsabilidade: SFB
8.7 – Plano de Manejo Florestal Sustentável Múltiplo e Comunitário.
Responsabilidade: CONSULTORES/ASSCEDAM
12. EQUIPE TÉCNICA RESPONSÁVEL PELA ELABORAÇÃO DA PROPOSTA
• EMERSON LUIZ NUNES AGUIAR – Economista, especialista em Educação Ambiental e Desenvolvimento Sustentável.
• ROGÉRIO VARGAS MOTTA – Engenheiro Agrônomo, Especialista em Análise Ambiental.
• OSVALDO LUIZ PITTALUGA E SILVA – Engenheiro Florestal.
• FLÁVIO TIALLET – Engenheiro Florestal
13. ENTIDADES ENVOLVIDAS
MCC ASSOCIAÇÃPO asscedam
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PROJETO DE ASSENTAMENTO FLORESTAL COMUNITARIO CURUQUETE PAF
PROJETO DE ASSENTAMENTO FLORESTAL COMUNITARIO CURUQUETE PAF
1º Respeitar o Meio Ambiente que é o pulmão do mundo.
2º Ter tudo legal, manejo madeireiro e não madeireiro com suas indústrias.
3º Vender todos os produtos com o selo verde que é o certificado para agrega mais
Valores nos nossos produtos.
4º O manejo madeireiro não é para vender toras mais sim tudo industrializado.
5º fabricar móveis de qualidade, assoalho, forro, porta, janela, carrocerias para veículos, cabos de ferramentas, artesanatos, cabo de coador de café, escova de lavar roupa, vassoura, rodo, porteiras para curral, bretes para curral, lenha do pó de serra.
6º Manejo não madeireiro, colher e industrializar, a castanha em vários derivado dela mesma, óleo de copaíba, andiróba, sangue de dragão, babaçu, açaí, orquídea, talas, cipó, corante, taninos em fim.
7º plantio de pequenos cultivos e animais de pequeno porte, lavoura, horta, pomar, reflorestamento, criames de porcos, gado para despesa dos assentados, galinha, codornas, abelhas, aves de todas as espécies, criamos de animais silvestres com autorização do IBAMA, represas de peixes, tudo vai ser industrializados.
8º Para acontecer tudo isso diz que o Incra Nacional, esta fazendo convenio com o Serviço Florestal Brasileiro, para capacitar os assentados em todas as profições, para depois os assentados gerenciarem seus investimentos, seu meio de produção que são os maquinários, e indústrias, tudo no coletivo, porque são normas do PAF, e por que todas essas atividades que esta acima citada que não citamos 50% das atividades de produção do PAF como que vai sobrar tempo para querer a de rota do dividualismo que humilhou-nós escravizou-nós, fracassaram nosso futuro e acabou com a paz nas famílias camponesas, tantas tristezas com a vida de muitos e muitos filhos e filhas de camponeses por este dividualismo, e uma política suja do governo mentindo que esta.
9º Fazendo a reforma agrária apenas fez uma distribuição de um pedaço de terra muito mal para contentar os camponeses e camponesas, porque a maioria dos Camponeses não tinha o conhecimento do coletivo do cooperativismo e o sociativismo que hoje até o governo defende isso os movimentos pecaram em não desenvolver antes esta forma de assentamento florestal comunitário e trabalho coletivo.
10º Depois de avaliação do MCC, porque tantas mortes de camponês tantos massacres, se tem muita terras desapropriadas e cadê a Reforma Agrária, isso é falta de responsabilidades do Governo, porque as terras desapropriadas com Exemplo em Rondônia 23.450.000, Vinte e três Milhões e quatrocentas e cinqüenta mil Hectares desapropriadas de 1982 para cá, não assentou Camponês nessas áreas nem em dois milhões de hectares, cadê o resto? Isso é muito complicado porque esse total de terra desapropriada soma uma procentage de mais de 70% do estado de Rondônia e nem 20 mil famílias de Camponês foi assentado até hoje, veja bem, se cumprisse com o mo dolo do Incra no Estado assentava mais de 42.000 famílias e vem assentando famílias camponesa em 25 ha. e o Estado não tem 35.000 famílias de Camponeses sem terra no Estado, isso pode chamar ou dizer ok.
11º Por isso o MCC procurou na época um Engenheiro Florestal que tem princípios e defende o meio Ambiente e os movimentos Sociais que respeita a legalidade, o MCC procurou o que fazer? Junto achamos uma idéia de Assentamento Florestal comunitário, por isso temos o Orgulho que hoje o MCC é o Movimento Camponês que é pioneiro de Assentamento Florestal comunitário na Amazônia e no Brasil.
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MOVIMENTO CAMPONÊS CORUMBIARA- MCC;
PROPOSTA PARA IMPLANTAÇÃO DO PROJETO DE ASSENTAMENTO FLORESTAL – PAF GLEBA CURUQUETÊ
Brasília
2009
1. INTRODUÇÃO
1.1. Histórico PAF Gleba Curuquetê.
O Movimento Camponês Corumbiara – MCC, há mais de uma década, vem defendendo a luta para que os trabalhadores rurais tenha o legítmo direito de trabalhar em suas próprias terras, sendo assim, os próprios agentes de seu futuro e de suas famílias, e dessa forma contribuir de forma efetiva para o crescimento do país e para a paz na floresta.
Há dois anos as famílias do movimento camponês Corumbiara, pioneiros em assentamento florestal, mobilizam-se para o momento da ocupação na reserva Curuquetê.
Já é prova disso o período em que passamos acampados, em vigília, nas proximidades da reserva, assegurando assim, a integridade da floresta de forma que não comprometa o futuro da mesma e por conseqüência da economia em bases sustentáveis. Nesse período tivemos o pronto atendimento da polícia o que impediu a repressão por parte de quem não compreende ou não quer respeitar a nova ordem.
A busca pelo desenvolvimento sustentável não é apenas uma bandeira de luta que defendemos, nós acreditamos e não queremos repetir os erros do passado quando da ocupação equivocada da Amazônia.
Já aprendemos com erros, precisamos, portanto, ousar com o novo modelo que leve em consideração as características ambientais, as populações de indivíduos de outras espécies que habitam a floresta. Temos que ser responsáveis com uso dos recursos hídricos existentes, tão importantes e valiosos para as gerações presentes e futuras. Enfim usar de forma racional todos os recursos naturais que temos no principal patrimônio nacional: A Floresta Amazônica.
1.2. Justificativa.
Tendo em vista o violento histórico que processo de reforma agrária na região amazônica, que culminou na grilagem de terras públicas, exploração irracional dos recursos ambientais, violência contra trabalhadores rurais (inclusive com a morte de Chico Mendes, Dorothy Stang, entre outros que tombaram por defender a região), povos indígenas e populações tradicionais, agravando os problemas socioambientais e deteriorando a qualidade de vida desses estratos da sociedade e provocando forte desequilíbrio nas dimensões que compõem o princípio da sustentabilidade.
O desenvolvimento sustentável da Amazônia depende mais de uma visão própria dos seus problemas socioambientais do que de modelos importados. Devendo respeitar a diversidade de seus ecossistemas, a diversidade socioeconômica e cultural de suas populações, considerando principalmente os interesses das populações locais. A estratégia de desenvolvimento sustentável para a Amazônia deve ter como ponto central a percepção do meio ambiente regional, a partir dos interesses diretos das populações locais. Nesse contexto, em condições de pobreza que imperam em grande parte na área rural da Amazônia, um conceito-chave para abordar os problemas ambientais dessa região é o entendimento das necessidades básicas da população.
Um dos pontos básicos colocados para uma estratégia de desenvolvimento sustentável é, sem dúvida, o crescimento econômico-social fundamental para a melhoria das condições de vida da população regional. Nessa direção, além de respeitar e centrar os objetivos nas populações regionais, o desenvolvimento sustentável da Amazônia requer ainda a consideração de vários outros aspectos e princípios.
O presente projeto tem como meta se tornar modelo mundial de reforma agrária, divisão de renda, a partir do manejo florestal de uso múltiplo e de baixo impacto.
Para que esta tenha meta possa ser cumprida precisamos de todo esforço conjunto entre sociedade civil e poder público. O acúmulo de conhecimentos científicos e de organização social é fundamental para o êxito do projeto.
2. PROJETO DE ASSENTAMENTO FLORESTAL - PAF
O PAF é uma modalidade de assentamento voltada para o manejo de recursos florestais em áreas com aptidão para a produção florestal familiar, comunitária e sustentável e é especialmente definido para a região Norte.
Além da extração de madeira, pretende-se explorar a produção de essências medicinais, plantas ornamentais, óleos vegetais, látex, resinas e gomas entre outros.
O PAF permite, também, o sequestro do carbono, a apartir da recuperação de áreas degradadas com reflorestamentos,exploração do ecoturismo e coleta de materiais genéticos para o desenvolvimento da biotecnologia.
3.
4.
5.
6. POTENCIALIDADES DO USO MÚLTIPLO DO PAF GLEBA CURUQUETÊ.
As possibilidades de exploração de uma floresta nativa, em qualquer parte do mundo, são inúmeras e em muitos casos desconhecidas. Essas possibilidades são ainda maiores e desconhecidas quando tratamos da maior floresta tropical do planeta.
Num primeiro momento quando falamos ou pensamos em exploração da floresta logo vem em mente o uso dos recursos madeireiros. Entretanto em se tratando de assentamento de trabalhadores rurais, somente esta possibilidade pode conduzir há um processo de empobrecimento da floresta e dependência de um único produto que acarretará com certeza além de desajustes sociais, uma economia frágil para o PAF.
A região do Purus-Madeira, área onde se encontra a região do Curuquetê apresenta uma grande riqueza de recursos naturais e de infinitas alternativas para o exercício do modelo em bases sustentáveis.
Quando nos referimos às bases sustentáveis, não falamos apenas em uso racional dos recursos naturais, falamos também com respeito às culturas locais, distribuição de forma justa da renda aferida a partir da agregação de valor aos produtos oriundos da floresta.
É preciso avançar na busca da produção de alimentos, que garantam a base alimentar dos assentados, mas com a qualidade do ponto de vista da saúde dos alimentos que serão consumidos pelos assentados e pelo consumidor final.Portanto o uso de insumos agrícolas deve levar em conta os aspectos que assegurem alimentos sadios e de boa qualidade.
Levantamentos superficiais, a partir de informações históricas e locais, apontam a existência de produtos que nos dão uma noção do tamanho da tarefa que nos espera.
Castanha do Brasil, borracha, óleo de copaíba, açaí, andiroba, cipós, entre outros produtos, além dos recursos hídricos e belezas paisagísticas.
Todos esses produtos nos remetem a inúmeras alternativas para a geração de trabalho e renda, tais como:
• Exploração madeireira de baixo impacto com agregação de valor aos produtos;
• Artesanato;
• Comercialização de sementes florestais, ou mesmo para reflorestamento das áreas degradadas e conseqüente entrada no mercado de seqüestro de carbono;
• Produção e comercialização de energia;
• Venda de óleos e resinas;
• Exploração econômica das paisagens naturais através do ecoturismo.
Tantas são as possibilidades, e maior deve ser a nossa criatividade para a implantação e implementação do PAF Curuquetê.
7. ESTRATÉGIA DE PROTEÇÃO SOCIOAMBIENTAL REGIONAL DO PAF GLEBA CURUQUETÊ
A área da Gleba Curuquetê, município de Lábrea/ Amazonas, foi em grande parte incluída no Parque Nacional do Mapinguari e Reserva Extrativista do Ituxi criados em 2008 pelo Instituto Chico Mendes.
A parte sudoeste da Gleba Curuquetê ficou fora das duas Unidades de conservação, tendo seu limite o Rio Curuquetê.
Nos tempos dos seringais o acesso a Gleba Curuquetê era feito por via fluvial, pelo Rio Purus e adentrando a montante pelo Rio Ituxi até seus tributários: Ciriquiqui, Coti e Curuquetê.
A partir do ano de 2000, a Gleba Curuquetê começou a ser ocupada por madeireiros (ilegalmente) do distrito de Vista Alegre do Abunã, vindos da BR.364, pelas estradas vicinais não pavimentadas denominadas Ramais: Ramal do JIQUITIBÁ, Ramal do Ipê. No avanço da frente de expansão rumo norte, estado do Amazonas, como é de práxis, vem em seguida o desmate pela ocupação de Grileiros da região e de Rio Branco, Acre; conforme pode ser visto nas imagens de Satélites LANDSAT TM5 ou CBERS.
O Ramal do Jatobá tem inicio na Cidade de Vista Alegre do Abunã no sentido norte e atravessa a divisa do Estado do Amazonas até o rio Curuquetê, ocupados por fazendeiros. Ramal do Ipê é uma extensão da Linha 01, sentido norte, que inicia na BR.364, aproximadamente 05 quilômetros, leste, da cidade de Vista Alegre do Abunã.
A região mais atingida com exploração de madeira e desmatamento da Gleba Curuquetê foi à parte Leste e nordeste da referida gleba.
A criação do Parque Nacional do Mapinguari dá-se num momento em que a frente de madeireiros e grileiros já estão há mais de 50 quilômetros no interior desta unidade de Conservação.
Com a criação do referido parque, tem-se uma demanda para a gestão desta área de preservação que é a regularização fundiária e desintrusão dos ocupantes e exploradores ilegais de madeiras.
A área proposta, apresentada pelo MCC está localizada na parte oeste da Gleba Curuquetê (o que ficou de fora das duas Unidades de Conservação criadas em 2008), onde esta menos antropizada.
A área proposta faz limites ao norte com o Parque Nacional do Mapinguari e Reserva Extrativista do Ituxi.
A Legislação que regulamenta atividades antrópicas no entrono de Unidades Conservação são: DECRETO N° 99.274, de 06 de junho de 1990, Resolução do CONAMA Nº 13/90, de 6 de dezembro de 1990; e na Lei Nº 9985/2000 ou Lei do SNUC.
- DECRETO N° 99.274, de 06 de junho de 1990:
Artigo 27 - Nas áreas circundantes das Unidades de Conservação, num raio de 10 km (dez quilômetros), qualquer atividade que possa afetar a biota ficará subordinada as normas editadas pelo CONAMA.
- RESOLUÇÃO CONAMA Nº 13/90, DE 6 DE DEZEMBRO DE 1990:
Art. 2º. Nas áreas circundantes das Unidades de Conservação, num raio de dez quilômetros, qualquer atividade que possa afetar a biota, deverá ser obrigatoriamente licenciada pelo órgão ambiental competente.
Parágrafo único. O licenciamento a que se refere o caput deste artigo só será concedido mediante autorização do órgão responsável pela administração da Unidade de Conservação.
- Lei Nº 9985/2000 ou Lei do SNUC:
Art. 2o Para os fins previstos nesta Lei, entende-se por:
XVIII - zona de amortecimento: o entorno de uma unidade de conservação, onde as atividades humanas estão sujeitas a normas e restrições específicas, com o propósito de minimizar os impactos negativos sobre a unidade.
Além do Parque Nacional do Mapinguari e da Reserva Extrativista do Ituxi, há mais 32 Áreas Protegidas entre Unidades de Conservação e Terras Indígenas formando um imenso Mosaico no sul do Amazonas, entre as bacia do Rio Juruá, Rio Purus e Rio Madeira, com a seguinte configuração:
• 08 Unidades de Conservação no Amazonas: Parque Nacional do Mapinguari; Reserva Extrativista do Ituxi; Floresta Nacional do Iquiri; Reserva Extrativista do Médio Purus; Floresta Nacional do Purus; Floresta Nacional Mapiá-Inauini; Reserva Extrativista Arapixi; Floresta Nacional Balata-Tufari;
• 03 Unidades de Conservação em Rondônia: Floresta Estadual de Rendimento Sustentável Rio Vermelho “B”; Estação Ecológica Mujica Nava; Estação Ecológica Serra dos Três Irmãos.
• 23 Terras Indígenas: TI. Boca do Acre; TI. Camisua, TI. Enauini/Teuini; TI. Igarapé Capana; TI. Peneri/Tacaquini; TI. Seruini/ Mariene; TI. Tumiã; TI. Alto Sepatini; TI. Acima; TI. São Pedro do Sepatini; TI. Guajahã; TI. Catipari/ Mamoria; TI. Água Preta/ Inari; TI. Camadeni; TI. Apurinã do Igarapé Mucuim; TI. Paumari do Lago Marahã; TI. Caititu; TI. Paumari do Rio Ituxi; TI. Jarawara/ Jamamadi/ Kanamati; TI. Banawa; TI. Hi-Merimã; TI. Zuruahã; TI. Deni; TI. Juma; TI. Kanamari do rio Juruá.
- Lei Nº 9985/2000 ou Lei do SNUC. Mosaico:
Art. 26. Quando existir um conjunto de unidades de conservação de categorias diferentes ou não, próximas, justapostas ou sobrepostas, e outras áreas protegidas públicas ou privadas, constituindo um mosaico, a gestão do conjunto deverá ser feita de forma integrada e participativa, considerando-se os seus distintos objetivos de conservação, de forma a compatibilizar a presença da biodiversidade, a valorização da sociodiversidade e o desenvolvimento sustentável no contexto regional.
- DECRETO Nº 4.340, DE 22 DE AGOSTO DE 2002, Regulamenta artigos da Lei no 9.985, de 18 de julho de 2000:
CAPÍTULO III
DO MOSAICO DE UNIDADES DE CONSERVAÇÃO
Art. 8o O mosaico de unidades de conservação será reconhecido em ato do Ministério do Meio Ambiente, a pedido dos órgãos gestores das unidades de conservação.
Art. 9o O mosaico deverá dispor de um conselho de mosaico, com caráter consultivo e a função de atuar como instância de gestão integrada das unidades de conservação que o compõem.
§ 1o A composição do conselho de mosaico é estabelecida na portaria que institui o mosaico e deverá obedecer aos mesmos critérios estabelecidos no Capítulo V deste Decreto.
§ 2o O conselho de mosaico terá como presidente um dos chefes das unidades de conservação que o compõem, o qual será escolhido pela maioria simples de seus membros.
Conjuntamente com o Plano de Manejo Florestal Sustentável Múltiplo e Comunitário propõe-se um Programa de Proteção da Flora e da Fauna na área Projeto de Assentamento Floresta Curuquetê.
Um cenário seria uma Gestão Integrada de Proteção Sócio-Ambiental do Mosaico do sul do Estado do Amazonas, onde a gestão do Plano de Manejo Florestal Sustentável Múltiplo e Comunitário terá convênios e ou Termos de Parceria com as gestões do Parque Nacional do Mapinguari e da Reserva Extrativista do Ituxi; de forma a otimizar os esforços de proteção ambiental e de fazer um acordo de ordenamento, via zoneamento, das áreas de uso para o manejo floresta múltiplo e de áreas de preservação no entorno das referidas Unidades de Conservação.
Visto a possibilidade de Instituto Chico Mendes criar posto de vigilância no final do Ramal Ipê, poderá ter como parceiro a comunidade do Assentamento Florestal Curuquetê. Bem como, criar brigadas contra incêndios e de proteção ambiental, com agentes ambientais voluntários advindos do próprio PAF.
Outro recurso natural a ser manejado com diretrizes e normas são os cursos d’água que nascem e formão o Rio Curuquetê, que a Jusante percorre o interior da Reserva Extrativista do Ituxi. Nesse caso é necessário um Programa de Uso dos e Proteção dos Recursos Hídricos de forma a manter as águas com qualidade e a abundante fauna aquática atual.
A população dos assentados no Projeto de Assentamento Florestal Curuquetê em suas atividades de consumo e produção agro-extrativista gera resíduos sólidos e líquidos. Este Plano indica um Programa de Gestão de Resíduos Sólidos de Líquidos, em duas situações:
1) Na geração de resíduos da área urbanizada;
2) Na geração de resíduos das atividades produtivas agro-extrativista.
Propõe-se usar metodologias e técnicas inovadoras neste Programa de Gestão de Resíduos Sólidos de Líquidos, que pretende viabilizar através de inclusão de parte deste programa nos Plano de Manejo Florestal Sustentável Múltiplo e Comunitário; ou em projetos específicos como no caso de geração de resíduos da área urbanizada.
8. GESTÃO DO PAF CURUQUETÊ
O êxito da consecução do PAF Gleba Curuquetê está diretamente vinculado à condução de sua gestão administrativo-financeira, inspiradas pelos princípios do associativismo e do cooperativismo. Tal empreendimento social deverá ser conduzido de maneira que possibilite uma inserção competitiva nos mercados onde lançarem seus produtos e serviços, dentro dos fundamentos empresariais que permitam uma inserção mercadológica e que permita a realização de resultados positivos e uma rendabilidade que o viabilize dentro das perspectivas econômica, financeira, contábil e trabalhista dentro de um rigor profissional que se assemelhe ao das empresas privadas que atuam em mercados semelhantes.
Em contrapartida, a distribuição dos benefícios, o controle e a participação dos associados deverão obedecer aos princípios da economia solidária, entendida como sendo é uma forma de produção, consumo e distribuição de riqueza (economia) centrada na valorização do ser humano - e não do capital - de base associativista e cooperativista, voltada para a produção, consumo e comercialização de bens e serviços, de modo autogerido, tendo como finalidade a reprodução ampliada da vida. Assim, nesta economia, o trabalho se transforma num meio de libertação humana dentro de um processo de democratização econômica, criando uma alternativa à dimensão alienante e assalariada das relações do trabalho capitalista.
Tal proposição se dá em virtude de um número significativo de empreendimentos sociais que malograram devido à dicotomia existente entre a economia de mercado e a economia solidária, onde muitas dúvidas na execução de empreendimentos solidários ocorrem por não conhecerem os princípios basilares do associativismo/cooperativismo, acarretando numa série de distorções que vão do trato gerencial/burocrático, como situações de apropriação indébita dos recursos gerados coletivamente por determinados dirigentes.
Outra situação recorrente, diz respeito ao pouco comprometimento e participação dos beneficiários na gestão desses projetos, os quais não se sentem pertencentes ao processo gestacional deixando que interesses inescrupulosos ganhem a atmosfera propiciam para se desenvolverem.
Outra forte preocupação desta proposta versa sobre a diversidade cultural existente entre o público beneficiário do projeto, pois o mesmo é composto por pessoas advindas da agricultura familiar nordestina e, principalmente sulista, e de extrativistas amazônicos. Este choque cultural, caso não seja bem trabalhado poderá refletir negativamente na gestão administrativo-financeira, pois cada grupo cultural tem sua forma de conduzir esses processos.
Nesta proposta busca-se a integração entre a agricultura familiar e o extrativismo, que para que se torne exitosa é necessário que se realize a sensibilização e a formação para dirimir possíveis atritos advindos do referido choque cultural e potencializar os aspectos positivos de todos os povos que constituirão a miscigenação para tornar o PAF Gleba Curuquetê um dos mais bem-sucedidos exemplos de gestão.
O sucesso do projeto traz em si, a possibilidade de replicação da experiência em demais localidades do Estado do Amazonas e da região amazônica. Neste contexto é de forte importância a difusão do conhecimento adquirido. Dessa forma, os gestores poderão ser replicadores desse modelo de gestão.
Outra importante característica a ser ressaltada nesta proposta é que o modelo de gestão que o PAF desencadeará está em direta consonância com os planos, programas e projetos desenvolvidos pelos governos federal, estadual e municipal, onde primará pela integração e potencialização das ações existentes e as que se desenvolverão a partir desta experiência, que primará pelos princípios da eficácia, eficiência e economicidade, bem como pelos princípios da sustentabilidade socioambiental.
9. FORMAÇÃO E CAPACITAÇÃO DOS ASSENTADOS NO PROJETO DE ASSENTAMENTO FLORESTA CURUQUETÊ.
A construção de um processo de formação e capacitação às famílias que serão assentadas no PAF Gleba Curuquetê deverá atender certos requisitos, em virtude do pioneirismo da proposta, bem como pelos antecedentes históricos de outras categorias de assentamentos da reforma agrária que malograram em suas experiências, muitas vezes pelo processo de formação e capacitação que não considerava algumas premissas básicas, concernentes à sua formação política, ao processo produtivo, à assistência técnica e à extensão rural, além de outras formas alternativas de produção às convencionalmente estabelecidas.
Para que seja um empreendimento exitoso, é proposto que o modelo de formação e capacitação para a execução do PAF Gleba Curuquetê ocorra de forma antecipada, isto é, se inicie antes da consecução dos trabalhos, tendo em vista que muitos dos problemas ocorridos com experiências anteriores ocorreram, pelo simples fato de que as famílias assentadas não dispunham da menor noção do enfrentariam.
E se estenda durante todo o tempo em que o projeto perdure, isto é, seja um processo de formação e capacitação contínuo.
Portanto, se faz necessário preparar as famílias para desenvolverem uma proposta inovadora de assentamento, para as mudanças nas dinâmicas socioeconômicas e ambientais que se desencadearão a partir da implantação e execução do PAF Gleba Curuquetê, para sua inserção nos mercados local, regional, nacional e internacional em condições favoráveis de competição, mantendo suas características culturais e o meio de vida que estão inseridos, bem como dos benefícios que poderão obter por estarem na zona de amortecimento do mosaico de áreas protegidas que formam o corredor ecológico já mencionado, principalmente pela posição limítrofe do PAF Gleba Curuquetê com o Parque Nacional Mapinguari e da Reserva Extrativista Ituxi.
Capacitar as lideranças comunitárias das comunidades para o fortalecimento das organizações sociais e para a gestão de empreendimentos solidários, visando o fortalecimento institucional, o treinamento de um corpo funcional preparado para gestão dos empreendimentos que advirão da implantação do PAF, para a multiplicação e difusão das informações junto às comunidades para a consolidação de uma cultura participativa, com responsabilidade coletiva, dentro dos princípios da sustentabilidade e da solidariedade.
Bem como, capacitar as famílias atendidas, para as atividades que serão desencadeadas pelo PAF, através de sua da preparação para a realização do processo produtivo, dentro dos procedimentos técnicos e métodos de produção adequados à região e para a operacionalização dos equipamentos que serão utilizados no processo, visando inserção da produção familiar no mercado local, regional, nacional e internacional, através de técnicas adequadas que garantam a qualidade do produto ofertado.
Quanto aos procedimentos didático-pedagógicos, serão adotados, de acordo com a necessidade, e serão utilizadas as várias vertentes que possibilitem mais adequadamente, de forma dialógica, aproximar o ser humano e o meio ambiente, através do manejo da biodiversidade, dentro da perspectiva de sua sobrevivência e as relações externas, tanto de mercado como de atuação nos movimentos sociais e da proteção ambiental, onde se busque a elevação do senso crítico e auto-crítico que possibilite às famílias a total integração com essa nova proposta e com os princípios da sustentabilidade.
Para tanto, o processo de capacitação terá como elementos estruturadores:
a) A Formação política para a organização social e fortalecimento institucional das famílias e organizações que serão contempladas pelo PAF Gleba Curuquetê, para formação de lideranças locais existentes e surgimento de novas lideranças, e que instrumentalize-os a participarem dos fóruns de debates e conselhos onde poderão exercer o controle a participação social.
b) A gestão de empreendimentos solidários existentes decorrentes da implantação do PAF Gleba Curuquetê, de modo a estruturar grupos gestores para o desenvolvimento das atividades previstas no Plano de Implantação do PAF;
c) A adoção de boas práticas produtivas que permitam a substituição às práticas nocivas à saúde e à segurança alimentar, tal qual a utilização, em larga escala, de pesticidas;
d) O treinamento dos produtores que trabalham com os produtos que serão beneficiados pelas unidades de processamento, bem como do manejo florestal comunitário, visando garantir o fornecimento de produtos às referidas unidades dentro de um padrão de qualidade que permita atingir a certificação técnica e sanitária necessárias para consumo, para atender os diversos mercados onde estará inserido, de acordo com a quantidade demandada;
e) O treinamento dos trabalhadores que irão operar as unidades produtivas, visando a utilização adequada das máquinas e equipamentos necessários para o beneficiamento dos produtos que serão levados ao consumidor final, com os critérios de segurança do trabalho exigidos pela legislação brasileira.
10. EFEITOS MULTIPLICADORES ESPERADOS
Tendo em vista o grande passivo ambiental gerado por anos de exploração que não respeitou a vocação amazônica para um modelo alternativo de desenvolvimento, e que teve a primazia por atividades que impactaram sobremaneira os ecossistemas e a biodiversidade amazônica, principalmente nos estados que compõem o conhecido Arco do Desflorestamento, mais notadamente nos estados do Pará, Mato Grosso e Rondônia, as quais foram responsáveis por uma parcela significativa dos conflitos agrários ocorrentes na região, pela grilagem de terras públicas, pela extração de madeira ilegal, pela violência no campo, pela morte de povos indígenas, populações tradicionais e de trabalhadores do campo.
A replicação do referido modelo vem, com considerável velocidade, se reproduzindo no Estado do Amazonas, precisamente ao sul do Município de Lábrea, onde, de acordo com os documentos e mapas enviados à Ouvidoria Agrária Nacional – OAN e à Superintendência Regional do INCRA/AM pelo Movimento Camponês Corumbiara – MCC - e que se encontram anexados à proposta.
Tal situação deve sofrer uma imediata intervenção para que não avance de forma virulenta as frentes de expansão madeireira, agropecuária e mineral, características do processo de ocupação regional da Amazônia Ocidental, principalmente do Estado de Rondônia. E que possa servir como mecanismo de fomento para tais atividades, muitas vezes ilegais. Já que o foco da ação antrópica ocorre no Distrito de Vista Alegre do Abunã, Município de Porto Velho–RO, local em que vem ocorrendo a venda da madeira retirada ilegalmente da área destinada ao PAF Gleba Curuquetê, conforme os documentos, em anexo.
Diante de tal situação e, ainda com uma potencialidade ainda não avaliada dentro dos parâmetros técnicos, mas quando observadas de maneira superficial, apresenta forte potencial biodiverso que poder ser prospectado para o aproveitamento econômico das famílias que serão assentadas no PAF Gleba Curuquetê.
O que se podem vislumbrar como cenários futuros, no que diz respeito aos efeitos multiplicadores advindos da implantação do referido PAF e de acordo com o estudo de potencialidades é:
1) Curto Prazo:
• Hortifrutigranjeiros: Cultivo de hortaliças, frutas e criação de galinhas e suínos . No primeiro momento tais atividades se apresentarão como forma de subsistência, para suprir as necessidades alimentares do acampamento. No segundo momento, havendo o excedente da produção, o mesmo será comercializado nos mercados próximos, principalmente no Estado do Amazonas, onde tal produção ainda é inexpressiva e onde tais produtos possuem preços muito elevados nos mercados, sendo que uma produção expressiva de tais produtos poderá ser negociada a preços menores, beneficiando os consumidores.
• Extrativismo: Coleta e venda da castanha, borracha, óleo de copaíba, entre outros produtos florestais não-madeireiros que precisam, no entanto, tornar-se sustentável, mas que de imediato poderão servir como incremento de renda às famílias.
Cabe ressaltar que, apesar das dificuldades iniciais e da fase adaptativa, o processo produtivo agroextrativista do PAF Curuquetê primará pela adoção de boas práticas produtivas para que se possa buscar a certificação agroecológica de seus produtos, dentro do tempo hábil necessário para tal, o que certamente agregará maior valor aos produtos e contribuirá para uma forma de produção sócio-participativa.
2) Médio e Longo Prazos
• Piscicultura: Se configura em outra fonte protéica para as famílias assentadas, bem como em outra potencialidade econômica, tendo em vista que o pescado, culturalmente, faz parte dos hábitos alimentares da região. Além disso, é uma atividade de baixo impacto ambiental e de alta produtividade, se comparada com atividade pecuária bovina, e que não há necessidade de abertura de grandes áreas, não pressionando à cobertura florestal primária e poderá ser efetivada em áreas abertas ou de capoeira.
• Artesanato: É outra atividade que poderá ser desenvolvida aproveitando os produtos agroextrativistas existentes, o que além de gerar um incremento de renda, é uma atividade que pode servir para aglutinar a juventude e as mulheres, principalmente na produção de biojóias, da marchetaria entre outras formas de artesanato.
• Produtos florestais:
- Madeireiros: Se configura, a priori, até mesmo por ser a característica do modelo de assentamento, que preconiza a exploração florestal madeireira, esta, por imposição legal deverá ser realizada dentro das técnicas de baixo impacto e com participação comunitária. Outro fator de extrema importância dentro deste processo é o beneficiamento dos produtos madeireiros (além da serragem e das sobras de madeiras), que buscará a verticalização da cadeia produtiva, de onde sairá o produto acabado, pronto para ser comercializado, seja na forma de móveis, portas, janelas ou da madeira certificada, o que agregará valor ao produto local, através da geração de empregos e incremento da renda, bem como, da garantia da perenidade dos recursos florestais e hídricos, tendo em vista que a região é local de várias nascente, sendo a principal as cabeceiras do rio Curuquetê.
- Movelaria: Esta atividade apesar de fazer parte do portfólio de atividades madeireiras, se configura em uma potencialidade para o PAF Gleba Curuquetê, tendo em vista o caráter experimental no que se refere a implantação de um pólo moveleiro, onde será necessário investimento na área de treinamento para formação de designers de móveis, o que agregará maior valor ao produto, por estar localizado na Amazônia e ser fruto da criação de designers locais, o que demonstra um forte avanço da atividade madeireira, que até bem pouco tempo só exportava o produto in natura.
- Não-Madeireiros: São produtos florestais não-lenhosos de origem vegetal e animal, bem como serviços socioambientais, bem como reservas extrativistas, seqüestro de carbono, comunicação genética e outros benefícios oriundos da manutenção da floresta. Se constituem na principal fonte de renda e alimentos de milhares de famílias que vivem da extração florestal. Produtos como óleos fixos e essenciais, frutos, amêndoas, fibras, corantes, plantas fitoterapêuticas, entre outros. Se apresentam como oportunidade real para o incremento da renda das famílias agroextrativistas, seja seu uso em manejo ou cultivos domesticados. O que será de grande relevância para o PAF, por sua característica de zona de amortecimento do Parque Nacional Mapinguari e da Resex Ituxi, no que diz respeito à manutenção dos ecossistemas e da biodiversidade local.
• Ecoturismo: Outra atividade com potencialidade a ser desenvolvida diz respeito ao ecoturismo, principalmente após o levantamento da área do PAF Gleba Curuquetê e da elaboração do Plano de Manejo do Parque Nacional Mapinguari, que apontará as áreas destinadas para tal atividade.
• Produção de energia: Por estar localizada nas cabeceiras do rio Curuquetê, a incidência de potencial hidrelétrico é uma potencial atividade a ser estudada, para verificar a possibilidade de exploração de tal atividade.
Dessa forma, as perspectivas para implantação do PAF Gleba Curuquetê e de uso dos recursos existentes na área são positivas tanto do ponto de vista da solução de problemas de conflitos agrários, pois com a criação e delimitação do perímetro do PAF Gleba Curuquetê, a situação dominial do principal foco de conflitos no Estado Amazonas seria solucionado, o que, por sua vez e com a devida atuação do Poder Público (federal, estadual e municipal) na referida área afastaria as possíveis pressões por invasão de terras na região, afastando assim o foco do problema.
Outro fator significativo será o zoneamento das áreas destinadas à produção, à exploração madeireira e preservação o que é de extrema importância para a conservação e manutenção dos corredores ecológicos, bem como para a recuperação da área a ser explorada.
O ganho de produtividade das áreas a serem utilizadas para a criação e para os cultivares, a priori, serão maiores devido à adoção de boas práticas produtivas, que possibilitará suprir a necessidade por alimentos das famílias assentadas, o que permitirá acabar com a dependência das cestas básicas de programas assistenciais, bem como de interesses escusos de determinadas pessoas que se aproveitam da situação de fome para cooptar e desmobilizar lideranças dos movimentos sociais.
Permitirá venda do excedente da produção com maior valor agregado, além de fornecer alimentos aos mercados locais e regionais com preços mais acessíveis aos consumidores.
No que diz respeito ao roubo de madeira, com a adoção do Plano de Manejo Florestal Sustentável e Comunitário do PAF Gleba Curuquetê, permitirá aos assentados trabalharem dentro do preconiza a legislação brasileira, além de coibir as atividades ilegais, pois a madeira terá sua procedência registrada e, ainda se buscará a certificação florestal visando agregar valor tanto à madeira como aos sub-produtos da exploração dos produtos florestais. Permitindo maior controle por parte das autoridades e a perenidade dos recursos florestais e hídricos.
Quanto aos produtos não-madeireiros, o entorno natural proporcionará uma infinidade de benefícios, na forma de bens e serviços, denominados como serviços ecossistêmicos, como alimentos, madeira, água potável, energia, proteção contra as enchentes, contra a erosão do solo e principalmente do seqüestro do carbono por emissões evitadas. O que terá forte impacto nas discussões a respeito da Conferência das Partes – COP 15, da Convenção sobre a Biodiversidade, a qual certamente a proposta do PAF se configurará em uma das soluções para o problema do desmatamento e queimadas que serão apresentadas pelo Brasil, na cidade de Copenhagen, na Dinamarca, no mês de dezembro de 2009.
Onde, a perspectiva para uma experiência exitosa do PAF Gleba Curuquetê traz consigo uma nova dinâmica socioambiental e econômica, principalmente no que se refere à área das Ciências Econômicas, que se refere à Economia dos Ecossistemas e da Biodiversidade, qual buscará novas formas de valoração dos recursos ambientais e onde essa experiência pioneira já se encontra integrada com seus princípios, apesar de ser um ramo muito novo, mas que terá possibilidades promissoras no trato da reversão do quadro de mudanças climáticas e do aquecimento global, os quais se configuram no principal problema vivenciado pelo planeta.
Portanto, esta é a proposta dos camponeses e extrativistas para inserir um modelo de desenvolvimento que realmente preconize o equilíbrio entre a economia, o meio ambiente e a justiça social, na qual a geração presente utilize os recursos ambientais e garanta a satisfação das necessidades das gerações futuras, de forma realmente sustentável.
11. ETAPAS DE IMPLEMENTAÇÃO DO PAF CURUQUETÊ
8.1 – Identificações dos Limites e Portaria de Criação do PAF Curuquetê – Responsabilidade: INCRA
8.2 – Demarcações do Projeto de Assentamento - PAF Curuquetê. Responsabilidade: INCRA
8.3 – Diagnóstico Socioambiental Participativo
Responsabilidade: CONSULTORES/ ASSCEDAM
8.4 – Zoneamentos do PAF
Responsabilidade: CONSULTORES/ASSCEDAM
8.5 – Plano de Desenvolvimento do Assentamento Curuquetê Responsabilidade: CONSULTORES/ASSCEDAM
8.6 – Inventário Florestal Múltiplo Participativo
Responsabilidade: SFB
8.7 – Plano de Manejo Florestal Sustentável Múltiplo e Comunitário.
Responsabilidade: CONSULTORES/ASSCEDAM
12. EQUIPE TÉCNICA RESPONSÁVEL PELA ELABORAÇÃO DA PROPOSTA
• EMERSON LUIZ NUNES AGUIAR – Economista, especialista em Educação Ambiental e Desenvolvimento Sustentável.
• ROGÉRIO VARGAS MOTTA – Engenheiro Agrônomo, Especialista em Análise Ambiental.
• OSVALDO LUIZ PITTALUGA E SILVA – Engenheiro Florestal.
• FLÁVIO TIALLET – Engenheiro Florestal
13. ENTIDADES ENVOLVIDAS
MCC ASSOCIAÇÃPO asscedam
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PROPOSTA DE PROJETO DE ASSENTAMENTO FLORESTAL NO SUL DO MUNICÍPIO DE LÁBREA-AM RAMAL JEQUITIBÁ GLEBA CUREQUETÊ 813.000 HÁ DA UNIÃO FEDERAL JÁ REQUERIDA PELO INCRA DO AM PARA Reforma Agrária
1º A solicitação refere à Gleba Curuquetê, área situada ao Sul do Município de LÁBREA-AM, precisamente na divisa do Estado do Amazonas com o Estado de Rondônia, perfazendo um total de 813.182,1180 ha. Para assentamento de famílias do Movimento Camponês Corumbiara – MCC, com proposta de concessão pela Superintendência do INCRA-AM na pessoa da atual superintendente, Dra. Maria do Socorro Marques Feitosa. A solicitação é para uma área de 50.000,00 Ha. (cinqüenta mil hectáres), para beneficiar 100 famílias, sendo esta, uma forma de garantir a proposta de REFORMA AGRÁRIA séria, mansa e pacífica sendo esta a proposta do Presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva.
2º A área em epígrafe, encontra-se com alto risco de devastação, por inescrupulosos destruidores da nossa floresta, que só nessa gleba, saqueiam (roubam) diariamente mais de 40 Julietas (grandes caminhões de duas composições) de madeira, sem nenhuma autorização do órgão competente que é o IBAMA, muito menos respeitam o que determina a legislação ambiental vigente, ou seja, a proteção da flora, fauna e matas ciliares, tudo isso aconteceu um ano atrás e continua acontecendo hoje de outras formas à irregularidade.
3º Destacamos a necessária urgência, antes que os grileiros destruam toda nossas florestas e os recursos naturais da nossa tão cobiçada biodiversidade, bem como, as áreas especialmente protegidas, como já ocorrem a mais de uma década, com total descumprimento do que determina a Lei Federal No. 9.605 de 12 de fevereiro de 1998. Os clientes da Reforma Agrária sendo expulsos por alguns fazendeiros e nem todos como também tem muitos de boa Fé e os outros de ma fé, gozando da falta da presença do poder público do AM e do Brasil.
PROPOSTA
4º O Movimento Camponês Corumbiara – MCC solicita dessa Superintendência, um Projeto de Assentamento Florestal-PAF na Gleba Curuquetê, Sul do Município de LÁBREA-AM, divisa dos Estados do Amazonas e Rondônia.
A proposição nos leva a assumir o compromisso de garantir para o órgão gestor da reforma agrária, INCRA-AM. A nossa capacidade e experiência acumulada em dirigir um Projeto de Assentamento Florestal - PAF, antes que venha exterminar todas as essências florestais que são economicamente comprovadas, viáveis que hoje tem servido para o enriquecimento ilícito de meia dúzia de madeireiros que não gosta de trabalhar de forma legal, como também tem aquele que trabalham legal sofre por caso dos ilegalista, sendo que acaba com as tais essências como: copaíba, látex, resinas, gomas, taninos, açaí, castanha do Brasil, pupunha, sementes diversas (matéria-prima para artesanato) corantes, cipós, raízes, talas e ervas medicinais com alto poder de cura etc.,
5º O plano de manejo madeireiro e não madeireira é uma forma de garantir a sustentabilidade socioeconômica e ambiental dos camponeses.
Assim que o projeto for implantado, todos os beneficiários receberão treinamento e serão capacitados nessas áreas, possibilitando o desenvolvimento de atividades de geração de renda, sem necessidade de desmatar, para assegurar benefícios sociais de geração de emprego e renda. No modelo de PAF cada beneficiário, poderá utilizar uma área de ate 10 hectares bem ordenado, de uma forma Comunitária possibilitará o desenvolvimento de atividades agrícolas, como consórcios agro-florestais comerciais, piscicultura de baixo impacto, apicultura, meliponicultura, horta doméstica, pomar doméstico, criação de pequenos animais, entre outros.
6º INCRA e IBAMA Trabalharão juntos na Criação do Projeto de Assentamento Florestal Comunitário Curuquetê PAF, para que possa ocorrer sua criação é preciso coibir as atividades ilegais, que ocorrem a mais de dez anos, ex. invasão de terras públicas sem a autorização oficial do INCRA por não ser cliente da Reforma Agrária, os criminosos que invadem a floresta Amazônica Brasileira, ferem a lei supracitada e não são indiciados ou presos por assassinarem o meio-Ambiente e vários trabalhadores que trabalhavam para sustentar sua famílias, como comprova os dados da comissão nacional de combate á violencia no campo, entre eles os que não querem a legalidade por ser só especulador, e aqueles que querem ficam refém dos ilegalista, e tendo mais dezenas que não são desse perfil. No entanto, com o PAF, evitaremos a comercialização criminosa de terras públicas, como também as invasões de grandes áreas para o roubo de madeira e outras práticas ilícitas como ocorre na região de acordo com as denúncias e a constatação dos órgãos e da própria Justiça sobre os desmatamentos, queimadas e as invasões na floresta amazônica.
7º Para barrar ou minimizar a destruição e as ilegalidades, o INCRA e o IBAMA devem efetuar os cadastros de clientes da reforma Agrária, com isso o movimento vem apresentar, levando em conta o levantamento ocupacional, realização de vistorias técnicas, elaboração do projeto adequando às normas e as leis ambientais.
8º QUEM PODE SER BENIFICIADO PELO PAF JEQUITIBA
As pessoas que são cliente da reforma agrária, ou seja, os trabalhadores rurais que ainda não possuem terras, valem ressaltar que é preciso estar disposto e ciente de que para ser um assentado tem que estár de acordo com as normas deste modelo de assentamento, que é o Assentamento Florestal Comunitário, onde terá o uso familiar de até 10 hectares e os demais serão patrimônios de uso e beneficio comum.
9º QUEM NÃO PODERÁ SER BENEFICIADO PELA REFORMA AGRÁRIA.
A lei não permite que algumas pessoas sejam beneficiarias da reforma agrária. Quando forem:
-Funcionários públicos;
-Empregados da iniciativa privada com registros em CTPS;
-Profissionais liberais de qualquer categoria;
-Empresários de qualquer ramo de atividade;
-Antigos beneficiados pela reforma agrária ou que venderam seus lotes.
10º ENTRAVES
Há os que não se interessam pela implantação do PAF Jequitibá-AM. Os quais caracteristicamente são invasores de terras publicas que só interessam em extrair madeiras de forma ilegal, fazer grandes pastos para pecuária. Portanto, é necessário não considerar os argumentos de quem intenciona ser cliente da reforma agrária, com fins escusos que desvirtuam o real fim que as normas postas pelo órgão gestor (INCRA em parceria com o IBAMA), dessa forma a destinação se adequar juntamente com o Governo do Estado, conforme o compromisso a ser oficializado e assumido em um TERMO DE AJUSTAMENTO DE CONDUTA que envolverá os Órgãos Federais; INCRA e IBAMA e a SEPROR como Órgão do Estado do Amazonas.
11º Queremos citar um exemplo: onde o INCRA e o IBAMA vão ser parceiro definitivamente do Movimento Camponês Corumbiara, para garantir o cumprimento de todas as leis e as nossas florestas com uma melhor exploração dentro da legalidade, por ventura ser grupos de 50 ou 100 famílias com um total de 500 Ha, se pode regularizar até 1500ha para cada familia.porque não regularizar 500 hectares no PAF aprovando um talhão de manejo por ano, de 1.000 há, tirando 10. mt, por hectare, dará um total de 10.000 mil Cúbico por ano.
12º Toda essa quantia de madeira, garantirá por ano, um grande capital. Não há madeireira que beneficie mais do que essa quantidade de madeira, neste cálculo mostra o quanto às destruições são prejudicial, para a natureza e para a sociedade de uma forma geral, podemos dar outro exemplo: é uma coleta de meio litro de óleo de copaíba a cada oito dias com mil árvores, teremos 500 litros de óleo, isso tudo de forma legal junto ao IBAMA, considerando que pelo plano de manejo um litro de óleo vale no mercado setenta Reais, teremos trinta e cinco mil Reais em oito dias para cada 50 ou 100 família, sem contar com a renda oriunda de outros produtos da floresta para os camponeses de um PAF que são legal dentro da exploração com plano de manejo.
MODELO DO PROJETO
1º Pólo produtivo de 80 hectares:
2ºÁrea para agricultura Familiar produzindo comunitariamente, por causa das mãos de obras em geral, até 10 hectares de direito tudo com contrato de concessão de uso e o termo de ajustamento de conduta com os órgãos competentes de cada pessoa Assentada e até ser empresário rural dentro de sua propriedade se o governo nos ajudar se capacitar.
3º Manejo Madeireiro: Onde vai funcionar uma Serra fita, uma laminadora, Marcenaria de moveis, Fábrica de cabo de faca, vassoura, rodo, escova de lavar roupa, cabos de ferramentas em geral, portas, Janelas, moveis em geral, carroceria de caminhões, compensados, Assoalho, Forro, portal, etc., Isso para não perder 20 centímetro de madeira.
4º Manejo não madeireiro para industrializar todos os produtos que consta na proposta, no Item 3º,
5º Área de Agricultura Familiar: tudo comunitária por caso das mãos de obras para gerencial dos equipamentos da industrialização, e comercialização dos nossos produtos dos Assentados tudo industrializados. No pólo Produtivo, por isso vamos ter cada 50 ou grupo de 100 Famílias, seis represas de peixes de uma hectare cada represa, uma granja de porcos de raça com cem matriz para cada represa, e 200 marrecas, cada represa.
Um Aviário de trinta mil frangos, um Aviário de dez mil Galinhas ponhadeiras, um aviário de dez mil codornas, Mil caixa de abelha, 300 vaca de leite na cocheira, Criame de perus, avestruz, tudo isso por não ter criação de gado. E a lavoura ou reflorestamentos para enriquecimento da floresta.
5º Pólo produtivo onde vai ser industrializado todo o produto, dos Assentados onde vai ter todo o gerenciamento das indústrias e comercialização. Tem que ter o local para privacidades dos Assentados, local para área social, educacional, Saúde, e comercial,industrial e ainda áreas de alojamentos ou moradias para funcionários que serão contratados pelos assentados. Fica uma Pergunta no Ar? quantas pessoas os Clientes da Reforma Agrária vão ter que contratar para gerenciar e produzir como deve o Assentamento Florestal. Só assim que vamos mostrar como acabar com a Farra das Ilegalidades que existem na Amazônia.
Porto Velho, 26 de Outubro de 2007.
Adelino Ramos
Assessoria do MCC
2º A área em epígrafe, encontra-se com alto risco de devastação, por inescrupulosos destruidores da nossa floresta, que só nessa gleba, saqueiam (roubam) diariamente mais de 40 Julietas (grandes caminhões de duas composições) de madeira, sem nenhuma autorização do órgão competente que é o IBAMA, muito menos respeitam o que determina a legislação ambiental vigente, ou seja, a proteção da flora, fauna e matas ciliares, tudo isso aconteceu um ano atrás e continua acontecendo hoje de outras formas à irregularidade.
3º Destacamos a necessária urgência, antes que os grileiros destruam toda nossas florestas e os recursos naturais da nossa tão cobiçada biodiversidade, bem como, as áreas especialmente protegidas, como já ocorrem a mais de uma década, com total descumprimento do que determina a Lei Federal No. 9.605 de 12 de fevereiro de 1998. Os clientes da Reforma Agrária sendo expulsos por alguns fazendeiros e nem todos como também tem muitos de boa Fé e os outros de ma fé, gozando da falta da presença do poder público do AM e do Brasil.
PROPOSTA
4º O Movimento Camponês Corumbiara – MCC solicita dessa Superintendência, um Projeto de Assentamento Florestal-PAF na Gleba Curuquetê, Sul do Município de LÁBREA-AM, divisa dos Estados do Amazonas e Rondônia.
A proposição nos leva a assumir o compromisso de garantir para o órgão gestor da reforma agrária, INCRA-AM. A nossa capacidade e experiência acumulada em dirigir um Projeto de Assentamento Florestal - PAF, antes que venha exterminar todas as essências florestais que são economicamente comprovadas, viáveis que hoje tem servido para o enriquecimento ilícito de meia dúzia de madeireiros que não gosta de trabalhar de forma legal, como também tem aquele que trabalham legal sofre por caso dos ilegalista, sendo que acaba com as tais essências como: copaíba, látex, resinas, gomas, taninos, açaí, castanha do Brasil, pupunha, sementes diversas (matéria-prima para artesanato) corantes, cipós, raízes, talas e ervas medicinais com alto poder de cura etc.,
5º O plano de manejo madeireiro e não madeireira é uma forma de garantir a sustentabilidade socioeconômica e ambiental dos camponeses.
Assim que o projeto for implantado, todos os beneficiários receberão treinamento e serão capacitados nessas áreas, possibilitando o desenvolvimento de atividades de geração de renda, sem necessidade de desmatar, para assegurar benefícios sociais de geração de emprego e renda. No modelo de PAF cada beneficiário, poderá utilizar uma área de ate 10 hectares bem ordenado, de uma forma Comunitária possibilitará o desenvolvimento de atividades agrícolas, como consórcios agro-florestais comerciais, piscicultura de baixo impacto, apicultura, meliponicultura, horta doméstica, pomar doméstico, criação de pequenos animais, entre outros.
6º INCRA e IBAMA Trabalharão juntos na Criação do Projeto de Assentamento Florestal Comunitário Curuquetê PAF, para que possa ocorrer sua criação é preciso coibir as atividades ilegais, que ocorrem a mais de dez anos, ex. invasão de terras públicas sem a autorização oficial do INCRA por não ser cliente da Reforma Agrária, os criminosos que invadem a floresta Amazônica Brasileira, ferem a lei supracitada e não são indiciados ou presos por assassinarem o meio-Ambiente e vários trabalhadores que trabalhavam para sustentar sua famílias, como comprova os dados da comissão nacional de combate á violencia no campo, entre eles os que não querem a legalidade por ser só especulador, e aqueles que querem ficam refém dos ilegalista, e tendo mais dezenas que não são desse perfil. No entanto, com o PAF, evitaremos a comercialização criminosa de terras públicas, como também as invasões de grandes áreas para o roubo de madeira e outras práticas ilícitas como ocorre na região de acordo com as denúncias e a constatação dos órgãos e da própria Justiça sobre os desmatamentos, queimadas e as invasões na floresta amazônica.
7º Para barrar ou minimizar a destruição e as ilegalidades, o INCRA e o IBAMA devem efetuar os cadastros de clientes da reforma Agrária, com isso o movimento vem apresentar, levando em conta o levantamento ocupacional, realização de vistorias técnicas, elaboração do projeto adequando às normas e as leis ambientais.
8º QUEM PODE SER BENIFICIADO PELO PAF JEQUITIBA
As pessoas que são cliente da reforma agrária, ou seja, os trabalhadores rurais que ainda não possuem terras, valem ressaltar que é preciso estar disposto e ciente de que para ser um assentado tem que estár de acordo com as normas deste modelo de assentamento, que é o Assentamento Florestal Comunitário, onde terá o uso familiar de até 10 hectares e os demais serão patrimônios de uso e beneficio comum.
9º QUEM NÃO PODERÁ SER BENEFICIADO PELA REFORMA AGRÁRIA.
A lei não permite que algumas pessoas sejam beneficiarias da reforma agrária. Quando forem:
-Funcionários públicos;
-Empregados da iniciativa privada com registros em CTPS;
-Profissionais liberais de qualquer categoria;
-Empresários de qualquer ramo de atividade;
-Antigos beneficiados pela reforma agrária ou que venderam seus lotes.
10º ENTRAVES
Há os que não se interessam pela implantação do PAF Jequitibá-AM. Os quais caracteristicamente são invasores de terras publicas que só interessam em extrair madeiras de forma ilegal, fazer grandes pastos para pecuária. Portanto, é necessário não considerar os argumentos de quem intenciona ser cliente da reforma agrária, com fins escusos que desvirtuam o real fim que as normas postas pelo órgão gestor (INCRA em parceria com o IBAMA), dessa forma a destinação se adequar juntamente com o Governo do Estado, conforme o compromisso a ser oficializado e assumido em um TERMO DE AJUSTAMENTO DE CONDUTA que envolverá os Órgãos Federais; INCRA e IBAMA e a SEPROR como Órgão do Estado do Amazonas.
11º Queremos citar um exemplo: onde o INCRA e o IBAMA vão ser parceiro definitivamente do Movimento Camponês Corumbiara, para garantir o cumprimento de todas as leis e as nossas florestas com uma melhor exploração dentro da legalidade, por ventura ser grupos de 50 ou 100 famílias com um total de 500 Ha, se pode regularizar até 1500ha para cada familia.porque não regularizar 500 hectares no PAF aprovando um talhão de manejo por ano, de 1.000 há, tirando 10. mt, por hectare, dará um total de 10.000 mil Cúbico por ano.
12º Toda essa quantia de madeira, garantirá por ano, um grande capital. Não há madeireira que beneficie mais do que essa quantidade de madeira, neste cálculo mostra o quanto às destruições são prejudicial, para a natureza e para a sociedade de uma forma geral, podemos dar outro exemplo: é uma coleta de meio litro de óleo de copaíba a cada oito dias com mil árvores, teremos 500 litros de óleo, isso tudo de forma legal junto ao IBAMA, considerando que pelo plano de manejo um litro de óleo vale no mercado setenta Reais, teremos trinta e cinco mil Reais em oito dias para cada 50 ou 100 família, sem contar com a renda oriunda de outros produtos da floresta para os camponeses de um PAF que são legal dentro da exploração com plano de manejo.
MODELO DO PROJETO
1º Pólo produtivo de 80 hectares:
2ºÁrea para agricultura Familiar produzindo comunitariamente, por causa das mãos de obras em geral, até 10 hectares de direito tudo com contrato de concessão de uso e o termo de ajustamento de conduta com os órgãos competentes de cada pessoa Assentada e até ser empresário rural dentro de sua propriedade se o governo nos ajudar se capacitar.
3º Manejo Madeireiro: Onde vai funcionar uma Serra fita, uma laminadora, Marcenaria de moveis, Fábrica de cabo de faca, vassoura, rodo, escova de lavar roupa, cabos de ferramentas em geral, portas, Janelas, moveis em geral, carroceria de caminhões, compensados, Assoalho, Forro, portal, etc., Isso para não perder 20 centímetro de madeira.
4º Manejo não madeireiro para industrializar todos os produtos que consta na proposta, no Item 3º,
5º Área de Agricultura Familiar: tudo comunitária por caso das mãos de obras para gerencial dos equipamentos da industrialização, e comercialização dos nossos produtos dos Assentados tudo industrializados. No pólo Produtivo, por isso vamos ter cada 50 ou grupo de 100 Famílias, seis represas de peixes de uma hectare cada represa, uma granja de porcos de raça com cem matriz para cada represa, e 200 marrecas, cada represa.
Um Aviário de trinta mil frangos, um Aviário de dez mil Galinhas ponhadeiras, um aviário de dez mil codornas, Mil caixa de abelha, 300 vaca de leite na cocheira, Criame de perus, avestruz, tudo isso por não ter criação de gado. E a lavoura ou reflorestamentos para enriquecimento da floresta.
5º Pólo produtivo onde vai ser industrializado todo o produto, dos Assentados onde vai ter todo o gerenciamento das indústrias e comercialização. Tem que ter o local para privacidades dos Assentados, local para área social, educacional, Saúde, e comercial,industrial e ainda áreas de alojamentos ou moradias para funcionários que serão contratados pelos assentados. Fica uma Pergunta no Ar? quantas pessoas os Clientes da Reforma Agrária vão ter que contratar para gerenciar e produzir como deve o Assentamento Florestal. Só assim que vamos mostrar como acabar com a Farra das Ilegalidades que existem na Amazônia.
Porto Velho, 26 de Outubro de 2007.
Adelino Ramos
Assessoria do MCC
Nota dos movimentos sociais
Entidades condenam assassinatos e violência contra lideranças sociais e ambientalistas na Amazônia
Escrito por: Central Única dos Trabalhadores do Brasil (CUT), Movimentos dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST/ Via Campesina), Marcha Mundial das Mulheres (MMM), Central dos Movimentos Populares (CMP), Assembléia Popular (AP)
A Central única dos Trabalhadores do Brasil – CUT, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra – MST, a Via Campesina a Marcha Mundial das Mulheres – MMM a Assembléia Popular – AP e a Central dos Movimentos Populares - CMP, de forma unificada condenam os assassinatos e violência contra lideranças sociais e ambientalistas na Amazônia e cobram justiça às autoridades!
Os movimentos sociais estão em luto! Infelizmente a velha lógica de quem age contra os interesses das madeireiras, do agronegócio e das mineradoras coloca a própria vida em risco, se fortaleceu nos últimos dias. São 6 assassinatos em 15 dias, a lamentável sequência de assassinatos iniciou no último dia 24 de maio vitimando ao casal de lideres extrativistas José Cláudio da Silva e Maria do Espírito Santo, posteriormente ao agricultor Erenilton Pereira da Silva, no dia 27 de maio o agricultor Adelino Ramos foi alvejado por um motoqueiro, dia 01 de junho o lavrador Marcos Gomes da Silva, foi executado com dois tiros, e no último dia 09 de junho o lavrador Obede Loyla Souza de 31 anos, foi executado com um tiro no ouvido, no município de Tucuruí, no Pará.
Esta tragédia revela o que os movimentos sociais denunciam há 30 anos no Brasil, o modelo de desenvolvimento atual privilegia as madeireiras, o agronegócio e as mineradoras, que nos últimos anos tem acelerado o processo de desmatamento, extração de minérios e ampliação de áreas de plantio de monoculturas como a cana-de-açúcar e a soja. Este modelo de desenvolvimento amplia a concentração de terras nas mãos de grupos econômicos estrangeiros, agrava os fortes impactos ambientais na Amazônia e geram a morte direta daqueles que ousam defender a vida e a natureza.
Portanto, além de barrar a extração ilegal de madeira que alimenta as mineradoras, suspender os benefícios econômicos ao agronegócio, ampliar as ações de fiscalização do desmatamento, agilizar a demarcação de terras indígenas, regularização de das terras remanescentes de quilombos, comunidades ribeirinhas e colocar na cadeia os mandantes e assassinos que agem em nome do poder econômico, o ESTADO brasileiro, (Governo Federal, Estaduais e Municipais) deve adotar outro modelo de desenvolvimento que tenha em seu eixo central a defesa da vida e da natureza.
Não teremos PAZ neste país enquanto persistir a violência no campo, a criminalização dos movimentos sociais e a violência contra as mulheres. Queremos um Brasil com distribuição de terras, com fortalecimento da agricultura familiar, garantia de acesso a serviços de saúde, educação, moradia, mobilidade, crédito, assistência técnica e apoio a comercialização, para os assentamentos rurais.
Convocamos a população brasileira, o movimento social e sindical a tomar a ruas exigindo justiça, o fim dos assassinatos de trabalhadores e a punição dos responsáveis pelos crimes praticados contra a vida e contra a Nação!
Campo vive o drama das listas de marcados para morrer
Da Agencia Senado
Convidados da audiência que debateu a violência no campo, nesta quarta-feira (22), apontaram a existência de listas de pessoas marcadas para morrer.
Veja mais
Grilagem e impunidade apontados como causas da violência no campo
- Temos listas de marcados para morrer em todo lugar e fazer lista desse tipo parece não ser crime. Se nossa reação fosse igual, de fazer lista dos quem fazem as listas, já estaríamos condenados. Que Estado é esse que dá enorme proteção a uns e nenhuma a outros? – indagou William Clementino da Silva Matias, denunciando a influência das oligarquias locais.
Ele representou no debate a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag).
Como exemplo de impunidade, o procurador da República José Elaeres Marques Teixeira lembrou o massacre de Eldorado dos Carajás, no Pará, ocorrido há 15 anos. Até hoje só se registraram duas condenações, mas os processos ainda estão em fase de recurso. No incidente com forças policiais, 19 trabalhadores sem-terra foram assassinados.
- Ainda não houve punição para esse grave crime – concluiu o procurador.
De líderes do campo a religiosos que apóiam a causa dos pequenos produtores e trabalhadores sem-terra, de membros de instituições do campo da Justiça a advogados, os participantes do evento promovido pela Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH) criticaram a impunidade. Willian Clementino da Silva Matias revelou que ele mesmo, por três vezes, já recebeu ameaça de morte. Apesar disso, a opção foi por nem registrar denúncia, dada as ligações da Polícia de sua cidade com os responsáveis pelas coações.
Reforma incompleta
Além da impunidade, os convidados associaram a violência no campo às deficiências dos programas de reforma agrária. Sem atividade econômica certa e necessitando sobreviver, o assentado muitas vezes vende o lote e migra para área onde volta a conviver com o antigo problema da disputa pela terra. Outra saída é permanecer no lote e recorrer à extração ilegal da madeira, acentuando o problema do desmatamento.
- Vem o madeireiro, o assentado cede à tentação e vende a madeira. Aquele que resiste a isso acaba sendo morto – disse o procurador Marques Teixeira.
Modelo econômico
Houve ainda críticas ao próprio modelo de desenvolvimento do país, considerado como fonte primária dos problemas agrários por estimular a ocupação anárquica de novas fronteiras, especialmente em estados da Amazônia. A cobiça por terras e por madeira explicaria o desmatamento da floresta e também a eclosão de conflitos.
- Se não tivermos um posicionamento do Estado brasileiro sobre o projeto de desenvolvimento que queremos, nós [os trabalhadores do campo] vamos continuar lutando, pois somos persistentes, mas as coisas não vão avançar da forma como deve – afirmou Willian Clementino.
Mundo sem lei
Estado onde os casos de violência no campo são mais freqüentes, o Pará, de acordo com o delegado Silvio Cezar Maués Batista, vem trabalhando intensamente nos últimos anos para superar esse panorama. Diretor do Departamento de Polícia do Interior da Secretaria de Segurança do Pará, ele destacou, por exemplo, a criação de delegacias e promotorias de conflitos agrários. Também salientou que há fatores complexos na base do problema, envolvendo causas e soluções que vão além dos poderes do próprio estado, por meio de seu governo, Polícia ou Justiça.
- Preocupa a estigmatização do estado como um mundo sem lei, uma fronteira sem controle – afirmou o delegado, sugerindo maior esforço de compreensão global do problema.
O diretor da Força Nacional de Segurança (FNS), comandante Augusto Aragon, destacou que as mortes no campo estão quase sempre associados ao que chamou de “cinturão de desmatamento”, áreas de ocupação recente e de expansão de atividades econômicas. Ele salientou que a Força só pode atuar nos estados a pedido dos governos. Com relação ao Pará, o diretor reconheceu que os organismos de segurança estão trabalhando muito, mas ainda carecem de estrutura e pessoal.
Convidados da audiência que debateu a violência no campo, nesta quarta-feira (22), apontaram a existência de listas de pessoas marcadas para morrer.
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Grilagem e impunidade apontados como causas da violência no campo
- Temos listas de marcados para morrer em todo lugar e fazer lista desse tipo parece não ser crime. Se nossa reação fosse igual, de fazer lista dos quem fazem as listas, já estaríamos condenados. Que Estado é esse que dá enorme proteção a uns e nenhuma a outros? – indagou William Clementino da Silva Matias, denunciando a influência das oligarquias locais.
Ele representou no debate a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag).
Como exemplo de impunidade, o procurador da República José Elaeres Marques Teixeira lembrou o massacre de Eldorado dos Carajás, no Pará, ocorrido há 15 anos. Até hoje só se registraram duas condenações, mas os processos ainda estão em fase de recurso. No incidente com forças policiais, 19 trabalhadores sem-terra foram assassinados.
- Ainda não houve punição para esse grave crime – concluiu o procurador.
De líderes do campo a religiosos que apóiam a causa dos pequenos produtores e trabalhadores sem-terra, de membros de instituições do campo da Justiça a advogados, os participantes do evento promovido pela Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH) criticaram a impunidade. Willian Clementino da Silva Matias revelou que ele mesmo, por três vezes, já recebeu ameaça de morte. Apesar disso, a opção foi por nem registrar denúncia, dada as ligações da Polícia de sua cidade com os responsáveis pelas coações.
Reforma incompleta
Além da impunidade, os convidados associaram a violência no campo às deficiências dos programas de reforma agrária. Sem atividade econômica certa e necessitando sobreviver, o assentado muitas vezes vende o lote e migra para área onde volta a conviver com o antigo problema da disputa pela terra. Outra saída é permanecer no lote e recorrer à extração ilegal da madeira, acentuando o problema do desmatamento.
- Vem o madeireiro, o assentado cede à tentação e vende a madeira. Aquele que resiste a isso acaba sendo morto – disse o procurador Marques Teixeira.
Modelo econômico
Houve ainda críticas ao próprio modelo de desenvolvimento do país, considerado como fonte primária dos problemas agrários por estimular a ocupação anárquica de novas fronteiras, especialmente em estados da Amazônia. A cobiça por terras e por madeira explicaria o desmatamento da floresta e também a eclosão de conflitos.
- Se não tivermos um posicionamento do Estado brasileiro sobre o projeto de desenvolvimento que queremos, nós [os trabalhadores do campo] vamos continuar lutando, pois somos persistentes, mas as coisas não vão avançar da forma como deve – afirmou Willian Clementino.
Mundo sem lei
Estado onde os casos de violência no campo são mais freqüentes, o Pará, de acordo com o delegado Silvio Cezar Maués Batista, vem trabalhando intensamente nos últimos anos para superar esse panorama. Diretor do Departamento de Polícia do Interior da Secretaria de Segurança do Pará, ele destacou, por exemplo, a criação de delegacias e promotorias de conflitos agrários. Também salientou que há fatores complexos na base do problema, envolvendo causas e soluções que vão além dos poderes do próprio estado, por meio de seu governo, Polícia ou Justiça.
- Preocupa a estigmatização do estado como um mundo sem lei, uma fronteira sem controle – afirmou o delegado, sugerindo maior esforço de compreensão global do problema.
O diretor da Força Nacional de Segurança (FNS), comandante Augusto Aragon, destacou que as mortes no campo estão quase sempre associados ao que chamou de “cinturão de desmatamento”, áreas de ocupação recente e de expansão de atividades econômicas. Ele salientou que a Força só pode atuar nos estados a pedido dos governos. Com relação ao Pará, o diretor reconheceu que os organismos de segurança estão trabalhando muito, mas ainda carecem de estrutura e pessoal.
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